segunda-feira, 29 de agosto de 2016

domingo, 28 de agosto de 2016

sábado, 27 de agosto de 2016

Texto Dissertativo Argumentativo - A Conclusão

A conclusão, ao contrário do que muitos pensam, não é lugar de simplesmente repetir o que já foi dito. Ela precisa ser um fechamento que acrescenta algo ao texto. Pode ser uma retomada da discussão, mas de uma forma inovadora, que não se limita a repetições. Pode também ser usada para fazer advertências, uma análise crítica do tema discutido ou, até mesmo, fazer sugestões, caso o tema trate de um problema social, por exemplo.

O que não deve estar na conclusão
Uma coisa precisa ser lembrada sempre: conclusão não é lugar para novos argumentos. Muito cuidado com isso! Os argumentos devem estar no desenvolvimento.

Texto Dissertamento Argumentativo - O Desenvolvimento

Estamos entrando na parte que mais precisa de estudo na redação, o desenvolvimento. Sem dúvidas, ele é o centro das atenções, o fragmento que mais possui critérios de avaliação. Por isso, é fundamental que você saiba como fazer um desenvolvimento para garantir uma excelente nota.

Texto Dissertativo Argumentativo - A Introdução

Todo corretor que pega uma redação para analisar observa se ela é boa ou não logo pela introdução. Mas afinal, como fazer uma boa introdução? Vejamos:

Ela precisa ser direta, simples e objetiva. Na teoria parece difícil, mas é mais simples do que parece. Tenha em mente o seguinte:

1) Todo o texto gira em torno da introdução que você elaborou; é nessa introdução que vamos dizer do que o texto vai falar.

2) O tamanho ideal de uma introdução é de 2 ou 3 frases.

3) Em cada parágrafo posterior do desenvolvimento, devem ser defendidas as frases elaboradas na introdução. Vamos explicar isso com um exemplo para ficar mais claro. Digamos que a introdução de uma redação sobre “Tigres” fosse:

“Tigres são agressivos. Porém, nada impede que sejam domesticados”.

Texto Dissertativo Argumentativo

Um texto argumentativo, como já comentamos, é aquele em que defendemos uma ideia, opinião ou ponto de vista, procurando fazer com que o leitor acredite nele. Para conseguir esse objetivo, utilizamos os argumentos.

Texto Dissertativo Argumentativo

O texto dissertativo argumentativo tem como principais características a apresentação de um raciocínio, a defesa de um ponto de vista ou o questionamento de uma determinada realidade. O autor se vale de argumentos, de fatos, de dados, que servirão para ajudar a justificar as ideias que ele irá desenvolver. As três características básicas de um texto dissertativo são:

Apresentação do ponto de vista
Discussão dos argumentos
Análise crítica do texto

Crônicas do Dia - O médico, a barriga e a ginástica olímpica

Na Pré-História, houve uma guerra entre os notívagos e os diurnos. Os diurnos venceram e nos oprimem

WALCYR CARRASCO

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Crônicas do Dia - A carnificina do Infinitivo

A CARNIFICINA DO INFINITIVO

Aonde foram as meninas? Perguntei eu.

Ora, foram pescar! Respondeu a boa e velha senhora sorrindo da porta do casebre, em português irretocável.

Crônicas do Dia - A modernidade e a Gramática - André C S Masini

A MODERNIDADE E A GRAMÁTICA

"Se desta frase conseguiria palavras, que estivessem alguém as será fora de lugar entendê-las?"

Crônicas do Dia - Por que o jovem não deve ler! - Ulisses Tavares


Calma, prezado leitor, nem você leu errado, nem eu pirei de vez. Este artigo pretende isso mesmo: dar novos motivos para que os moços e moças de nosso Brasil continuem lendo apenas o suficiente para não bombar na escola.

Crônicas do Dia - O pesadelo de Trump - Fernando Gabeira

Se há alguma coisa que nos une é o medo de Donald Trump tornar-se o presidente dos EUA. É o tipo de desastre político que atingiria a todos

Resenhando - A mágica de Harry Potter viaja no tempo - Helio Gurovitz

Quase dez anos depois de lançado o último volume, Rowling e seus novos parceiros conseguiriam manter viva a mágica? Não há outra resposta possível: sim, eles conseguiram

HELIO GUROVITZ

Resenhando - A força da poesia

Obra da fase militante de Ferreira Gullar, Poema sujo ganha nova edição e sobrevive 40 anos depois graças a sua qualidade literária


MARCELO BORTOLOTI

O poeta maranhense Ferreira Gullar tinha 45 anos quando escreveu Poema sujo, sua obra mais importante. Perseguido pela ditadura militar, vivia exilado em Buenos Aires. Era militante comunista e integrava a direção estadual do partido no Rio de Janeiro quando teve de fugir do Brasil depois da prisão de outros dirigentes. Passou por Moscou e Santiago até chegar à Argentina. No país vizinho, a ditadura de Juan Domingo Perón tornava também insustentável a situação dos exilados. Sabia-se que os militares brasileiros tinham livre acesso ao território argentino para capturar os inimigos do regime. Gullar precisava fugir de novo, mas seu passaporte estava vencido. Acuado e esperando o pior, ele deu seu grito de desespero e revolta na forma desse poema com quase 70 páginas.

