domingo, 13 de agosto de 2017

Deputado pede ao MP afastamento de comandante da Guarda após censo da fé

O polêmico censo religioso promovido pela Guarda Municipal do Rio ganhou mais um capítulo, nesta sexta-feira. O deputado Átila Nunes (PMDB) diz que vai ingressar com uma nova representação no Ministério Público pedindo o afastamento da comandante da Guarda, a inspetora Tatiana Mendes. Segundo ele, a motivação para o pedido vem da denúncia de agentes que afirmam que "Tatiana (que é assumidamente evangélica) promove proselitismo religioso dentro da corporação".

Fernando Horta: Quando a História não é suficiente?

O século XX não foi o século dos historiadores. O prestígio que a História gozou durante os últimos três mil anos foi eclipsado, no século XX, por uma série de ramos do saber que se diziam detentores de fórmulas para prever o futuro. Até o XIX, o homem olhava para o passado para entender-se, para se referenciar e os historiadores ocupavam – ora com religiosos, ora com filósofos – os postos de “conselheiros” (formais ou informais) do poder político. No século XX, a História foi entendida como “não boa o suficiente”, sendo substituída pela economia, ciência política, relações internacionais, publicidade e outros tantos ramos do saber que prometiam “resultados concretos”, ou ao menos a concretude através de um cientificismo matemático.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Afinal, Monteiro Lobato era racista ou não ? - André Scharth



Está de volta a antiga polêmica, que a bem da verdade nunca sumiu, apenas deu uma esfriada. Seria Monteiro Lobato racista? As obras de Monteiro Lobato tem objetivo ou frases racistas?

terça-feira, 25 de julho de 2017

Crônicas do Dia - O caçador e seu troféu - Veríssimo


Crônicas do Dia - Por que ler Jane Austen ? - Julia Romeu

Nas comemorações dos 200 anos da morte da escritora inglesa Jane Austen (1775-1817), no último dia 18, teve de tudo: desde o lançamento de uma nota de dez libras com sua imagem na Inglaterra até um chá em sua homenagem na Confeitaria Colombo, no Rio, com direito a atores com roupas de época. Juntando-se a isso as inúmeras reedições, traduções, adaptações e continuações dos seis romances que Austen escreveu, fica provado que ela é a autora clássica mais popular da atualidade, com um fã-clube que rivaliza em tamanho e devoção apenas com o de seu conterrâneo William Shakespeare. Mas é justamente essa popularidade e a profusão de produtos com o nome de Jane Austen estampado que fazem com que alguns desconfiem da qualidade da obra da autora, muitas vezes considerada uma escritora menor de temas superficiais. Afinal de contas, por que ler Jane Austen?

Crônicas do Dia - A agonia de um velho amigo - Artur Xexéo

Olho para o telefone fixo e tento me lembrar qual foi a última vez que atendi à ligação de algum amigo

Crônicas do Dia - O arauto do desastre - Ruth de Aquino

“Estamos tratando com seriedade o dinheiro do pagador de impostos, disse o presidente Michel Temer ao anunciar o temível aumento de imposto que nos empobrecerá ainda mais. “São tantos feitos administrativos que a garganta acaba falhando”, afirmou Temer, emocionado consigo próprio. Criticou “os arautos do desastre”, que são todos aqueles que não vivem em sua ilha da fantasia. O impacto na bomba de gasolina é a pauta-bomba da semana.

Modelo de Redação - O voo do condor

O voo do condor

Desde a primeira fase do Romantismo, os poetas já buscavam a construção de uma identidade nacional, retratando em suas obras a extensão do território brasileiro, suas belezas e suas diversidades tendo como personagens principais o índio, o branco europeu e o negro, que trouxeram para o país suas culturas, crenças e religiões, evidenciando a mestiçagem do povo. Dessa forma, é incoerente pensar como um país tão miscigenado tem preconceitos históricos tão enraizados com a questão religiosa.

Pixação é vandalismo ?

Discutir sem preconceito é o ponto de partida para entender, junto com os adolescentes, essa forma gráfica de contestação

por: Renan Borges Simão

sábado, 22 de julho de 2017

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Você sabia disso ?



Artigo de Opinião - Infância e consumo

Surge uma novidade simples, sem grandes apelos tecnológicos, mas com profunda empatia com o público infantil: o ‘hand spinner’, que tem deixado professores em polvorosa

30/06/2017 
O DIA

Crônicas do Dia - Conversa num barco encalhado - Fernando Gabeira

Na semana passada nosso barco encalhou perto da Baía dos Pinheiros, no litoral sul do Paraná. A maré baixou rápido e ficamos mais ou menos perdidos: só tínhamos as coordenadas e um rádio. Não havia o que fazer, exceto esperar a maré subir. Alguém me provocou: nosso barco está encalhado como o país.

O feitiço perdura











Revista Mundo Estranho

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Você faz faxina ?

“Hoje uma senhora me parou na rua e perguntou se eu fazia faxina...”. Mestranda, historiadora e professora responde de maneira precisa questionamento oriundo do nosso racismo institucional enraizado


Luana Tolentino, via Facebook

Você sabia disso ? - 30 anos sem Clementina de Jesus


Sambista que fez história ao unir no seu som o Brasil e a África, Clementina de Jesus partia há exatas três décadas. O POVO conversou com Hermínio Bello de Carvalho, "descobridor" dessa voz marcante

Crônicas do Dia - A culpa não é da mídia -


Na Antiguidade, havia reis que mandavam exterminar emissários da notícia ruim, depois de recebê-la, claro. Hoje, há quem gostaria de fazer o mesmo com os jornalistas


Zuenir Ventura, O Globo

E se Lima Barreto – o homenageado da FLIP este ano –, em vez de mulato, fosse preto?




Lima Barreto (1881 – 1922)

Esta pergunta, assim mesmo, gingada e rimada como num verso de samba, eu fiz, poucos anos atrás, numa reunião pública em que se discutia a presença do negro na Literatura Brasileira.

