quarta-feira, 29 de junho de 2016

Como era a Biblioteca de Alexandria ?



Artigo de Opinião - A Igreja na política

Fazer política não é pecado e pode até ser recomendável. Mas de maneira transparente e sem preconceitos

O DIA
Rio - Hoje só se fala em bancada evangélica, quando o país é majoritariamente católico. No passado, a Igreja liberava os clérigos para a militância política. No Rio, um padre, Olímpio de Melo, não só foi prefeito, como também exerceu forte influência. E os católicos tinham seus deputados e vereadores, como, no Rio, o professor Gladstone Chaves de Melo e Eurípedes Cardoso de Menezes. São Paulo elegeu senador o padre Calazans, e deputado, o padre Godinho, grande orador e escritor. Pernambuco teve o monsenhor Arruda Câmara, um dos mais atuantes do Congresso.

Artigo de Opinião - Punir ou educar ?

A forma como pais interagem e educam seus filhos é crucial à promoção de comportamentos socialmente adequados ou não

O DIA
Rio - Todo dia profissionais da Educação e famílias são desafiados, em sua autoridade, por crianças e adolescentes que ignoram regras (im)postas pela sociedade. Os atos mais comuns vão desde a desobediência às regras de convivência em sala, passando pela falta de responsabilidade com materiais escolares até bullying. Funcionários bradam que são cerceados por legislações que protegem a criança, por imposições sociais e até por ameaças de demissão.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Crônicas do Dia - Volta ao lar - Cora Rónai

O Islã não tem exclusividade no discurso contra os homossexuais

Personalidades - Monteiro Lobato - o escritor revolucionário




José Bento Monteiro Lobato, nascido em 18 de abril de 1882, na cidade de Taubaté - São Paulo -, filho de pai fazendeiro, ficou popularmente conhecido por Monteiro Lobato, tornando-se um contista, ensaísta e tradutor de sucesso na história da literatura infantojuvenil brasileira


por Maria Helena Farage Ferreira Aguiar* e Mírian Gomes de Freitas**

Crõnicas do Dia - Balas perdidas sobre Brasília - Arnaldo Bloch

A nudez dos coronéis e a morte da 'pureza' petista e da 'auréola' tucana

Crônicas do dia - Um certo amigo da onça -

Zuenir Ventura, O Globo

Dois dos principais personagens da cena política desta movimentada semana foram Eduardo Cunha e Sérgio Machado, que se destacaram, o primeiro por ter sido traído; o segundo, por trair dezenas de parceiros, inclusive amigos íntimos e protetores.

Artigo de Opinião - A cultura da não violência

É na infância que devemos começar a agir, para que meninos e meninas, que hoje são apenas vítimas, não se tornem também algozes amanhã

O DIA

Artigo de Opinião - Pais & Filhos da Pátria

Aldir Blanc, O Globo

Enquanto aguardo a renúncia de Treme-Temer (fez a gentileza de fornecer os motivos), saúdo a delegada federal Andrea Pinho. Graças a ela, ficou claro: não foi só o avião do probo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos que fez BUM!

Artigo de Opinião - Protestar não é mais crime - Orlando Zaccone


Os policiais estão hoje confrontando o mesmo poder político jurídico que defendem há mais de 200 anos

Artigo de Opinião - Magistrados não são palhaços - João Batista Damasceno

Magistratura é contrapoder na garantia dos direitos dos cidadãos perante os poderosos e arbítrio do Estado, mesmo que sob riscos

O DIA
Rio - A decapitação do rei Luiz XVI em 1792 deveria ser o marco da Revolução Francesa. O regicídio foi o evento mais marcante daquele período. Mas o marco é a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, masmorra onde o rei e seus juízes amontoavam os inimigos do regime.

Crônicas do Dia - Tolerância intolerável - Ana Maria Machado

A proliferação recente da violência vai muito além dos atos de terrorismo a qualquer momento em qualquer lugar

Uma das belezas das línguas está em palavras que só esse idioma tem e revelam formas próprias de apreensão da realidade. É o caso da tão citada saudade em português. Isso também ocorre com insight em inglês — algo muito além das traduções sugeridas pelos dicionários, como perspicácia, discernimento ou introvisão. Tem a ver com a ideia de revelação súbita e iluminadora de algo oculto, uma espécie de relâmpago na consciência. Uma palavra que nos falta na língua de Camões.

Crônicas do Dia - Esqueceram do Brasil - Cristovam Buarque

Nesta semana, ouvi um professor chileno dizer: “Tenho pena do Brasil”. Esta frase me incomodou mais do que as matérias sobre as tragédias brasileiras destes tempos sombrios. Ainda mais quando imaginei a pergunta que ele não fez: “Como vocês deixaram o Brasil chegar a esta situação?” Como senador, senti constrangimento por esta pergunta não feita, e pela resposta que daria: “Há décadas, os políticos não colocam o Brasil como o personagem central de suas decisões”.

Bonde ? Que Bonde ?

A palavra bonde surgiu em 1879, sua origem se deve ao fato de que na época a passagem do CARRIL DE FERRO custava 200 Reis, mas não existiam moedas ou cédulas deste valor em circulação. 