Crônicas do Dia - Terceira Idade - Walcyr Carrasco

Estou no aeroporto internacional de Guarulhos, prestes a enfrentar a fila de passaportes. Vejo a indicação da fila para idosos. Quase ninguém. Vou para lá. A plaquinha, para indicar os de mais idade, mostra uma velhinha encarquilhada de bengala. Não me sinto assim. Socorro! Precisava uma velhinha de bengala? Pergunto a um funcionário próximo:

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Crônicas do Dia - As faixas e as vaias da discórdia - Ruth de Aquino

Mal os brasileiros haviam enxugado lágrimas de emoção verde-amarela pela abertura olímpica que exaltava a tolerância e celebrava “nossas diferenças”, duas polêmicas mostraram que nós não somos bem assim. As faixas políticas e as vaias esportivas revelaram o que já sabemos. Nossas paixões transcendem regras, leis e padrões de conduta. Somos indisciplinados, metidos e provocadores.

O Sistema de cotas raciais é injusto ?




O Supremo Tribunal Federal (STF) analisa duas ações que pedem a anulação da política de cotas raciais no Ensino Superior. Atualmente 34 universidades públicas mantem ações afirmativas no vestibular voltadas para estudantes negros. Opositores e defensores do sistema encaminharam abaixo - assinados ao STF defendendo suas posições. Conheça trechos de cada texto. 

Acham que SIM 

113 Cidadãos Anti - Racistas contra as Leis Raciais

Questão sócio - econômica - São diferenças de renda, com tudo que vem associado a elas, e não de cor, que limitam o acesso ao ensino superior. As cotas raciais não promovem a igualdade, mas apenas acentuam desigualdades prévias. Proporcionam a um candidato definido como negro a oportunidade de ingresso por menor número de pontos que um candidato definido como branco, mesmo se o primeiro provier de família de alta renda e o segundo provier de família de baixa renda.

Genética - Raças humanas não existem. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de dez genes. Não é legítimo associar a cor da pele a ancestralidades e afirmar que as operações de identificação de "negros" com descendentes de escravos e com "afrodescentes" são meros exercícios da imaginação ideológica.

Martin Luther King. "Eu tenho o sonho de que meus quatro pequenos filhos viverão um dia numa nação na qual não serão julgados pela cor da sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter." Há 45 anos Martin Luther King abriu um horizonte alternativo para os americanos, ancorando - o no princípio político da igualdade de todos perante a lei, sobre o qual foi fundada a nação.

Privilégio. As cotas raciais proporcionam privilégios a uma ínfima maioria de estudantes de classe média e conservam intacta, atrás de seu manto falsamente inclusivo, uma estrutura de ensino, mas, sobretudo, romper o abismo entre as escolas de qualidade, quase sempre situadas em bairros de classe média, e as escolas devastadas das periferias urbanas, das favelas e do meio rural.

Racismo. Leis raciais criam uma fronteira brutal no meio da maioria absoluta dos brasileiros. Essa linha divisória atravessaria as salas de aulas das escolas públicas, os ônibus que conduzem as pessoas ao trabalho, as ruas e as casas dos bairros pobres. Neste início de terceiro milênio, um Estado racializado estaria dizendo aos cidadão que a utopia da igualdade fracassou. 

Acham que NÃO

Manifesto em Defesa da Constitucionalidade das Cotas

Questão sócio - econômica. As cotas significam uma mudança do Estado brasileiro na superação de um histórico de exclusão que atinge de forma particular negros e pobres. Os 113 anticotas ignoram a correlação sistemática que todos os estudos estatísticos indicam entre linhas de cor e curvas da pobreza. A maior vergonha de sua posição ( dos opositores da política de cotas ) é negar que a condição de branco signifique vantagem na vida brasileira.