Você sabia disso ? - Valongo e barriga de aluguel

Dias atrás, líamos em O Globo artigo do escritor Dodô Azevedo defendendo a ideia de que o Cais do Valongo, agora reconhecido como “patrimônio da humanidade” pela Unesco, seria o “útero” do Brasil. Concordando em absoluto com os argumentos do articulista, tomamos a liberdade de acrescentar, aqui, nosso temor. De que, agora, a História afro-brasileira comece a servir de “barriga de aluguel” para a gestação, nesse útero, de ações e negócios contrários aos interesses dos descendentes, mesmo presumíveis ou simbólicos, dos infelizes desembarcados no sítio histórico agora celebrado.

Crônicas do Dia - Ler pra entender - Zélia Duncan

A internet mostra que o ser humano é muito mais falante e dono da verdade do que podíamos supor

Crônicas do Dia - Está prefeito, mas é pastor

Se as ruas do Rio enchem com bueiros entupidos e tiros ecoam pela cidade, Crivella vai cantar em Brasília
RUTH DE AQUINO

Resenhando - Neve na manhã de São Paulo

O final trágico de um romance entre o escritor Oswald de Andrade e a estudante Daisy Pontes mostra como os modernistas não conseguiram se livrar dos preconceitos do início do século XX
RUAN DE SOUSA GABRIEL

Quais expressões surgidas na Internet já estão no dicionário ?



Você sabia disso ? - Lima Barreto e o Racismo

Ainda estudante da Escola Politécnica do Rio de Janeiro, onde entrou em março de 1897, o escritor mulato Lima Barreto desiste de participar de uma estudanta, ato de rebeldia dos alunos da escola de elite. Consciente do racismo, Lima explica em conversa com um colega o motivo que o levou a desistir de pular o muro em companhia de seus colegas para assistir a uma montagem da ópera Aída de Verdi no Teatro Lírico:

Por Fernando do Valle, do Zonacurva

“Todos haviam topado a estudantada. Todos, menos Lima Barreto. Este não tivera a coragem de pular o muro. Depois do ensaio geral, Nicolao Ciancio teve de ir sozinho para casa — a pensão de Madame Parisot. E ali chegando, cantarolando, como bom italiano, os últimos trechos de Aída, encontrou o amigo deitado, lendo. O diálogo que se seguiu e vai adiante transcrito foi reconstituído pelo próprio Nicolao Ciancio. Ei-lo sem alteração de uma vírgula:
 — Por que você não veio?
— Para não ser preso como ladrão de galinha!
— ?!
— Sim, preto que salta muros de noite só pode ser ladrão de galinhas!
— E nós, não saltamos?
— Ah! Vocês, brancos, eram ‘rapazes da Politécnica’. Eram ‘acadêmicos’. Fizeram uma ‘estudantada’… Mas, eu? Pobre de mim. Um pretinho. Era seguro logo pela polícia. Seria o único a ir preso”.
(extraído do livro A Vida de Lima Barreto, de Francisco de Assis Barbosa)
Afonso Henriques nasceu numa sexta-feira 13, a de maio de 1881, exatos 7 anos antes da abolição da escravatura, pobre, negro e alcoólatra, sofreu na pele as agruras do preconceito dos literatos, acadêmicos e jornalistas. Mas não se fazia de rogada, já na Politécnica, Lima escreve ácidos artigos na revista universitária A Lanterna, onde não poupa os vaidosos professores sob o pseudônimo de “Momento de Inércia”.
Em seu diário íntimo, Lima frequentemente desabafava sempre o mesmo como um mantra: “é triste não ser branco”. Da sua revolta, nasceu uma literatura voltada para os personagens do subúrbio. Também praticou um jornalismo de resistência como na pequena Revista Floreal. No primeiro número da revista, Lima escreve que a publicação era “contra o formulário de regras de toda sorte, que nos comprimem de modo tão insólito no momento atual”.

O primeiro número da revista vendeu apenas 38 exemplares, a Floreal não passou do quarto número. Foi ali que Lima publicou trechos de uma de suas obras mais contundentes,Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), que narras as agruras de um jornalista negro e pobre no início de carreira. O livro é brutal, um grito contra a hipocrisia e um ataque aos medalhões da imprensa. Sem dúvida, o livro foi baseado na experiência de Lima no jornal Correio da Manhã. Antes do Correio, em 1903, Lima teve uma péssima experiência na Revista de Época, onde se viu obrigado a tecer loas a alguns políticos, pediu demissão. Dois anos depois, a partir de abril, escreve reportagens para o Correio da Manhã.
“Não obedeço a teorias de higiene mental, social, moral, estética, de espécie alguma. O que tenho são implicâncias parvas; e só isso. Implico com três ou quatro sujeitos das letras, com a Câmara, com os diplomatas, com Botafogo e Petrópolis; e não é em nome de teoria alguma, porque não sou republicano, não sou socialista, não sou anarquista, não sou nada; tenho implicâncias. É uma razão muito fraca e subalterna; mas como é a única, não fica bem à minha condição de escriba escondê-las” (Lima Barreto).

Com 22 anos, Lima tornou-se copista da Secretaria de Guerra, onde redigia minutas e avisos e copiava decretos. Trabalhou lá por 14 anos. Mas era nos cafés que Lima mantinha contato com artistas, escritores e políticos. Por lá circulavam também as cocotes, mulheres francesas com certa sofisticação cultural, no romance Vida e Morte de M.J. Gonzaga de Sá, Lima escreve que elas tinham como missão “afinar a nossa sociedade”, abrutalhada por séculos de escravidão.

Em seus textos jornalísticos, considerados precursores do jornalismo literário no país, Lima critica aspectos da vida social e política brasileira, desafia os cânones literários e esboça uma precursora visão anti-imperialista em relação aos norte-americanos:
“Não dou cinquenta anos para que todos os países da América do Sul, Central e o México se coliguem a fim de acabar de vez com essa atual opressão disfarçada dos yankees sobre todos nós; e que cada vez se torna intolerável” (trecho de um dos textos jornalísticos de Lima Barreto, reunidos no volume Marginália).

Atrás da acidez e da combatividade, escondia-se um ser melancólico que encontrou no álcool seu refúgio, que o matou aos poucos. Lima deixou de frequentar os cafés e passou a beber cada vez mais nos botequins por volta de 1911. Muitas vezes, depois de várias doses de cachaça, era encontrado por amigos dormindo na sarjeta. Chegou a ficar dois meses internado em um hospício quando perdeu o controle de seu vício. Morreu jovem, com apenas 41 anos, em 1 de novembro de 1922.