Crônicas do Dia - Bem longe dos dois lados

O mais curioso é que tudo o que vem sendo dito contra a imprensa é o mesmo que se dizia nos anos de chumbo

Crônicas do Dia - 'Bye bye, ue' - Arnaldo Bloch

A ameaça mais nefasta não é econômica. É de que o tal efeito cascata desague num mar de fascismo, sob um céu europeu pleno de nuvens nacionalistas de ultradireita

Tá na Hora do Poeta - Ultimatum - Fernando Pessoa / Álvaro de Campos

ULTIMATUM


de Álvaro de Campos


Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu , Anatole France , Epicuro de farmacopeia homeopática, tenia-Jaurès do Ancien Régime, salada de Renan-Flaubert em loiça do século dezassete, falsificada!
Fora tu, Maurice Barrès, feminista da Acção, Châteaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio !
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade !
Fora ! Fora !
Fora tu, George Bernard Shaw, vegeteriano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish Melody calvinista com letra da Origem das Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade !
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios !
Fora tu, Yeats da céltica bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora ! Fora !
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Patmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu, Loti, sopa salgada, fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos aí para um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!
Aí ! Que fazes tu na celebridade, Guilherme Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume ?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David Lloyd George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo?!
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato-Boselli da incompetência ante os factos, todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados pra baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Se não querem sair, fiquem e lavem-se !
Falência geral de tudo por causa de todos !
Falência geral de todos por causa de tudo !
Falência dos povos e dos destinos — falência total !
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu organização britânica, com Kitchener no fundo do mar desde o princípio da guerra!
(It's a long, long way to Tipperary, and a jolly sight longer way to Berlin !)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristianismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordeamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
Tu, «imperialimo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos !
Tu, Estados Unidos da America, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da aÁorda transatlântica, pronúncia nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto de Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil «república irmã», blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de .tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosophia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-franceza dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus !
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas !
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!
Nenhuma ideia grande, ou noção completa ou ambição imperial de imperador-nato!
Nenhuma ideia de uma estrutura, nenhum senso do Edifício, nenhuma ânsia do Orgânico-Criado!
Nem um pequeno Pitt, nem um Goethe de cartão, nem um Napoleão de Nürnberg!
Nem uma corrente literária que seja sequer a sombra do romantismo ao meio-dia!
Nem um impulso militar que tenha sequer o vago cheiro de um Austerlitz!
Nem uma corrente política que soe a uma ideia-grão, chocalhando-a, ó Caios Grachos de tamborilar na vidraça!
Época vil dos secundários, dos aproximados, dos lacaios com aspirações de lacaios a reis-lacaios!
Lacaios que não sabeis ter a Aspiração, burgueses do Desejo, transviados do balcão instintivo! Sim, todos vós que representais a Europa, todos vós que sois políticos em evidência em todo o mundo, que sois literatos meneurs de correntes europeias, que sois qualquer coisa a qualquer coisa neste maelström de chá-morno!
Homens-altos de Lilliput-Europa, passai por baixo do meu Desprezo ! Passai vós, ambiciosos do luxo quotidiano, anseios de costureiras dos dois sexos, vós cujo tipo é o plebeu Annunzio, aristocrata de tanga de ouro!
Passai vós, que sois autores de correntes artísticas, verso da medalha da impotência de criar!
Passai, frouxos que tendes a necessidade de serdes os istas de qualquer ismo!
Passai, radicais do Pouco, incultos do Avanço, que tendes a ignorância por coluna da audácia, que tendes a impotência por esteio das neo-teorias!
Passai, gigantes de formigueiro, ébrios da vossa personalidade de filhos de burguês, com a mania da grande-vida roubada na dispensa paterna e a hereditariedade indesentranhada dos nervos!
Passai, mistos; passai, débeis que só cantais a debilidade; passai, ultra-débeis que cantais só a força, burgueses pasmados ante o atleta de feira que quereis criar na vossa indecisão febril !
Passai, esterco epileptóide sem grandezas, histerialixo dos espectáculos, senilidade social do conceito individual de juventude!
Passai, bolor do Novo, mercadoria em mau estado desde o cérebro de origem!
Passai à esquerda do meu Desdém virado à direita, criadores de «sistemas filosóficos», Boutroux, Bergsons, Euckens, hospitais para religiosos incuráveis, pragmatistas do jornalismo metafísico, lazzaroni da construção meditada!
Passai e não volteis, burgueses da Europa-Total, párias da ambição do parecer-grandes, provincianos de Paris!
Passai, decigramas da Ambição, grandes só numa época que conta a grandeza por centimiligramas!
Passai, provisórios, quotidianos, artistas e políticos estilo lightning-lunch, servos empoleirados da Hora, trintanários da Ocasião!
Passai, «finas sensibilidades» pela falta de espinha dorsal; passai, construtores de café e conferência, monte de tijolos com pretensões a casa!
Passai, cerebrais dos arrabaldes, intensos de esquina-de-rua!