Genética. Se uma pessoa negra é vítima de racismo e se tivermos um passado de 350 anos de escravidão, é mais do que legítimo tentar eliminar a obra da escravidão, que é a discriminação sofrida até hoje pelos que portam a aparência física dos africanos escravizados. Os argumentos genéticos são invocados ainda na tentativa de desqualificar a reivindicação por reparações aos descendentes de escravos no Brasil.

Martin Luther King. King sempre calçou seu sonho universalista na necessidade de políticas compensatórias. Numa entrevista para a Playboy defendeu o sistema de cotas: "Se uma cidade tem 30% de população negra é lógico supor que os negros devem ter pelo menos 30% dos postos de trabalho; e trabalho não somente nas áreas mais humildes".

Privilégio. Nos últimos cinco anos houve um índice de ingresso de negros no ensino superior maior do que jamais foi alcançado em todo o século 20. A caracterização desse avanço como um privilégio de raça menospreza o fato de que as medidas responsáveis por esse cenário trouxeram um conjunto novo de oportunidades que estavam vedadas a pessoas que ocupam os extratos mais baixos de nossa sociedade.

Racismo. Essa retórica da catástrofe é exatamente a mesma que circulava no Brasil na última década da escravidão, quando cresci o movimento abolicionista. Os 113 reacionários nada têm a propor a não ser adiar para um futuro incerto, quem sabe para daqui a 120 anos, a possibilidade de uma igualdade de oportunidades. 

26 de maio de 2008/ www.revistadasemana.com.br



sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Crônica do Dia - Pelos direitos dos meninos


PELOS DIREITOS DOS MENINOS

Texto escrito por Sílvia Amélia de Araujo
(Compartilhado no Facebook)

     Que nenhum menino seja coagido pelo pai a ter a primeira relação sexual da vida dele com uma prostituta (isso ainda acontece muito nos interiores do Brasil!)

Citações de Machado de Assis

CITAÇÕES DE MACHADO DE ASSIS 

"Viva imaginação, delicadeza e força de sentimentos, graças de estilo, dotes de observação e análise, ausência às vezes de reflexão e pausa, língua nem sempre pura, nem sempre copiosa, muita cor local."

Cronologia de Machado de Assis

CRONOLOGIA MACHADO DE ASSIS


1805 – Casam-se, no Rio de Janeiro, Francisco José de Assis e Inácia Maria Rosa, avós paternos de Machado de Assis.
1806 – Nasce, no Rio de Janeiro, o pai de Machado de Assis, Francisco José de Assis. É batizado na igreja de N. S. do Rosário e São Benedito, então sé da cidade.
1809 – Casamento, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel dos Açores, de José e Ana Rosa, avós maternos do escritor.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Mitologia Indígena



As malandragens de Odisseu - JOão Evangelista Tude de Melo Neto - Revista Filosofia Ciência & Vida


A cultura brasileira não é a única a ter de se confrontar com um problema de dualidade de paradigmas éticos: há possivelmente uma aproximação entre a malandragem brasileira e a metis grega
Quando a linguagem tem poder: Líma Barreto e a Língua Portuguesa

A passagem do século XIX para o XX representa, no Brasil, uma época de inegável avanço nos estudos da língua portuguesa em geral, particularmente no que se refere à sua relação com a realidade cultural brasileira

por Maurício Silva*

Crônicas - A importância da literatura na vida dos adolescentes


por Ana Luiza Kielblock Ferreira

Vacinas anti - intolerância



N° Edição: 520  Revista Planeta 
Texto: Eduardo Araia  
31/05/2016

Humor e empatia são duas ferramentas empregadas com sucesso em várias partes do mundo para vencer as mentes intolerantes

Você precisa escolher um lado ?


N° Edição: 520  
Texto: Renata Valério de Mesquita  
31/05/2016


O brasileiro não foge à luta para definir quem está certo ou errado na política, na religião e em tantos outros temas. Na atual disputa, porém, os dois lados saem perdendo. O convívio com a diferença só tem a somar


Entre ser “coxinha” ou “petralha”, dentro da política nacional. Entre ser intruso ou local, na questão dos imigrantes, mundo afora. Entre ser vegetariano ou carnívoro, no quesito alimentação. Entre ser Batman ou Super-Homem, na identificação com os super-heróis de sempre. Entre tantos issos ou aquilos que a atualidade oferece, você já decidiu de que lado está? Não responda agora, porque a pergunta que vem a seguir é ainda mais importante: você já parou para pensar se realmente precisa escolher um dos dois lados que se apresentam como as verdades da vez?