Com apenas 7 anos, Lima foi levado pelo pai à missa campal para a celebração da Abolição da Escravatura. Mesmo sem compreender exatamente a importância daquele momento, a boa energia da festa ficou marcada em sua memória. Em 1911, Lima escreveu na Gazeta da Tarde: “fazia sol e o dia estava claro. Jamais, na minha vida, vi tanta alegria. Era geral, era total; e os dias que se seguiram, dias de folgança e satisfação, deram-me uma visão da vida inteiramente de festa e harmonia”. Lima lutou toda uma vida em busca daquela harmonia, fruto de uma autêntica esperança de uma convivência mais fraterna.

https://www.geledes.org.br/a-revolta-do-escritor-lima-barreto-contra-o-racismo/#gs.GX9H908



Crônica do Dia - Barganha

Com todo o alarido em torno da sentença do Lula, deu-se pouca atenção a outra decisão envolvendo o ex-presidente na semana passada, a do procurador federal desqualificando a delação do ex-senador Delcídio do Amaral, que o citava.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Você sabia disso ?



Artigo de Opinião - Um balde de água frica


 (Por Professora Alessandra Vieira)


Os nazistas mantinham os judeus em fome constante. Assim, os judeus se ocupavam apenas de uma única tarefa durante o dia todo: procurar alimento, sobreviver, matar a fome imediata e urgente. Não tinham tempo e nem energia para organizar conspirações, rebeliões e planos de fuga. A vida se resumia a uma luta individualista, egoísta e solitária pela mera subsistência.

domingo, 9 de julho de 2017

"Vai bater tambor?", empresa Vivo discrimina trabalhadora umbandista e a demite

A ex-funcionária adepta da umbanda, religião de matriz africana, trabalhava na telefonia de celular Vivo. Ela diz que foi demitida após entrar em depressão e processou a empresa após gravar áudios com as provas da discriminação. Esse é um dos 36 casos de intolerância religiosa registrados pelo Ministério Público da Bahia, desde janeiro desse ano.

Você sabia disso ? - Perseguição silenciosa de Crivella à cultura negra impede samba da Pedra do Sal - Juan Dias

Foi informado através da página do facebook da roda de samba da Pedra do Sal que o evento dessa segunda feira (3) não aconteceria parcialmente por causa do mau tempo mas principalmente por causa da ação da Guarda Municipal do bispo-prefeito Marcelo Crivella. Tudo na suposta defesa do ordenamento público na região da Gamboa e do Largo da Prainha. Em vista da ofensiva da Guarda Municipal os organizadores da roda de samba cancelaram o evento da segunda feira e declararam no facebook que “Visando evitar problemas para o samba e moradores, prejuízos para o comércio local e, exposição de violência ao nosso público, decidimos, há pouco, cancelar nosso evento dessa segunda feira dia 03/07/2017”.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Artigo de Opinião - A escola é inconstitucional

A Prova Brasil verifica se os alunos de quinto e nono anos do Ensino Fundamental desenvolveram as habilidades e competências esperadas em Língua Portuguesa e Matemática para esses estágios de escolaridade

domingo, 2 de julho de 2017

Artigo de Opinião - Um balde de água fria - Professora Alessandra Vieira




Os nazistas mantinham os judeus em fome constante. Assim, os judeus se ocupavam apenas de uma única tarefa durante o dia todo: procurar alimento, sobreviver, matar a fome imediata e urgente. Não tinham tempo e nem energia para organizar conspirações, rebeliões e planos de fuga. A vida se resumia a uma luta individualista, egoísta e solitária pela mera subsistência.

Artigo de Opinião - As escolas brasileiras ainda vão pedir para alunos comparecerem fantasiados de negros. Por Donato

Menos de um mês após uma escola particular no Rio Grande do Sul ter promovido um convescote com o tema ‘Se nada der certo’ na qual alunos debocharam de profissões menos ‘nobres’ como faxineira ou gari, não ocorre ideia mais brilhante para um outra escola do que organizar uma bizarra festa que pedia a alunos virem fantasiados de ‘favelados do Rio de Janeiro’.´

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Você sabia disso ? - As andanças de Lima Barreto pelo Rio



Antigo endereço. A única casa onde Lima Barreto morou que está preservada: imóvel, em unidade da Força Aérea Brasileira, na Ilha do Governador, é usado como alojamento - Fernando Lemos / Fernando Lemos




RIO — É preciso obter autorização em Brasília para entrar no Parque de Material Bélico da Aeronáutica, na Ilha do Governador. O acesso ao quartel é rigidamente controlado, com dois portões sempre fechados e meia dúzia de soldados armados na guarita de segurança. Lá fica guardado o arsenal de guerra da Força Aérea Brasileira no Rio, um tesouro para o corpo militar. Vencidas as etapas de acesso, surge uma casa despretensiosa do lado esquerdo na qual pouco se destaca: talvez o telhado, o alpendre e algumas mangueiras e laranjeiras ao redor. Aquela casa também guarda um tesouro, mas de outra grandeza: é o único endereço em que morou o escritor Afonso Henriques de Lima Barreto ainda preservado na cidade, embora tão modificado e usado atualmente como alojamento de soldados. Autor de uma prolífica obra de 17 volumes que inclui romances, crônicas, contos, artigos e correspondências, Lima Barreto será o autor homenageado na Feira Literária de Paraty (Flip), no mês que vem.

domingo, 18 de junho de 2017

Você sabia disso ? - Peças religiosas estão presas em acervo da polícia

RIO - Maria do Nascimento, mais conhecida como Mãe Meninazinha de Oxum, cresceu em casas de candomblé do Rio e sempre ouviu os mais velhos contarem que existia um lugar no Centro do Rio onde roupas de santo e uma infinidade de peças sagradas de religiões com matriz africana eram mantidas “aprisionadas”. Por serem consideradas provas de crimes pelo antigo Código Penal de 1890, que proibia a “prática do espiritismo, da magia e seus sortilégios”, no passado elas eram apreendidas em terreiros e guardadas na Repartição Central da Polícia, no prédio onde hoje funciona a sede da Polícia Civil.

domingo, 11 de junho de 2017

Artigo de Opinião - Câncer e politização - Gustavo Fernandes

Há dois anos, o Brasil tem vivido um período de graves problemas políticos, econômicos e, consequentemente, sociais. Em decorrência disso, todos os serviços do governo foram prejudicados e sofreram cortes generalizados. Dentre as inúmeras restrições nos recursos destinados para saúde, educação etc., foram reduzidas as verbas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (SP), onde há décadas eram produzidas pílulas de um composto referido por alguns como milagroso: a fosfoetanolamina sintética.