Inútil luxo, passai, vã grandeza ao alcance de todos, megalomonia triunfante do aldeão de Europa-aldeia!
Vós que confundis o humano com o popular, e o aristocrático com o fidalgo! Vós que confundis tudo, que, quando não pensais nada, dizeis sempre outra coisa! Chocalhos, incompletos, maravalhas, passai!
Passai, pretendentes a reis parciais, lords de serradura, senhores feudais do Castelo de Papelão!
Passai, romantismo póstumo dos liberalões de toda a parte, classicismo em álcool dos fetos de Racine, dinamismo dos Whitmans de degrau de porta, dos pedintes da inspiração forçada, cabeças ocas que fazem barulho porque vão bater com elas nas paredes!
Passai, cultores do hipnotismo em casa, dominadores da vizinha do lado, caserneiros da Disciplina que não custa nem cria !
Passai, tradicionalistas auto-convencidos, anarquistas deveras sinceros, socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar! Rotineiros da revolução, passai!
Passai eugenistas, organizadores de uma vida de lata, prussianos da biologia aplicada, neo-mendelianos da incompreensão sociológica!
Passai, vegeterianos, teetotalers, calvinistas dos outros, kill-joys do imperialismo de sobejo!
Passai, amanuenses do «vivre sa vie» de botequim extremamente de esquina, ibsenóides Bernstein-Bataille do homem forte de sala de palco!
Tango de pretos, fosses tu ao menos minuete!
Passai, absolutamente, passai!
Vem tu finalmente ao meu Asco, roça-se tu finalmente contra as solas do meu Desdém, grand finale dos parvos, conflagração-escárneo, fogo em pequeno monte de estrume, síntese dinâmica do estatismo ingénito da Época!
Roça-te tu e rojate, impotência a fazer barulho!
Roça-te, canhões declamando a incapacidade de mais ambição que balas, de mais inteligência que bombas!
Que esta é a equação-lama da infâmia do cosmopolitismo de tiros:
JONNART
BÉLGICA
VON BISSING
GRÉCIA
Proclamem bem alto que ninguém combate pela liberdade ou pelo Direito!Todos combatem por medo dos outros ! Não tem mais metros que estes milímetros a estatura das suas direcções!
Lixo guerreiro-palavroso! Esterco Joffre-Hindenburguesco! Sentina europeia de Os Mesmos em excisão balofa!
Quem acredita neles?
Quem acredita nos outros?
Façam a barba aos poilus!
Descasquetem o rebanho inteiro!
Mandem isso tudo pra casa descascar batatas simbólicas!
Lavem essa celha de mixórdia inconsciente!
Atrelem uma locomotiva a essa guerra!
Ponham uma coleira a isso e vão exibi-lo para a Austrália!
Homens, nações, intuitos, está tudo nulo!
Falência de tudo por causa de todos! Falência de todos por causa de tudo! De um modo completo, de um modo total, de um modo integral:
MERDA!
A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro !
A Europa quer grandes Poetas, quer grandes Estadistas, quer grandes Generais !
Quer o Político que construa conscientemente os destinos inconscientes do seu povo !
Quer o Poeta que busque a Imortalidade ardentemente, e não se importe com a fama, que é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos!
Quer o General que combata pelo Triunfo Construtivo, não pela vitória em que apenas se derrotam os outros!
A Europa quer muito destes Políticos, muitos destes Poetas, muitos destes Generais!
A Europa quer a Grande Ideia que esteja por dentro destes Homens Fortes — a ideia que seja o Nome da sua riqueza anónima!
A Europa quer a Inteligência Nova que seja a Forma da sua Mateira caótica!
Quer a Vontade Nova que faça um Edifício com as pedras-ao-acaso do que é hoje a Vida!
Quer a sensibilidade Nova que reúna de dentro os egoísmos dos lacaios da Hora!
A Europa quer Donos! O Mundo quer a Europa!
A Europa está farta de não existir ainda ! Está farta de ser apenas o arrabalde de si-própria ! A Era das Máquinas procura, tacteando, a vinda da Grande Humanidade!
A Europa anseia, ao menos, por Teóricos de O-que-será, por Cantores-Videntes do seu Futuro!
Dai Homeros À Era das Máquinas, ó Destinos científicos! Dai Miltons à época das Coisas Eléctricas, ó Deuses interiores à Matéria!
Dai-nos Possuidores de si-próprios, Fortes Completos, Harmónicos Subtis!
A Europa quer passar de designação geográfica a pessoa civilizada !
O que aí está a apodrecer a Vida, quando muito é estrume para o Futuro!
O que aí está não pode durar, porque não é nada!
Eu, da Raça dos Navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da Raça dos Descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um Novo Mundo!
Quem há na Europa que ao menos suspeite de que lado fica o Novo Mundo agora a descobrir?
Quem sabe estar em um Sagres qualquer?
Eu, ao menos, sou uma grande Ânsia, do tamanho exacto do Possível!
Eu, ao menos sou da estatura da Ambição Imperfeita, mas da Ambição para Senhores, não para escravos!
Ergo-me ante, o sol que desce, e a sombra do meu Desprezo anoitece em vós!
Eu, ao menos, sou bastante para indicar o Caminho!
Vou indicar o caminho!
ATENÇÃO!
Proclamo, em primeiro lugar,
A Lei de Malthus da Sensibilidade
Os estímulos da sensibilidade aumentam em progressão geométrica; a própria sensibilidade apenas em progressão aritmética.
Compreende-se a importância desta lei. A sensibilidade — tomada aqui no mais amplo dos seus sentidos possíveis — é a fonte de toda a criação civilizada. Mas essa criação só pode dar-se completamente quando essa sensibilidade esteja adaptada ao meio em que funciona; na proporção da adaptação da sensibilidade ao meio está a grandeza e a força da obra resultante.
Ora a sensibilidade, embora varie um pouco pela influência insistente do meio actual, é, nas suas linhas gerais, constante, e determinada no mesmo indivíduo desde a sua nascença, função do temperamento que a hereditariedade lhe infixou. A sensibilidade, portanto, progride por gerações.
As criações da civilização, que constituem o «meio» da sensibilidade, são a cultura, o progresso científico, a alteração nas condições políticas (dando à expressão um sentido completo); ora estes ó e sobretudo o progresso cultural e científico, uma vez começado — progridem não por obra de gerações, mas pela interacção e sobreposição da obra de indivíduos, e, embora lentamente a princípio, breve progridem ao ponto de tomarem proporções em que, de geração a geração, centenas de alterações se dão nestes novos estímulos da sensibilidade, ao passo que a sensibilidade deu; ao mesmo tempo, só um avanço, que é o de uma geração, porque o pai não transmite ao filho senão uma pequena parte das qualidades adquiridas.