“Às vezes, o melhor lado é o de fora. Especialmente em momentos de polarização”, provoca o historiador, antropólogo e filósofo Leandro Karnal. Mas ele complementa que é nesses momentos que as pessoas acham mais importante tomar partido. “Concordar com os pressupostos básicos de A ou B é aderir a toda a semântica de comunicação de cada grupo. Quando alguém diz C, sai do código semântico e deixa o outro perturbado porque ele não consegue sequer ingressar nessa linguagem”, explica.

Entre diversos exemplos de polaridade, é como se o mundo atual se dividisse entre o bem ou o mal, sendo o bem sempre o lado em que você está e o mal, a posição do outro – claro! Essa visão maniqueísta costuma facilitar a vida, por um lado, pois basta seguir fielmente a doutrina escolhida e sentir o conforto de pertencer a um grupo. Mas, por outro, reduz a riqueza que a vida oferece quando se mantém uma postura mais aberta à diversidade de ideias.



“Devemos ser capazes de apreciar a diferença e manter uma distância saudável entre as próprias ideias e as opostas. Isso significa manter a motivação de que as pessoas possam ser felizes do modo delas, e de que não seremos nós quem lhes ensinará como ser felizes”, analisa Bel Cesar, psicoterapeuta sob a perspectiva do budismo tibetano e mãe do lama Michel Rinpoche. O problema, resume Bel, é praticar uma atitude corretiva na qual intervimos no espaço alheio sem um acordo prévio de ambas as partes.

Isso vale para política, religião, saúde, criação dos filhos, sexualidade, alimentação e vários outros temas. Para cultivar um espaço saudável entre aqueles que vivem de modo diferente, é necessário que cada pessoa mantenha certa curiosidade sobre as razões do outro e procure compreender o que o leva a pensar e agir de uma determinada maneira. “É importante lembrar que o nosso bem-estar depende também do bem-estar comum. Sinto falta disso na nossa sociedade”, comenta Bel.

Duelo nacional

De fato, essa postura está em falta entre muitos brasileiros hoje em dia, sobretudo quando a questão é política. Conversas, mesmo entre pessoas que se gostam, têm atingido tons elevados e terminado, muitas vezes, em violência verbal e física. O sangue quente de rivalidade, visto em manifestações de rua a favor e contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, alastrou-se para dentro das casas e empresas.
Há cerca de um ano, amigos têm cortado relações devido a orientações políticas e famílias têm se quebrado em pedaços (veja quadro “Guerras virtuais”).

Mais recentemente, a ruptura chegou também aos relacionamentos profissionais. Em Porto Alegre, a pediatra Maria Dolores Bressan enviou mensagem para a suplente de vereadora pelo PT e militante do partido há 16 anos, Ariane Leitão, mãe de um de seus pacientes, “declinando, em caráter irrevogável” da função de médica da criança. Já a capa vermelha do iPad e algumas roupas da jornalista Cristiana Lôbo, apresentadora do canal por assinatura GloboNews e comentarista da Rede Globo, têm sido motivo de reclamação de telespectadores – a escolha por essa cor denotaria que ela é favorável ao PT.

Conversas sobre temas controversos devem envolver uma intenção verdadeira das partes de ampliar suas­ visões, recomenda a psicóloga Bel Cesar. Senão, será pura discussão, ou seja, uma disputa contaminada pela raiva e pela luta de poder para ver quem consegue se impor melhor e convencer o outro de que é ele quem está errado. “Quando temos pouco conhecimento de nossas vulnerabilidades e de nossa força interior, toda diferença surge como uma ameaça, algo que nos perturba porque não sabemos lidar com ela”, explica Bel.

Karnal reforça a ideia lembrando as considerações do imperador romano Marco Aurélio, no segundo livro da série “Meditações”, escrito antes do ano 200: “Hoje eu vou encontrar um insensato, um agressivo, um vaidoso, e nenhum deles vai me vencer. Se a paz for minha, ninguém me tira”. O filósofo-historiador destaca que é preciso se conhecer para não se abalar. “O problema é que as pessoas são mal resolvidas”, aponta. Por isso, ele acredita que o diálogo está ficando cada vez mais difícil. “As pessoas não querem debater ideias, querem colocar os outros na gaveta correta. Não têm mais a vontade de ouvir, só querem saber de que lado o outro está para poder classificá-lo, como bem definiu o psicólogo Contardo Calligaris em coluna na Folha de S. Paulo.”

Karnal, também ele professor, conta que, ao falar sobre religião, surge sempre uma mesma e única pergunta: “Querem saber qual é a minha religião para poderem me adjetivar e me colocar num nicho, dentro do qual eu funcione”. Adjetivar, para ele, é o fim do debate. Isso porque, ao adjetivar, está-se classificando o outro e jogando por terra a possibilidade de uma conversa mais inteligente sobre qualquer questão. O apelido de “coxinha”, por exemplo, denota que a pessoa é da elite branca conservadora.