Crônicas do Dia - Elegância - Veríssimo

Nunca é demais lembrar que as consequências de corrupção revelada, no Brasil, nunca são muito radicais. Ninguém fica arruinado para sempre

25/05/2017 

Um dos delatores da JBS comentou no seu depoimento que o presidente Temer não foi elegante ao pedir um milhão para ele, dos milhões que cruzavam à sua frente. Segundo o delator, só o Kassab fez o mesmo.

Artigo de Opinião - Nazifascismo? Nós ?

Entendo qualquer manifestação contra a sem-vergonhice vigente, mas não entendo a burrice de quem pede intervenção militar para combatê-la

09/06/2017 
O DIA

Artigo de Opinião - A favela é negra - Washington Fajardo

A polarização política, mortadela ou coxinha, tem origem na segregação de ricos e pobres em lugares separados

Não existe política habitacional no Brasil. Não há, nunca houve e não parece que surgirá. Mesmo a moradia sendo a função primordial da cidade e a definição do uso do solo uma regulação essencial do Estado, por ação municipal, nós não prevemos onde morará o trabalhador e o pobre. Logo, esses, pela ausência e pela emergência, inventaram, estão inventando e continuarão a inventar uma solução que foi, é e continuará a ser a favela.

Artigo de Opinião - A despedida do meu filho

O mapa da violência no Brasil é estarrecedor. Desperdiçamos vidas. O número de mortos é superior a de regiões de guerra

10/06/2017 
O DIA

Rio - Era um velório. Um velório de um jovem. De um jovem negro. Numa região pobre de uma grande cidade.

Artigo de Opinião - Recursos à mídia -

Perdemos todos, já que os adolescentes não são socioeducados, mas saem muito pior do que quando são sentenciados; perde a sociedade com o financiamento de medida inócua, cara e prejudicial à própria sociedade

10/06/2017 
O DIA

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Você sabia disso ?

Em sua acepção dominante de “conjunto de habitações populares toscamente construídas (por via de regra em morros) e com recursos higiênicos deficientes” (Aurélio), a palavra favela é um brasileirismo que tem história de clareza incomum – e além do mais ligada a um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Crônicas do Dia - Cuidado com posts nas redes sociais - Nelson Vasconcelos

O motivo é muito simples: mais cedo ou mais tarde, você poderá se arrepender do que publicou por lá

03/06/2017 
O DIA

Você sabia disso ? - O começo do fim ?


SURREAL: Alunos de colégio particular em Salvador usam roupas de organização racista

Você sabia disso ? - Mães encarceradas

Uma em cada três mulheres grávidas em presídios do país foram obrigadas a usar algemas na internação para o parto, revela pesquisa da Fiocruz.

Flávia Villela, Agência Brasil

quinta-feira, 8 de junho de 2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

Crônicas do Dia - Os mais interessados

Karen é uma estudante de ensino médio da periferia de uma grande cidade que, até o ano passado, convivia com uma biblioteca escolar fechada. Não saíam os livros, não entravam os alunos. A fim de democratizar o acesso ao local, a jovem e o grêmio estudantil da unidade iniciaram uma campanha pela abertura do espaço. Por mais positiva que fosse a pauta, o diálogo não ocorreu sem ruídos. A direção recusou-se a negociar, e a situação avançou a custo de muita insistência e argumentação dos estudantes. Em uma oficina sobre diálogo na escola, a jovem desabafou: “Não há espaço para a escuta, só para a burocracia e os resultados”.

Crônicas do Dia - Tempo maluco - Verissimo


Sabiam que na capa do disco apareciam os quatro Beatles e mais uma porção de gente no fundo. Como ele fora parar na capa de um disco dos Beatles?

Artigo de Opinião - Temer e o piano - Arnaldo Bloch

Claro que não se tratava de mágoa de amor romântico, como na canção. Era mágoa de amor cívico por um país sonhado

Artigo de Opinião - O que quer a Rede Globo? por Guilherme Boulo

A delação dos donos da JBS precipitou o declínio do governo Temer. Poucos na bolsa de apostas de Brasília acreditam na possibilidade de mantê-lo até 2018, apesar dos esforços desesperados de salvação. Temer perdeu as condições políticas para governar o País. Pesam contra ele não apenas denúncias, mas provas, vistas e escutadas amplamente.

Artigo de Opinião - Escola Sem Partido ?

É no contexto do golpe político em curso no Brasil de 2016 que situamos a análise do Projeto Escola Sem Partido (PLS 193/2016, PL 1411/2015 e PL 867/2015). Esse projeto visa eliminar a discussão ideológica no ambiente escolar, restringir os conteúdos de ensino a partir de uma pretensa ideia de neutralidade do conhecimento.

domingo, 4 de junho de 2017

Artigo de Opinião - Escola para vida - Eugênio Cunha

Historicamente, os currículos sempre foram conteudistas, privilegiando excessivamente a formação acadêmica em detrimento da formação humana

Artigo de Opinião - João Batista Damasceno: O golpe e os direitos dos trabalhadores

A saída democrática e legitimadora do governo é emenda à Constituição e realização de diretas já

27/05/2017 
O DIA

Artigo de Opinião - Diretas já - João Batista Damasceno

Temer perdeu a capacidade governativa, e o Centrão, bloco de partidos fisiológicos, formado por políticos oportunistas, não será capaz de lhe dar qualquer sustentação

Artigo de Opinião - Corrupção: Freud explica - Paulo Renato Marques

A política passou a ser pauta principal onde discutimos, de forma inédita, os escândalos dos malfeitos que há décadas frequentam a sociedade, que só agora os percebe

30/05/2017 
O DIA

Artigo de Opinião - A obsolescência do amor - Miguel de Almeida

Nem Marx nem santo Antônio conseguiriam solucionar as enormes expectativas criadas pela indústria do amor

Artigo de Opinião - Nunca me sonharam - Marcus Faustini

A frase dá nome a documentário que reequilibra o lugar de vozes e regiões no debate da educação no Brasil

terça-feira, 23 de maio de 2017

Artigo de Opinião - Temer, pede pra sair !