Temos, pois, que a uma certa altura da civilização há de haver uma desadaptação da sensibilidade ao meio, que consiste dos seus estímulos — uma falência portanto. Dá-se isso na nossa época, cuja incapacidade de criar grandes valores deriva dessa desadaptação.
A desadaptação não foi grande no primeiro período da nossa civilização, da Renascença ao século XVIII, em que os estímulos da sensibilidade eram sobretudo de ordem cultural, porque esses estímulos, por sua própria natureza, eram de progresso lento, e atingiam a princípio apenas as camadas superiores da sociedade.
Acentuou-se a desadaptação no segundo período, que parte da Revolução para o século XIX, e em que os estímulos são já sobretudo políticos, onde a progressão é facilmente maior e o alcance do estímulo muito mais vasto. Cresceu a desadaptação vertiginosamente no período desde meados do século XIX à nossa época, em que o estímulo, sendo as criações da ciência, produz já uma rapidez de desenvolvimento que deixa atrás os progressos da sensibilidade, e, nas aplicações práticas da ciência, atinge toda a sociedade. Assim se chega à enorme desproporção entre o termo presente da progressão geométrica dos estímulos da sensibilidade e o termo correspondente da progressão aritmética da própria sensibilidade.
Daí a desadaptação, a incapacidade criativa da nossa época. Temos, portanto, um dilema: ou morte da civilização, ou adaptação artificial, visto que a natural, a instinctiva faliu.
Para que a civilização não morra, proclamo, portanto em segundo lugar,
A Necessidade da Adaptação Artificial
O que é a adaptação artificial?
É um acto de cirurgia sociológica. É a transformação violenta da sensibilidade de modo a tornar-se apta a acompanhar pelo menos por algum tempo, a progressão dos seus estímulos.
A sensibilidade chegou a um estado mórbido, porque se desadaptou. Não há que pensar em curá-la. Não há curas sociais. Há que pensar em operá-la para que ela possa continuar a viver. Isto é, temos que substituir a morbidez natural da desadaptação pela sanidade artificial feita pela intervenção cirúrgica, embora envolva uma mutilação.
O que é que é preciso eliminar do psiquismo contemporâneo?
Evidentemente que é aquilo que seja a aquisição fixa mais recente no espírito — isto é, aquela aquisição geral do espírito humano civilizado que seja anterior ao estabelecimento da nossa civilização, mas recentemente anterior; e isto por três razões: (a) porque, por ser a mais recente das fixações psíquicas, é a menos difícil de eliminar; (b) porque, visto que cada civilização se forma por uma reacção contra a anterior, são os princípios da anterior que são os mais antagónicos à actual e que mais impedem a sua adaptação às condições especiais que durante esta apareçam; (c) porque, sendo a aquisição fixa mais recente, a sua eliminação não ferirá tão fundo a sensibilidade geral como o faria a eliminação, ou a pretensão de eliminar, qualquer fundo depósito psíquico.
Qual é a ultima aquisição fixa do espírito humano geral?
Deve ser composta de dogmas do cristianismo, porque a Idade Média, vigência plena daquele sistema religioso, precede imediatamente e duradouramente, a eclosão da nossa civilização, e os princípios cristãos são contraditados pelos firmes ensinamentos da ciência moderna.
A adaptação artificial será portanto espontanente feita desde que se faça uma eliminação das aquisições fixas do espírito humano, que derivam da sua mergência no cristianismo.
Proclamo, por isso, em terceiro lugar,
A intervenção cirúrgica anti-cristã
Resolve-se ela, como é de ver, na eliminação dos três preconceitos, dogmas, ou atitudes, que o cristianismo fez que se infiltrassem na própria substância da psique humana.
Explicação concreta:
1. — Abolição do dogma da personalidade — isto é, de que temos uma Personalidade «separada» das dos outros. É uma ficção teológica. A personalidade de cada um de nós é composta (como o sabe a psicologia moderna, sobretudo desde a maior atenção dada à sociologia) do cruzamento social com as «personalidades» dos outros, da imersão em correntes e direcções sociais e da fixação de vincos hereditários, oriundos, em grande parte, de fenómenos de ordem colectiva. Isto é, no presente, no futuro, e no passado, somos parte dos outros, e eles parte de nós. Para o auto-sentimento cristão, o homem mais perfeito é o que com mais verdade possa dizer «eu sou eu»; para a ciência, o homem mais perfeito é o que com mais justiça possa dizer «eu sou todos os outros».
Devemos pois operar a alma, de modo a abri-la à consciência da sua interpenetração com as almas alheias obtendo assim uma aproximação concretizada do Homem-Completo, do Homem-Síntese da Humanidade.
Resultados desta operacão:
(a) Em política: Abolição total do conceito de democracia, conforme a Revolução Francesa, pelo qual dois homens correm mais que um homem só, o que é falso, porque um homem que vale por dois é que corre mais que um homem só! Um mais um não são mais do que um, enquanto um e um não formam aquele Um a que se chama Dois. — Substituição, portanto, à Democracia, da Ditadura do Completo, do Homem que seja, em si-próprio, o maior número de Outros; que seja, portanto, A Maioria. Encontra-se assim o Grande Sentido da Democracia, contrário em absoluto ao da actual, que, aliás, nunca existiu.
(b) Em arte: Abolição total do conceito de que cada indivíduo tem o direito ou o dever de exprimir o que sente. Só tem o direito ou o dever de exprimir o que sente, em arte, o indivíduo que sente por vários. Não confundir com «a expressão da Época», que é buscada pelos indivíduos que nem sabem