Seguindo o cardápio político, “sanduíche de mortadela” ou “petralha” indica alguém que apoia todo e qualquer crime que se cometa. Karnal é árduo defensor e divulgador do conceito da “tolerância ativa” – tão necessária e pouco praticada nos dias de hoje –, de que não basta aturar opiniões diferentes, mas valorizar a diversidade de credos, culturas e etnias, porque é isso que garante a riqueza do mundo. Ao lado da colega Elaine Moura, ele preparou livros didáticos para estimular o ensino dessa atitude em sala de aula.

O poder do exemplo

Mesmo em ambiente escolar, entretanto, vêm acontecendo episódios delicados dessa novela. Um menino de 8 anos, que usava camiseta com a bandeira da Suíça (toda vermelha e com uma cruz branca na frente), foi ameaçado por colegas. As crianças de idade próxima à dele afirmavam que o garoto era “petista” e deveria “ser espancado” e “jogado na rua”. “A criança repete as atitudes que vê. Dependendo da idade, muitas nem têm condições de refletir sobre o tema envolvido”, comenta Cassiana Versoza-Carvalhal, professora do departamento de psicologia geral e de Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (PR).

A infância é a melhor época para desenvolver uma postura tolerante, mas os pequenos dependem dos adultos de hoje para aprender essa lição em família ou na escola. Um caso clássico mostra que ainda existe muita intransigência sendo disseminada. É comum, quando a criança conta que aprendeu na escola algo contrário ao que os pais acreditam, ser proibida de falar disso dentro de casa outra vez. “Se o pensamento diferente sempre for tratado assim, vai se tornar aversivo”, diz Cassiana.

A melhor atitude, segundo ela, seria que os adultos perguntassem o que a criança aprendeu e explicassem o que a família pensa sobre o tema e por que motivos. “Se a diferença de ideias for tratada com naturalidade e todos puderem passar um momento gostoso de diálogo, a criança vai querer sempre conversar com quem pensa de outra forma para aprender coisas novas”, aponta. Para Cassiana, a rivalidade vivida hoje é exemplo claro da referência nacional do futebol que está sendo transposta para a política.
“Não interessa se o gol foi roubado, o torcedor do time que marcou o tento vai alfinetar e até ofender o rival. Na política, já não importa se o partido fez coisa errada”, compara. Mas, a professora alerta que não é preciso “comprar um pacote fechado” de uma linha, concordando com tudo o que ela prega. “Posso ter posição crítica de cada tema, ser a favor do impeachment, por exemplo, mas discordar do juiz que liberou as gravações”, exemplifica.

Para se manter uma visão mais equilibrada, a professora sugere que as pessoas se informem sobre os temas que estão sendo debatidos em diferentes fontes, inclusive antagônicas. “O natural é buscar notícias que reforcem o que eu já penso. Mas é bom ler sobre os argumentos defendidos por outros pontos de vista também.” Isso vale para política, religião, saúde, criação dos filhos, sexualidade, alimentação e vários outros temas.

Batalha campal

Outra forma de estabelecer um bom diálogo, segundo Cassiana, é conversar cara a cara. “É o que menos tem acontecido hoje, por causa das redes sociais, mas é muito importante perceber as consequências no outro do que estou dizendo.” O distanciamento proporcionado pela tecnologia joga mais lenha na fogueira das discussões: por trás do celular ou do computador as pessoas não se preocupam tanto com a forma como dizem as coisas.

A internet chega a despersonificar o outro, porque muitas vezes não se sabe de fato quem ele é. E deixa espaço para encaixar o outro no estereótipo criado de quem pensa de maneira diferente de si. “Isso não cria espaços de diálogo, mas sim um ambiente de desabafo. Por esse motivo, as redes sociais potencializam o clima de intolerância vivido hoje”, afirma Cassiana. Por outro lado, é graças a essa nova ferramenta que as pessoas estão mais informadas da pluralidade do mundo e engajadas nos debates de todo tipo. A internet é, ao mesmo tempo, o elemento da vida pós-moderna que ajuda a criar discursos surdos e aquele que veio quebrar o paradigma das verdades absolutas.