Para que adiar uma decisão e se agarrar a uma cadeira mendigando apoio?

RUTH DE AQUINO
19/05/2017 

Artigo de Opinião - Fora, Temer. Ok, mas para colocar quem ?


Agora grita-se "Fora, Temer", mas não se pode saber quem irá para o lugar. Pela Constituição, o novo doutor seria eleito indiretamente pelos senadores e deputados

21/05/2017 - 
Elio Gaspari, O Globo

Há um ano, quando a rua gritava "Fora, Dilma", sabia-se que para o seu lugar iria o vice-presidente, Michel Temer.

Charges


Artigo de Opinião - Onde estão os liberais ?

Os interesses menores sempre à espreita parecem finalmente ter emergido na nossa atual babel política, como indica a contraditória ideia de prevalência do negociado

23/05/2017 
O DIA

Você sabia disso ?

Lei obriga a direção a manter atividades nos horários vagos quando professores faltarem

21/05/2017 
O DIA

Rio - Uma lei aprovada na semana passada, na Alerj, vai deixar os pais mais tranquilos quando os filhos estiverem na escola. É que os alunos do Ensino Fundamental da rede estadual não poderão mais ser dispensados em caso de faltas eventuais de professores. A lei, de autoria do deputado Tio Carlos (SDD), foi sancionada pelo governador Luiz Fernando Pezão.

De acordo com o texto, as instituições deverão manter os alunos nas dependências da escola durante todo o turno em que estão matriculados (manhã ou tarde). Além disso, caso o professor se ausente em licença por mais de cinco dias, as unidades deverão informar à Secretaria de Estado de Educação, que ficará responsável pela substituição temporária do profissional. 

As escolas também precisarão que ter um ‘plano B’ para manter os alunos em atividade durante o tempo sem a aula específica. Crianças e adolescentes terão que ser envolvidos em tarefas adequadas à faixa etária e à grade curricular de cada série escolar. 

O conteúdo deverá estar de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais ou com o projeto político-pedagógico de cada instituição.

O deputado Tio Carlos explica que a liberação das crianças e jovens antes do horário previsto pode comprometer a segurança deles. “O aspecto mais importante é a segurança. Os pais deixam as crianças na escola e vão trabalhar. Logo, não tem quem fique com essa criança caso o professor falte e ela seja liberada da escola. É importante que essa escola permaneça com a criança”, comenta o deputado.

O projeto de lei original previa que a Secretaria de Educação ficaria responsável por, em até um ano, ampliar a modulação de professores, possibilitando a existência de um quadro de docentes aptos para a substituição imediata em caso de ausência de algum educador. Este item, no entanto, foi vetado pelo governador.

Crônicas do Dia - O ponto - Veríssimo


Pode-se até fantasiar que um dia deputados, senadores e governantes dispensarão seus salários e viverão exclusivamente de propinas, ou do que ganham nos seus pontos

21/05/2017 

Você sabia disso ? - Semana de Arte Moderna



Artigo de Opinião - Além do fundo do poço


Os compêndios do futuro hão de registrar com clareza o papel que teve essa nova geração de juízes, promotores e policiais federais nessa transição

21/05/2017 
Nelson Paes Leme, O Globo

domingo, 21 de maio de 2017

Você sabia disso ? - Por que a Globo quer derrubar Michel Temer ?


Adicionar legenda
Após defender o impeachment de Dilma, conglomerado agora orquestra a saída de Temer e aposta em eleições indiretas

Norma Odara Fes
Brasil de Fato | São Paulo (SP), 20 de Maio de 2017

sábado, 20 de maio de 2017

Crônicas do Dia - A cura pela Lava - jato

Em condições normais, já deveria ser um escândalo o presidente da República receber em sua casa, à noite, o dono de uma empresa cinco vezes alvo da PF

20/05/2017 - 
Zuenir Ventura, O Globo

Editorial de O Globo - A renúncia do Presidente

Um presidente da República aceita receber a visita de um megaempresário alvo de cinco operações da Polícia Federal que apuram o pagamento de milhões em propinas entregues a autoridades públicas, inclusive a aliados do próprio presidente. O encontro não é às claras, no Palácio do Planalto, com agenda pública. Ele se dá quase às onze horas da noite na residência do presidente, de forma clandestina. Ao sair, o empresário combina novos encontros do tipo, e se vangloria do esquema que deu certo: "Fui chegando, eles abriram. Nem perguntaram o meu nome". A simples decisão de recebê-lo já guardaria boa dose de escândalo. Mas houve mais, muito mais.

domingo, 14 de maio de 2017

Artigo de Opinião - Intervenção federal - Marcos Espíndola

Estatística recente da PM revelou que em cinco anos os confrontos em áreas com UPPs, aumentaram 13.746%, passando de 13, em 2011, para mais de 1.500 em 2016

30/04/2017 
O DIA

Artigo de Opinião - Favelada, mulher, negra - Ricardo Cravo Albin

Testemunho da favelada de São Paulo, também catadora do lixão, comoveu e chocou o planeta, colocando a nu duas realidades

30/04/2017 
O DIA

Rio - Há dias instalou-se nas redes sociais do Brasil um intenso debate envolvendo a escritora Carolina Maria de Jesus, favelada, mulher e negra, autora de ‘Quarto de Despejo’, um dos livros mais famosos não só por aqui, senão também no exterior, traduzido que foi para quase 30 línguas.

Artigo de Opinião - Será o Benedito? - Marcio Tavares D'Amaral

Será o Benedito?

Será errado insistirmos naquilo que constitui a nossa mais profunda identidade?