sentir por si-próprios. O que é preciso é o artista que sinta por um certo número de Outros, todos diferentes uns dos outros, uns do passado, outros do presente, outros do futuro. O artista cuja arte seja uma Síntese-Soma, e não uma Síntese-Subtracção dos outros de si, como a arte dos actuais.
(c) Em filosofia: Abolição do conceito de verdade absoluta. Criação da Super-Filosofia. O filósofo passará a ser o interpretador de subjectividades entrecruzadas, sendo o maior filósofo o que maior número de filosofias espontâneas alheias concentrar. Como tudo é subjectivo, cada opinião é verdadeira para cada homem: a maior verdade será a soma-síntese-interior do maior número destas opiniões verdadeiras que se contradizem umas às outras.
2. — Abolição do preconceito da individualidade. — É outra ficção teológica — a de que a alma de cada um é una e indivisível. A ciência ensina, ao contrário, que cada um de nós é um agrupamento de psiquismos subsidiários, uma síntese malfeita de almas celulares. Para o auto-sentimento cristão, o homem mais perfeito é o mais coerente consigo próprio; para o homem de ciência, o mais perfeito é o mais incoerente consigo próprio,
Resultados:
(a) Em política: A abolição de toda a convicção que dure mais que um estado de espírito, o desaparecimento total de toda a fixidez de opiniões e de modos-de-ver; desaparecimento portanto de todas as instituições que se apoiem no facto de qualquer «opinião pública» poder durar mais de meia-hora. A solução de um problema num dado momento histórico será feita pela coordenação ditatorial (vide parágrafo anterior) dos impulsos do momento dos componentes humanos desse problema, que é uma coisa puramente subjectiva, é claro. Abolição total do passado e do futuro como elementos com que se conte, ou em que se pense, nas soluções políticas. Quebra inteira de todas as continuidades.
(b) Em arte: Abolição do dogma da individualidade artística. O maior artista será o que menos se definir, e o que escrever em mais géneros com mais contradições e dissemelhanças. Nenhum artista deverá ter só uma personalidade. Deverá ter várias, organizando cada uma por reunião concretizada de estados de alma semelhantes, dissipando assim a ficção grosseira de que é uno e indivisível.
(c) Em filosofia: Abolição total da Verdade como conceito filosófico, mesmo relativo ou subjectivo. Redução da filosofia à arte de ter teorias interessantes sobre o «Universo». O maior filósofo aquele artista do pensamento, ou antes da «arte abstracta» (nome futuro da filosofia) que mais teorias coordenadas, não relacionadas entre si, tiver sobre a «Existência».
3. — Abolição do dogma do objectivismo pessoal. — A objectividade é uma média grosseira entre as subjectividades parciais. Se uma sociedade for composta, por ex., de cinco homens, a, b, c, d, e e, a «verdade» ou «objectividade» para essa sociedade será representada por
a+b+c+d+e
5
No futuro cada indivíduo deve tender para realizar em si esta média. Tendência, portanto de cada indivíduo, ou, pelo menos, de cada indivíduo superior, a ser uma harmonia entre as subjectividades alheias (das quais a própria faz parte), para assim se aproximar o mais possível daquela Verdade-Infinito, para a qual idealmente tende a série numérica das verdades parciais.
Resultado:
(a) Em política: O domínio apenas do indivíduo ou dos indivíduos que sejam os mais hábeis Realizadores de Médias, desaparecendo por completo o conceito de que a qualquer indivíduo é lícito ter opiniões sobre política (como sobre qualquer outra coisa), pois que só pode ter opiniões o que for Média.
(b) Em arte: Abolição do conceito de Expressão, sustituído pelo de Entre-Expressão. Só o que tiver a consciência plena de estar exprimindo as opiniões de pessoa nenhuma (o que for Média portanto) pode ter alcance.
(c) Em filosofia: Substituição do conceito de Filosofia pelo de Ciência, visto a Ciência ser a Média concreta entre as opiniões filosóficas, verificando-se ser média pelo seu «carácter objectivo», isto é, pela sua adaptação ao «universo exterior» que é a Média das subjectividades. Desaparecimento portanto da Filosofia em proveito da Ciência.
Resultados finais, sintéticos:
(a) Em política: Monarquia Científica, antitradicionalista e anti-hereditária, absolutamente espontânea pelo aparecimento sempre imprevisto do Rei-Média. Relegação do Povo ao seu papel cientificamente natural de mero fixador dos impulsos de momento.
(b) Em arte: Substituição da expressão de uma época por trinta ou quarenta poetas, pela sua expressão por (por ex.), dois poetas cada um com quinze ou vinte personalidades, cada uma das quais seja uma Média entre correntes sociais do momento.
(c) Em filosofia: Integração da filosofia na arte e na ciência; desaparecimento, portanto, da filosofia como metafísica-ciência. Desaparecimento de todas as formas do sentimento religioso (desde o cristianismo ao humanitarismo revolucion´srio) por não representarem uma Média.
Mas qual o Método, o feitio da operação colectiva que há de organizar, nos homens do futuro, esses resultados? Qual o Método operatório inicial?
O Método sabe-o só a geração por quem grito por quem o cio da Europa se roça contra as paredes ! Se eu soubesse o Método, seria eu-próprio toda essa geração!
Mas eu só vejo o Caminho; não sei onde ele vai ter.
Em todo o caso proclamo a necessidade da vinda da Humanidade dos Engenheiros!
Faço mais: garanto absolutamente a vinda da Humanidade dos Engenheiros!
Proclamo, para um futuro próximo, a criação científica dos Super-homens!
Proclamo a vinda de uma Humanidade matemática e perfeita!
Proclamo a sua Vinda em altos gritos!
Proclamo a sua Obra em altos gritos!
Proclamo‑A, sem mais nada, em altos gritos!
E proclamo também: Primeiro:
O Super-homem será, não o mais forte, mas o mais completo!
E proclamo também: Segundo:
O Super-homem será, não o mais duro, mas o mais complexo!
E proclamo também: Terceiro:
O Super-homem será, não o mais livre, mas o mais harmónico!
Proclamo isto bem alto e bem no auge, na barra do Tejo, de costas para a Europa, braços erguidos, fitando o Atlântico e saudando abstractamente o Infinito.