A conversa face a face, que as redes sociais têm inibido ultimamente, é um recurso para estimular o diálogo
A conversa face a face, que as redes sociais têm inibido ultimamente, é um recurso para estimular o diálogo
Uma prova de que tudo traz em si aspectos positivos e negativos, e de que a visão maniqueísta é empobrecedora e reducionista. A internet tem o mérito de ter quebrado o monopólio da informação e de derrubar a autoridade que ditava verdades da classe mais alta e mais bem informada. Para Karnal, as tecnologias talvez estejam moldando um tipo de debate que não é mais filosófico. “A própria linguagem do computador pode estar reforçando isso na cabeça das pessoas, segundo um aluno meu trouxe à tona outro dia”, comenta. Afinal, a linguagem do computador não tem “talvez” nem “quem sabe”. Não, ela é sempre binária, “zero” ou “um”. “Apaga” ou “não apaga”.

O acesso a um grande volume de dados faz as pessoas confundirem informação com formação, na visão de Karnal. Para ele, a rede é o paraíso da opinião sem base. Com a vantagem de que nem é preciso enfrentar o ônus do debate – basta bloquear as pessoas discordantes. E ter uma opinião passou a ser sinônimo de obrigação de emiti-la, de acordo com o filósofo. “As pessoas passaram a considerar a sua opinião tão válida quanto a do especialista. Com a diminuição da autoridade superior, nós tornamos possível que tudo seja questão de opinião”, expõe. Na sua experiência em sala de aula, os alunos cada vez mais interpretam que há subjetividade em tudo o que professor está dizendo. “Pode chegar o dia em que eu vou dizer ‘a Bastilha caiu em 14 de julho de 1789’ e vão dizer: ‘eu não concordo. Essa é uma forma de ver a história’”, brinca.

Bandeira branca

A fartura de informações e de opinião do mundo atual contrasta com o momento de escassez, que são as bases da intolerância. “Num momento de escassez, a intolerância aumenta”, analisa Dulce Pandolfi, professora do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Na Europa em crise econômica, por exemplo, torna-se um problema conviver com o outro – que é o imigrante. “Quando o espaço está menor, o outro já não cabe. Não quero que ele chegue ao mesmo lugar que eu.”

Isso também se aplica à sociedade brasileira, que se acomodou no berço esplêndido do “mito da cordialidade” e deixou de debater questões importantes de intolerância. A professora dá o exemplo do racismo contra o negro. “Antes da política de cotas, ninguém era racista. O negro não incomodava ninguém, porque estava à parte. No momento em que os negros assumem um lugar na sociedade, a discriminação aparece mais”, compara Dulce.

O problema vem do fato de que o ser humano é muito etnocêntrico. Falta compreensão da diversidade às pessoas. “Por que toda mulher tem de usar véu ou não deve usar véu? Por que todas as culturas têm de comer com garfo e faca? Há culturas em que as pessoas comem com a mão, outras com dois pauzinhos”, exemplifica. O convívio com a diferença só tem a somar.

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Guerras virtuais

Pesquisa aponta uma atitude mais engajada do brasileiro diante dos debates políticos do momento Se existe algo positivo na situação política nacional atual é que o brasileiro está falando mais sobre o tema, revelou uma pesquisa do Instituto QualiBest, feita em março com 800 pessoas a partir de 17 anos moradoras de todas as regiões do Brasil, com predomínio das classes B e C.

“Isso é muito para um país onde as pessoas normalmente não se interessam por política”, comenta Daniela Malouf, sócia diretora do instituto. Boa parte dessas discussões ocorre nas redes sociais. Para Daniela, a presença maciça da internet na vida dos brasileiros é um diferencial importante entre a atual crise e outras que já aconteceram no país. “Está mais fácil se inteirar e se posicionar sobre os assuntos”, afirma.

Além disso, o distanciamento encoraja a expressão de opiniões mais controversas. Segundo Daniela, as pessoas ficam muito mais inibidas em pesquisas presenciais, por exemplo, do que naquelas feitas por meio de chats na internet. (Juliana Tiraboschi)


Condescendência papal



O papa Francisco continua a mostrar que, mesmo sem passar por reformas doutrinárias profundas, o catolicismo pode tratar o diferente com mais tolerância. No documento Amoris Laetitia (“Alegria do amor”), divulgado em abril, a situação de divorciados e homossexuais recebe uma atenção que o Vaticano lhe devia há muito tempo. Os divorciados, por exemplo, devem saber “que são parte da Igreja, que não estão excomungados”, porque “ninguém pode ser condenado para sempre, pois esta não é a lógica do Evangelho”.

Segundo o texto, essas pessoas devem “estar mais integradas às comunidades cristãs”, e para tanto é preciso avaliar, caso a caso, “quais formas de exclusão devem ser ultrapassadas”. Já a pessoa homossexual “deve ser respeitada em sua dignidade e acolhida com respeito, com o objetivo de evitar ‘qualquer marca de injusta discriminação’ e, particularmente, toda forma de agressão e violência”.