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Artigo de Opinião - Juventude Terceirizada - Eugênio Cunha

Não ao acaso, mas por nossa decisão, devemos proteger a juventude quando ela estiver distraída

06/05/2017 
O DIA

Personalidades - Dante Allieghieri



Artigo de Opinião - Alô, mamãe ! - Nelson Vasconcelos

Eis, então, com bastante antecedência, algumas sugestões de livros que eu daria pra minha mãe

06/05/2017 
O DIA

Crônicas do Dia - A Jovem Guarda contra a ditadura - Artur Xexéo

A Jovem Guarda contra a ditadura

Muito mais que um cantor da Jovem Guarda, Jerry Adriani era um cantor de protesto

Crônica do Dia - App'O'calipse - Arnaldo Bloch

App'0'calipse

A pane do WhatsApp durou duas horas. Para muitos, uma eternidade de incertezas

Artigo de Opinião - Estamos em Maio - Flávia Campos

Eu sei quando maio começa, porque todo mundo quer saber do povo negro. Se dormisse por meses a fio, ao acordar, me saberia em maio pelo assédio dos ativistas e dos bem intencionados. É o mês da abolição e todo mundo quer debater o racismo. A agenda de eventos não cabe no calendário; o dia 13 deveria ter 129 horas, uma para cada aniversário da Lei Áurea. Em novembro, mês da consciência negra, também. Todo mundo quer saber dos negros em novembro. Eu queria falar em dos pretos em setembro. Mas setembro é o mês em que a gente fala de flores, de literatura e de música. Setembro é o mês da primavera, da Bienal do Livro e do Rock in Rio. Então, precisamos falar dos pretos agora.

É hora de lembrar que, quase um século e meio após a libertação dos escravos, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos negros brasileiros ainda é 15% inferior ao dos brancos: 0,679, contra 0,777, informou ainda ontem o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pretos e pardos somam mais da metade (54%) da população, mas são 75% dos brasileiros mais pobres e não chegam a um quinto dos mais ricos, calculou o IBGE.

Porque estamos em maio, vale sublinhar que somente 12,8% dos jovens negros de 18 a 24 anos estão cursando o ensino superior, metade da proporção (também nada ideal) de brancos da mesma faixa etária (26,5%). Oito de cada dez (77%) brasileiros de 15 a 29 anos assassinados no país têm a pele preta ou parda. O Mapa da Violência contabilizou 31 mil negros entre 44.861 mil mortos por armas de fogo em 2014.

É tempo de ressaltar que a taxa de desempregos dos autodeclarados pretos é de 14,4%; dos pardos, 14,1%; e dos brancos, 9,5%. O rendimento médio dos negros equivale a 55% da renda dos trabalhadores brancos. Homens negros ganham menos que mulheres brancas, ou seja, raça se sobrepõe a gênero nas desigualdades do mercado de trabalho. Mulheres negras são maioria entre trabalhadores domésticos. Dos adultos negros, 80% não têm plano de assistência médica ou odontológica; 40% não moram em casa com água encanada, esgoto e coleta regular de lixo; 38% avaliam o próprio estado físico como regular, ruim ou muito ruim, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (IBGE 2013).

A abolição caminha para 130 anos; a Lei Afonso Arinos, a primeira do país contra a discriminação racial, completou 65; racismo é crime inafiançável desde a Constituição de 1988; o sistema de cotas nas universidades públicas começou há década e meia. Faz 48 anos que Gilberto Gil avisou ao Brasil que saiu da Bahia com régua e compasso. E chegamos a 2017 debatendo se alguma alma generosa precisa nos ajudar a segurar o lápis (real e metafórico) da vida.

Estamos em maio e eu tratei de negritude. Escreverei em todas as datas, todos os meses, todos os anos. Mas é preciso falar de branquitude. Neste sábado, a GloboNews vai exibir “Eu não sou seu negro”, documentário obrigatório para os que têm outros tons de pele. É também para tirar os não negros da zona de conforto a série “Dear white people”, da Netflix. São duas obras que escancaram as reflexões — o filme, com conteúdo robusto; a série, com pitadas de humor e altas porções de drama — sobre privilégio branco, racismo estrutural, identidade racial, diversidade e individualidade, temas necessários ao Brasil do século XXI.

Estamos em maio, eu tinha de falar dos pretos. E dos brancos. Mas eu queria outro assunto. O meu amado me chamou de Felicidade. Eu reparei no meu nome trocado e lembrei que minha tia Marizete morava na Pavuna e tinha uma vizinha chamada Felicidade. A vida toda eu pensei na Felicidade que morava na Pavuna. Tia Marizete morreu anos atrás e nunca mais fui à Pavuna. Nunca mais vi Felicidade.

Mas em 2017, no mês em que todo mundo quer falar dos pretos, o meu amor disse que Felicidade era eu. Por isso, no aniversário da abolição, precisei falar também de Felicidade. Ela morava na Pavuna. Mas neste maio encarnou em mim.



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terça-feira, 9 de maio de 2017