1917

Quem conta um conto ... A moça tecelã




Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Crônicas do Dia - Guinada à Direita


POR ANTONIO PRATA

Há uma década, escrevi um texto em que me definia como “meio intelectual, meio de esquerda”. Não me arrependo. Era jovem e ignorante, vivia ainda enclausurado na primeira parte da célebre frase atribuída a Clemenceau, a Shaw e a Churchill, mas na verdade cunhada pelo próprio Senhor: “Um homem que não seja socialista aos 20 anos não tem coração; um homem que permaneça socialista aos 40 não tem cabeça”. Agora que me aproximo dos 40, os cabelos rareiam e arejam-se as ideias, percebo que é chegado o momento de trocar as sístoles pelas sinapses.

A permanência do Racismo na sociedade Brasileira


O presente trabalho tem como objetivo discorrer sobre o racismo no Brasil e, também, analisar as suas consequências para a sociedade brasileira, especialmente para os envolvidos no embate. Embora prevaleça no país a ideia de que não existe preconceito contra os negros e seus descendentes, o fato é que esse assunto ainda não foi totalmente superado pelos brasileiros, pois, em diversas partes do país, ainda presencia-se atitudes racistas contra essa parte da população. Percebe-se que parte desse preconceito é oriunda do período da escravidão, no qual os negros africanos viveram subjulgados pela elite portuguesa e brasileira. Desse modo, será necessário apresentar, mesmo que de forma sucinta, a história da escravidão no Brasil e sua participação como sujeitos históricos na nossa história. Sendo assim, este trabalho recorreu a autores especializados, além de utilizar relatórios, jornais e outras fontes para compor o texto. 

Palavras-chaves: racismo, negro, escravidão.

Você já sabia disso ? - Antes de boicotar Elza Soares, repense o seu racismo



Por que tentar retirar a autonomia da "cantora do milênio" e colocá-la num local de subalternidade é reforçar a lógica racista.

por Djamila Ribeiro 

Crônicas do Dia - O que só Carolina não viu

Carolina sabia que o seu amor estava por um fio, mas Carolina, nem em pesadelo imaginava que o fim seria agora, nas cinzas desse 2015 que teima em não desfolhar de vez o calendário. Carol não sabia que os barracos natalinos são fatais – muita gente sai para comprar a ceia e não acerta mais o caminho de volta. Foi o caso.

Artigo de Opinião - O amor nos tempos de polarização política

Superado o luto pelo fim de um relacionamento amoroso que durou dez anos (cujos motivos do término não cabe aqui abordar, pois intimidade com o leitor tem limite), decidi testar o Tinder, encorajada por amigos preocupados com o grau de seriedade da minha relação com o Netflix. Primeiro choque: em poucos minutos nesse menu humano me deparo com vários colegas de profissão e, sem jeito, quero sumir (já era o meu anonimato!). Em tempos de passaralhos e crise na mídia, parece ter mais jornalistas no Tinder que em muitas redações por aí. Segunda surpresa: as pessoas agora se importam com política –ao ponto de isso virar nota de corte na hora da paquera. Como se já não estivesse suficientemente difícil...

Artigo de Opinião - Se não por direito, ao menos por compaixão

Diante da grave situação de saúde deflagrada no País pela disseminação do Zika vírus e a sua vinculação com o aumento dos casos de microcefalia, as declarações públicas da hierarquia católica têm revelado, uma vez mais, o caráter misógino da instituição.

SEQUER ou SE QUER ?

“Sequer”

É um advérbio e podemos pensar nele como o “ao menos”. Geralmente usamos em frases negativas ou que dão um sentido negativo.

Exemplos:

Estamos sem água nas represas e não há possibilidades sequer de chuvas.