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Charges





















Crônicas do Dia - Fé, religião, radicalização - Marcio Tavares D'Amaral

Os jihadistas utilizam a religião islâmica para aterrorizar o mundo, embaralhando espiritualidade, religião e fé

Artigo de Opinião - Negros, sim; malandragem, não



Frei David Santos, Diretor Executivo da Educafro, e

William Douglas, juiz federal e professor universitário


Artigo de Opinião - Cotas e combate à corrupção

Cada fraudador de cotas tira a vaga de alguém que as merece na forma da lei e, pior, coloca mais um corrupto no serviço público

06/08/2016 
Frei David Santos e William Douglas, O Globo

Debaixo da árvore, histórias e mitos




domingo, 7 de agosto de 2016

Crônicas do Dia - O Tomate - Luis Fernando Veríssimo

Cristovão Colombo examinou o tomate que o indígena acabava de lhe dar e exclamou:

— Um pomo d’oro!

Crônicas do Dia - Viva a Olimpíada !

É desumano demonizar o entretenimento, o lazer e o esporte. Eles são invenções da mente humana, tão nobres quanto as artes, a matemática, a política, a medicina

Crônicas do Dia - Como lidar com um bêbado ? - Walcyr Carrasco

Nesta semana dei um jantar para amigos. Só seis pessoas, para bater papo. Rir. Também exibir minhas qualidades culinárias, embora atualmente eu não cozinhe muito. Amo culinária. E me comporto como um chef malvado com minha funcionária, Sandra. Digo o que tem de fazer. E depois agradeço os elogios, modestamente, como responsável por cada grãozinho de arroz. Desta vez, um amigo trouxe outro, a quem não conhecia. Gentil, trouxe uma garrafa de vinho. Agradeci. Outro trouxe chocolate, e quase devolvi. Todo ser humano que vê as redes sociais sabe que vivo em perpétuo regime. Mas há duas coisas que até meu melhor amigo gosta de fazer. Primeiro, dizer que estou gordo. Depois, quando entro em regime, oferecer chocolates, bolos, doces e acabar com minhas boas intenções magras. Com a frase:

– Uma vez só não tem importância.

Ódio! Enfim, voltando ao jantar. Separei três garrafas de vinho. Confesso: levemente fora da validade. Acho tão espinhoso esse tema da validade! É pior que taxas de colesterol. Vivem mudando prazos de consumo e índices de saúde. Rapidamente, foram-se as três garrafas. Considerando o jantar por terminado, ofereci vinho do Porto. Foi a garrafa inteira. Percebi que o responsável era um só, o desconhecido. Virava as taças como se fossem de água. Foram todos fumar no terraço. Uma tábua estalou. Ele acusou outro convidado, que tem uma prótese de titânio na perna.

– É o peso da sua prótese!

Seguiu-se uma longa discussão sobre a possibilidade de roubar a prótese e vender o titânio a peso. O da prótese se escondeu na sala. Mantive um sorriso simpático enquanto imaginava as várias maneiras de botar o bêbado para fora de casa, dentro das normas de etiqueta. Mas há etiqueta para bêbados? Aí ele me chamou para a cozinha.

– Tem mais vinho?

Quis disfarçar. Disse que tinha separado só as garrafas do jantar. As outras estavam trancadas num lugar, do qual eu não tinha a chave. Mentira rasgada. Aparentemente ele acreditou. Mas lá estava, diante de nós, a garrafa que ele próprio havia trazido.

– Posso abrir o que você trouxe – ofereci.

Ele aceitou imediatamente. Tentei não achar o abridor. Rapidamente ele abriu as gavetas da cozinha e encontrou. Encheu a própria taça. Ninguém mais estava bebendo, portanto ele deu conta sozinho. Tenho várias caveiras em casa, obras de arte na verdade. Talvez irritado com minha cara de paisagem, ele atacou.

– Você gosta de caveiras, não é?

– Gosto, é uma tendência de arte contemporânea.

– Por isso você é igual a uma – cumprimentou-me.

– Desculpe, mas você está olhando para um espelho –respondi.