Artigo de Opinião - Por que o jovem não gosta de ler? - William Cereja



O Brasil é um país que, além de ler pouco, lê mal. É o que mostram os resultados de diferentes instrumentos de avaliação, tanto estrangeiros quanto nacionais. Em 2000, por exemplo, o Brasil participou pela primeira vez do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que reuniu estudantes (todos entre 15 e 16 anos) de 32 países. Nossos jovens obtiveram o último lugar. Mais da metade deles ficou entre os níveis 1 e 2 de leitura (num total de 5 níveis), isto é, mal conseguia reconhecer a idéia principal de um texto, extrair informações que podiam ser inferidas, estabelecer relações entre um texto e outro, ler gráficos, diagramas, etc. Nos programas nacionais de avaliação escolar, os resultados não são diferentes. Tanto o Enem quanto o Saeb, em relatórios de 2004, apontam que 42% dos alunos da 3ª série do ensino médio estão nos estágios “muito crítico” e “crítico” de desenvolvimento de habilidades e competências em Língua Portuguesa, com dificuldades principalmente em leitura e interpretação de textos. Do total de alunos avaliados, apenas 5% dos alunos alcançam o nível considerado adequado de leitura, que consiste em, por exemplo, entre outras operações, ser capaz de num texto estabelecer relações de causa e conseqüência, identificar efeitos de ironia ou humor em textos variados, efeitos de sentido decorrentes do uso de uma palavra, de uma expressão ou da pontuação. Diante desse quadro, cabe perguntar: quais as causas dessa situação? O jovem brasileiro não gosta de ler? Que fatores socioculturais e escolares têm responsabilidade sobre esses resultados? E mais: o que pode ser feito a curto prazo para mudar esse quadro? Não é absolutamente verdade que as crianças e adolescentes não gostem de ler. A onda esotérica provocada pelos livros de Paulo Coelho que seduziu os jovens a partir do final da década de 1980 e a atual mania Harry Potter são a prova disso. Evidentemente, não há uma causa simples que explique o problema nem uma solução mágica que o resolva. Diferentes aspectos estão relacionados com esses resultados, como o hábito e a valorização da leitura em casa, o papel da televisão e da Internet na vida contemporânea, o preço do livro, a formação dos professores e sua concepção de leitura, as práticas de ensino de leitura, a qualidade das obras selecionadas pela escola, o tipo de ensino que se faz da literatura no ensino médio, as listas de obras literárias indicadas pelos exames vestibulares, etc. Tomemos alguns desses aspectos para exame. Historiografia literária ou leitura de textos literários? Depois de fazer, no ensino fundamental, um percurso de pelo menos oito anos de leitura de textos variados, o estudante passa a ter, no ensino médio, contato com o estudo sistematizado de literatura brasileira. O lógico e desejável seria que, com uma carga horária escolar que varia entre uma e três aulas semanais, os alunos nesse tempo desenvolvessem suas habilidades de leitura – aquelas que foram observadas nos sistemas de avaliação -, tomando como base textos representativos de nossa literatura. No entanto, não é bem isso que ocorre. O ensino de literatura no Brasil tem sido feito pela perspectiva da historiografia literária. Isto é, em vez de o aluno aprender a ler textos literários, passa os três anos do ensino médio aprendendo a situar os autores e obras na linha do tempo, a identificar a estética literária a que pertence, etc. E isso não é recente. Nos planejamentos escolares do Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, por exemplo, a história da literatura começou a fazer parte do programa escolar em 1858. Pondo por terra a tradição do ensino da Retórica e da Poética – disciplinas originárias de uma longa tradição humanista de educação trazida pelos jesuítas e que tinham como finalidade ensinar a falar e escrever bem -, a vitória da historiografia literária está relacionada com as necessidades daquele momento histórico: o nacionalismo romântico, o sentimento de lusofobia e a necessidade de construir e definir uma cultura nacional com base na língua, na literatura e na etnia. Assim, os primeiros historiadores da literatura nacional cumpriram a missão de definir o cânon literário – o conjunto de autores e obras representativos de nossa literatura – e, desde então, os professores secundários há mais de um século vêm ocupando seu tempo escolar resumindo obras, dissecando a literatura em gerações, fases e características, como se isso fosse, por si só, suficiente para o desenvolvimento de habilidades de leitura do estudante. A leitura de textos propriamente dita, nesse tipo de abordagem, toma um lugar secundário, quase ilustrativo da história literária. Não bastasse a abordagem enciclopédica que herdamos do século XIX, ainda perdura o enfoque nacionalista e xenófobo de nossa produção literária. Um exemplo claro disso são os conteúdos do programa de literatura, restritos a autores e obras nacionais. Ora, por que, num curso de literatura brasileira, não podem ser estabelecidos cruzamentos e relações com autores de outras línguas, literaturas e épocas, se os nossos escritores sempre estiveram abertos a influências estrangeiras? Vejamos um exemplo concreto: se perguntarmos a um jovem brasileiro se ele gosta de poemas, ou dos poemas do romântico Álvares de Azevedo, talvez ele diga que não. No entanto, se fizermos uma pesquisa num buscador da Internet como o Google, entrando com a expressão “Lord Byron”, obteremos como resposta quase 3 milhões de links, muitos dos quais são blogs de adolescentes brasileiros. Isso quer dizer que, em todo o mundo, há um número considerável de interessados na obra desse escritor inglês. E esse interesse não vem de hoje. O poeta romântico brasileiro Álvares de Azevedo, por exemplo, tomava Byron por ídolo e muitas vezes o citava em seus versos. Portanto, se um professor de literatura vai estudar com seus alunos a obra de Álvares de Azevedo, nada mais natural que estabeleça vínculos entre o conteúdo programático (no caso, a obra de Álvares) e tudo aquilo que, sem artificialismos, se relaciona com a obra do poeta paulista e com o interesse dos adolescentes. Assim, em vez de se limitar a uma descrição da obra do poeta paulista, por que não estabelecer um “diálogo” entre os dois poetas, promovendo uma leitura comparada de seus textos? E indo além: por que não relacionar também a produção dos dois poetas com a ampla tradição gótica na literatura, que também inclui outros importantes escritores como Baudelaire, Edgar Allan Poe, Oscar Wilde e Augusto dos Anjos, entre outros? E ainda: por que não estender esses diálogos a outras artes e linguagens, como o cinema expressionista alemão de Drácula, com Bela Lugosi, o Nosferatu, de Werner Herzog, ou o recente A noiva cadáver, de Tim Burton e Mike Johnson? Ou com as manifestações góticas no rock a partir da década de 1970, como os trabalhos de The Doors, David Bowie, T-Rex e outros? A literatura é um fenômeno artístico e cultural vivo, dinâmico, complexo, que não caminha de forma linear e isolada. Os diálogos que ocorrem em seu interior transcendem fronteiras geográficas e lingüísticas. Ora, se o percurso da própria literatura está cheio de rupturas, retomadas e saltos, por que o professor, prendendo-se à rigidez da cronologia histórica, deveria engessá-la? Quando se propõe uma perspectiva dialógica para o trabalho com a literatura brasileira, não se pretende desprestigiar nossas tradições, nossa cultura nem nossa formação étnica e lingüística, mas, sim, perseguir os diálogos travados por nossa literatura, com ela mesma ou com outras literaturas, e assim compreendê-la melhor e respeitá-la em sua historicidade. Nessa perspectiva, também não cabe o limite estrito do texto literário. Como força dinâmica do processo cultural, a literatura dialoga com outras artes e linguagens, às vezes tomando a dianteira do processo de mudanças, às vezes ficando à mercê de mudanças que ocorrem em outras artes. Sem perder de vista o objeto central – o texto literário -, na aula de literatura cabe a música popular, a pintura, o cinema, o teatro, a TV, o cartum, o quadrinho, a Internet. Cabem, enfim, todas as linguagens e todos os textos e mídias, ou seja, cabe a vida que com a literatura dialoga. A curto prazo, talvez consigamos – com uma postura menos purista do que seja o trabalho com a leitura do texto literário, que se abra para outras literaturas, mídias e linguagens – despertar nos jovens o prazer da leitura. Ao jovem leitor, não interessam as obras mortas do passado. Mas pode interessar tudo aquilo que, de alguma forma, dialoga com o presente e contribui para compreendê-lo melhor.