Estou doente e sequer tenho um remédio para tomar.

Como é possível esperar que a humanidade ouça conselhos, se nem sequer ouve as advertências.

“Se quer”

É apresentada pela conjunção “se” e do verbo “querer”. Podemos substituí-lo por “se desejar”, geralmente usado em frases condicionais.

Exemplos:

Se quer passar em concurso, estude muito.

Se quer a verdade, ainda estou sofrendo.

domingo, 26 de junho de 2016

Como anda tua autoestima ou auto estima ou anto - estima ?

Autoestima é a forma correta de escrita da palavra. Auto estima, escrito de forma separada, está errado. A palavra auto-estima, hifenizada, passou a estar errada desde a entrada em vigor do Novo Acordo Ortográfico, em janeiro de 2009. 

sábado, 25 de junho de 2016

Pânico nas redes sociais: Se “Bolsomito” não é invulnerável, nós também não


Leonardo Sakamoto 22/06/2016

Muita gente não se deu conta do impacto da decisão do Supremo Tribunal Federal que aceitou, nesta terça (21), denúncia de incitação ao crime de estupro e transformou o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ) em réu em uma ação penal. Bolsonaro havia declarado, no Congresso Nacional, que não estupraria a deputada Maria do Rosário porque ela “não merece'', repetindo o conteúdo em uma entrevista.

Você está sabendo disso ? - CUT: Temer quer usar dinheiro dos trabalhadores para aliviar impostos da elite; será o fim do FAT


Temer quer acabar com FAT, que paga seguro-desemprego

Escola Sem Partido: Doutrinação comunista, Coelho da Páscoa e Papai Noel



Leonardo Sakamoto 24/06/2016

O bicho está pegando na educação. É tanto problema que você pode montar o seu combo: roubo de merenda, escolas ocupadas, universidades em greve (e quebradas), proposta de teto orçamentário ameaçando investimentos na área, Plano Nacional de Educação completando dois anos sem NENHUMA meta cumprida e por aí vai.

Academia Brasileira de Letras recebe cartas inéditas de Machado de Assis



Documentos foram doados pela família do acadêmico e crítico Jorge Veríssimo

Um pequeno tesouro literário, guardado com esmero durante quatro gerações, veio a público nesta quinta-feira (15). Dezenas de documentos, fotos e 61 cartas do crítico e acadêmico José Veríssimo, recebidas do escritor Machado de Assis, foram entregues pela família de Veríssimo à Academia Brasileira de Letras (ABL).

Machado de Assis - Quem é ?

Machado de Assis – Quem é?

Pergunta o funcionário da Santa Casa do Rio de Janeiro, instituição que administra o cemitério

Sindia Santos 17/06/2008 14:58, atualizada às 08/04/2012 18:50

Projeto de terceirização vai afetar 30 milhões de brasileiros, diz sociólogo

Professor associado do Departamento de Sociologia da USP, Ruy Braga afirma que a aprovação do projeto que facilita a terceirização significa na prática o fim da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e um aumento acentuado da taxa de desemprego. Do ponto de vista das contas públicas, a expansão da terceirização também será um desastre, pois as empresas do setor recolhem menos impostos. 

Crônica do dia - Ainda só preto, pobre, prostituta e petista

Se você colocar a frase “Preto, pobre, prostituta e petista” entre aspas e a jogar no Google, este link será o primeiro resultado. É de matéria publicada nesta página em 2013, por ocasião da prisão do ex-deputado pelo PT de SP José Genoino.

Crônica inédita de Machado de Assis em que ele chora a morte da mãe ....



Se o projeto “escola sem partido” vingar, o que será do ensino de literatura?



Se o questionamento da forma como compreendemos o mundo e a tentativa de compreender também o mundo do outro for passível de um processo judicial, o debate literário, por exemplo, estará fadado à condenação.

Por Francieli Borges, para Desacato.info.

Antigos fanáticos, motivados pelos mais torpes interesses próprios, objetivavam transformar os espaços de ensino em suas salas-de-estar, locais em que pudessem abertamente proliferar sentenças de ódio. É incalculável como essa educação que adestra ainda faz reféns. Melhoramos a passos lentos, mas sempre existem herdeiros, criaturas que se comprazem friamente em inutilizar o diálogo possível entre professores e alunos sobre os temas ligados à sociedade. Os entusiastas de tal projeto querem fazer crer que os esforços do pensamento não são necessariamente políticos – unicamente porque não é política como eles a compreendem, retrógrada e excludente, que modela o público a partir do privado. Tudo para que continuem maquinando seus objetivos danosos.

 Se o questionamento da forma como compreendemos o mundo e a tentativa de compreender também o mundo do outro for passível de um processo judicial, o debate literário, por exemplo, estará fadado à condenação.

Imaginemos a potência de crianças e adolescentes curiosos, inventivos e sonhadores, às voltas com obras nas quais os narradores, questionadores e corajosos, transmitam ideias que facilitem que esses estudantes se tornem tudo o que desejam se tornar. Há certa literatura cujos personagens parecem não ser criações de um cérebro humano, mas sujeitos irresistíveis que vivem conosco de mãos dadas, verdadeiros amigos, com eterno sorriso de sarcasmo, ironizando todos os ridículos da vida humana, lutando penosamente para vencer e adentrar lugares que injustamente nunca foram para os seus. Há uma possibilidade, uma via literária com a qual podemos nos identificar – às vezes está contemplada no espaço de uma biblioteca pública, até em um excerto descontextualizado de um livro didático – que é o núcleo irradiador de sentidos infinitos: estende-se a todos os tempos, todas as formas de existência, todos os povos. Em suma, o próprio medo de quem se pretende dono da verdade.