Ele foi atacar o próximo. Suspirei. Quem bebe demais gosta de dominar a situação. Os outros não conseguem conversar. Tenho vários amigos assim. Bebem uns tragos a mais e fazem um discurso na mesa. Já vi acontecer até em festa de trabalho. A funcionária dá um show, quase faz um striptease e puxa a barba do presidente da empresa. Tudo bem, é festa. Mas isso não vai contar, mais tarde, na carreira? Vai. Já tentei arrancar vários amigos de roubadas, enquanto dançavam no chão, de joelhos. Aprendi. Melhor fugir. Quem bebe demais fica incontrolável. Então, naquele jantar, diante de um bêbado sem noção, desconhecido, que fazer? Chamei minha cachorra para brincar, na esperança de que mordesse alguém. Para meu horror, ela adorou. E ainda aproximou-se das tacinhas de vinho do Porto e lambeu os restos. Descobri que minha husky siberiana tem tendências ao alcoolismo e também perde a noção, porque fez xixi no tapete turco. A noite passava. Duas da manhã. Três. O que deu carona queria ir embora. O outro não deixou, estava brincando com minhas obras de arte como se fossem pedras de dominó. Tentávamos iniciar um assunto, ele intervinha:

– Não é nada disso.

Já cuidei de alcoólatras. Convenci pessoas a frequentar os Alcoólatras Anônimos. Mas é impossível lidar com um bêbado eventual. O último foi um amigo que pegou carona comigo após um almoço regado a vinho na Serra da Cantareira, em São Paulo. Com problemas na vida, falava chorando e me abraçando, enquanto eu tentava segurar no volante para não despencar serra abaixo.

Impossível lidar com um bêbado. Quem bebe demais fica sem noção. Por isso gosto dos americanos. Quando chega a hora de terminar, o anfitrião avisa:

– Estou indo dormir, chamo um táxi para vocês?

É isso. Só há um jeito de lidar com um bêbado se você quer aproveitar a noite. Bota pra fora.

Artigo de Opinião - O maior legado da Olimpíada - Ruth de Aquino

Esses apartamentos inacabados na Vila Olímpica não são nada para mim. Nada, diante da grande vergonha, de dimensões planetárias, que é a catástrofe ambiental do Rio de Janeiro. É pavoroso o crime de omissão (e provável desvio de verba) de sucessivos governos estaduais no cenário natural mais belo e majestoso do mundo. Pelo menos o crime está sendo exposto para o mundo. Viva a Olimpíada!

sábado, 6 de agosto de 2016

Artigo de Opinião - A polêmica racista



A gritaria sobre os “comitês raciais” revela a disposição de ignorar o racismo e ridicularizar as tentativas de combatê-lo

Ivan Martins

Você sabia disso ? - Historiador diz que anéis olímpicos têm significados ‘étnicos’

A atual bandeira olímpica foi concebida em 1913 pelo Barão Pierre de Coubertin, criador dos modernos Jogos Olímpicos, para o Congresso Olímpico que seria realizado em 1914. Na época, ele explicou que seu esquema (cinco anéis nas cores azul, amarelo, negro, verde e vermelho) simbolizaria “as cinco partes do mundo”. E acrescentou que as cores de todas as nações do mundo estariam representadas por ao menos uma das seis cores da bandeira (contando o fundo branco).

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

"Dez Mandamentos do Professor" - por Leandro Karnal


Por Revista Pazes -  fevereiro 27, 2016

A sabedoria do mais influente legislador do Ocidente, Moisés, sintetizou uma concepção de mundo em Dez Mandamentos. Como bom educador, o ex-príncipe do Egito sabia que longos códigos são de difícil acesso. Curioso notar que constituições muito breves, como a norte-americana, passam dos dois séculos e constituições prolixas, como todas as brasileiras , caducam em prazos muito curtos.

Qual é o plural de mel ?

O plural da palavra mel pode ser meles ou méis. Existe uma explicação histórica para este facto. No Latim, língua a partir da qual nasceu o Português, para formar o plural das palavras acabadas em vogal, acrescentava-se um -s, como ainda hoje se faz; e acrescentava-se -es para formar o plural das palavras que acabavam em consoante. Assim, de acordo com esta regra latina, o plural de mel é meles (mel + es), tal como acontece com a palavra mal, que no plural é males. Durante a evolução do Português, registaram-se muitas modificações nas regras gramaticais. Uma dessas modificações, que ainda hoje se mantém, foi, precisamente, a formação dos plurais em palavras acabadas em -al, -el, -ol e -ul. Segundo esta regra, retira-se o -l que está no fim da palavra e acrescenta-se -is. Por isso, méis, também pode ser o plural de mel (mel-> mé + is). As palavras pardal (pardais); papel (papéis); farol (faróis) e azul (azuis) são exemplos da formação do plural com esta regra. Mas atenção, a palavra mel é, de todas as palavras aqui apresentadas, a única que pode ter dois plurais; é uma excepção na Língua Portuguesa, a formação do plural na grande maioria dos substantivos acabados em -l faz-se aplicando apenas a regra ‘nova’.