http://portuguescereja.editorasaraiva.com.br/por-que-o-jovem-nao-gosta-de-ler/

Artigo de Opinião - Sem medo do que somos


Quase 130 anos depois da Abolição, os herdeiros dessa população abandonada continuam em busca de oportunidades que não lhes dão

07/05/2017 
Cacá Diegues, O Globo

Você sabia disso ? - Presidente ou Presidenta ?

A palavra “presidenta” é feminino correto para “presidente“, aceito por todas as gramáticas, presente em dicionários portugueses há séculos e constante em todos os dicionários brasileiros e portugueses atuais. Hoje, “a presidente” é também considerado correto, mas a verdade é que “a presidenta” é forma muito mais antiga e tradicional na língua portuguesa do que “a presidente”.


A palavra presidenta está hoje em todos as gramáticas e dicionários portugueses e brasileiros. Gramáticos contemporâneos, como o professor Pasquale (vejam aqui) concordam: “pode-se dizer a presidente ou a presidenta“.

As gramáticas portuguesas e brasileiras tradicionais – como a Nova Gramática do Português Contemporâneo, do brasileiro Celso Cunha e do português Lindley Cintra, ou a Moderna Gramática Portuguesa, de Evanildo Bechara – também concordam: “Quanto aos substantivos terminados em -e, uns há que ficam invariáveis (amante, cliente, doente, inocente), outros formam o feminino com a terminação em “a”: alfaiata, infanta, giganta, governanta, parenta, presidenta, mestra, monja. Observação: “governante”, “parente” e “presidente” também podem ser usados invariáveis no feminino.”

“Presidenta” está no Dicionário Aurélio desde a sua primeira edição, em 1975 (ver aqui); está no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras desde a sua primeira edição, em 1932; no Dicionário da Academia Brasileira de Letras; e estava já no primeiro Vocabulário Ortográfico sancionado pela Academia de Lisboa, de Portugal, em 1912 (o vocabulário integral pode ser acessado aqui).

Hoje, presidenta está em todos os dicionários, brasileiros e portugueses – como o Aurélio, o Houaiss e o Michaelis (ver aqui), com o significado de “Mulher que é a chefe de governo de um país de regime presidencialista.“

Presidenta já aparecia também em textos de nossos melhores escritores dois séculos atrás: Machado de Assis, por exemplo, usa “presidenta” em Memórias Póstumas de Brás Cubas, sua obra-prima, publicada em 1881 e disponível gratuitamente aqui.

Anos antes, em 1878, o português O Universo Ilustrado narrava o enterro fictício de uma “presidenta”; em 1851, a Revista Popular de Lisboa  também se referia à “presidenta” de uma reunião.

Ainda em Portugal, podemos encontrar presidenta no primeiro vocabulário oficial da língua portuguesa, elaborado em 1912 por Gonçalves Viana (disponível aqui) .

“Presidenta” está também no vocabulário do português Rebelo Gonçalves (1966), e, desde um século antes, no Dicionário de Português-Alemão de Michaëlis (1876), no de Cândido de Figueiredo (1899), no Dicionário Universal / Texto Editores (1995), na primeira edição do Dicionário Lello (1952) e na primeira edição do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora (também de 1952).

Na verdade, ainda antes disso – no ano de 1812 (antes ainda, portanto, da independência do Brasil de Portugal), a palavra “presidenta” já aparece dicionarizada: está no Dicionário de Português-Francês de Domingos Borges de Barros, que viria a ser diplomata e senador. Versão digitalizada do dicionário, de 1812, pode ser acessada aqui.

Por falar em outras línguas: não apenas no francês, mas também nas línguas irmãs do português, o galego e o espanhol, presidenta é considerado o feminino mais gramaticalmente correto de “presidente“.

A palavra “presidenta” nada tem a ver, portanto, com Dilma Rousseff ou com o PT, e quem se recusa a usar a palavra por achar que é uma invenção recente de petistas está apenas atestando ignorância em relação à língua portuguesa.

Isso porque a forma “a presidenta” é, na verdade, mais antiga e mais tradicional na língua portuguesa que “a presidente”.

Como se pode ver em todos os dicionários e vocabulários oficiais anteriores a 1940 (por exemplo: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui), até a metade do século passado a palavra “presidente” era considerada substantivo exclusivamente masculino, e “presidenta” era o único feminino aceito para “presidente”.

Em outras palavras: apenas a partir de 1940 a forma “a presidente” passou a ser aceita por gramáticos e dicionaristas portugueses e brasileiros. Ou seja: a palavra “presidenta“, dicionarizada desde 1812, é mais antiga e tradicional em português que a forma neutra “a presidente“, apenas dicionarizada a partir de 1940.

A passagem, no século passado, de “presidente” como forma exclusivamente masculina para forma neutra baseou-se no mesmo processo de “neutralização de gênero” pelo qual passaram, e vêm até hoje passando, vários outros substantivos portugueses – como “a parente”, que antes antes só se dizia “parenta” -, sobretudo profissões – como “a oficial” (que antes só se dizia “oficiala”), “a cônsul” (que antes só se dizia “consulesa”) ou “a poeta” (que antes só se dizia “poetisa”).

A Revista Veja, por exemplo, deixou de usar a palavra “presidenta” apenas quando Dilma Rousseff chegou ao poder e disse que gostaria de ser chamada assim. Até então, porém, a mesma Veja usava “presidenta”- vide exemplos de edições da década de 1970 (ao se referir à então presidenta deposta da Argentina), de 1980, de 1990 e mesmo 2000.