Confesso que ingenuamente cheguei a pensar que essas propostas de reprimenda escolar, inúteis e inacreditáveis, estavam completamente fora do seu tempo. E são, realmente, absurdas. Mas sempre haverá gente que não perdoará a audácia e as lentes de aumento de narrativas que pintem os políticos inescrupulosos, os padres devassos, os jornalistas vendidos, os homens misóginos; que escarneça os ideais ufanistas, as cinzas dos mártires trapaceiros; que troce a burguesia, a bandeira, o culto. Tais censores podem dificultar o ofício à primeira vista, sem saber que acabam sendo justamente o combustível da pilhéria do texto, do aluno, do professor. O ato literário sempre sobrevive porque se alimenta de quem pretende que ele fique abatido – se vierem ardidos qual pimenta, então, corre risco de virar um clássico. Se dizem que a história não perdoa, experimentem se meter com a literatura.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Entrevista - Leandro Karnal

O historiador, antropólogo e filósofo Leandro Karnal dissemina o conceito de tolerância ativa, postura que celebra a pluralidade de opiniões, em vez de combatê-la ou simplesmente aturá-la

Entrevista - Jorge Forbes

Respeitado estudioso de tendências mundiais, o psicanalista Jorge Forbes chama à reflexão sobre a falência das verdades estanques e a busca das pessoas por grupos que tirem delas a responsabilidade de pensar por si mesmas

Entrevista - Eliane Dias

Advogada, militante, coordenadora do SOS Racismo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo e sócia da Boogie Naipe, produtora responsável pelos Racionais MC’s, Eliane Dias diz que sabe fazer duas coisas: “Tem gente que nasce para ser rei, rainha, ser a porra toda. Eu não. Nasci para cuidar e observar o ser humano”. Aprendeu a observação aos oito anos de idade, no momento em que também se descobriu negra. “A professora passou os olhos rapidamente pelo meu caderno, e logo virou para a minha irmã, de pele mais clara e cabelo mais liso que o meu. Parou e apontou erros, ensinou com carinho. Observei a atitude dela e refleti. Nunca mais parei.” Moradora do Campo Limpo, periferia sul de São Paulo, é casada há quase trinta anos com Pedro Paulo Soares Pereira, famoso como Mano Brown, com quem tem dois filhos, Jorge, de vinte anos, e Domenica, de 17. Na entrevista a seguir, Eliane analisa o atual cenário político do país com uma sabedoria conectada à ancestralidade de matriz africana: referências concretas, paralelos com a vida cotidiana e palavras simples que expressam uma percepção sofisticada.

Por Bianca Santana | fotos Bob Sousa, na Revista Cult

O que é Mito ?





Mitos são histórias tradicionais, quase sempre sobre deuses, heróis ou criaturas do mundo animal, que explicam por que o mundo é do jeito que é.

Entrevista: Reginaldo Prandi estuda religiões afro-brasileiras


Pesquisador escreveu 'Mitologia dos Orixás', livro que reúne depoimentos de pais e mães de santo


Por Flavio Lobo
São Paulo

Charges


Você sabia disso ? - Perigo na palma da mão


De efeitos psicológicos a consequências para a coluna, uso excessivo do celular pode causar danos

O DIA
Rio - O estudante universitário Luiz Amaral, de 24 anos, coloca o celular em modo avião - sem acesso à internet – quando está no estágio ou estudando. Ansioso, o jovem comenta que se distrai facilmente quando está muito vidrado no aparelho, principalmente nas redes sociais. A providência de Amaral tem o apoio de especialistas, que destacam o quanto é prejudicial o uso excessivo de smartphones, principalmente para quem já sofre de problemas como ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) e transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

Artigo de Opiião - Preconceito se desaprende na escola


A cura advém da coragem de conhecer, aproximar-se para reconstruir o conceito, o que exige coragem e desprendimento

Artigo de Opinião - Condenados à responsabilidade

Os grandes déficits em nutrição, saúde e educação devem ser considerados questão de Estado

O DIA
Rio - Em resposta à pergunta sobre o que mais preocupa os brasileiros, pesquisas registram: o desemprego, a violência, os baixos salários, a corrupção, o medo do futuro. Motivos para isso não faltam. A desigualdade e a carência são traços marcantes na nossa sociedade.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Crônica do Dia - Por que ler?


“O livro alimentava minha imaginação. Toda a minha imaginação comia, comia e comia e de barriga assim toda cheia, me levava pra morar no mundo inteiro…!”
Lígia Bojunga Nunes



O primeiro livro impresso data de 1436, fruto da invenção da tipografia de Gutemberg. Os livros daquela época caracterizavam-se pela letra irregular e imperfeita, pela ausência de paginação, assinatura e título; não tinham margens ou capítulos e nem sinais de pontuação. Após 1500, com o aperfeiçoamento da imprensa, o livro foi se modificando, desde o tipo de papel até os detalhes formais ligados à disposição das letras na página, à forma de ilustração, possibilitando tiragem e divulgação maiores e mais rápidas. Podemos afirmar que a presença do livro em nossa cultura foi a chave com a qual abrimos as portas da História, alargamos as fronteiras e construímos novos mundos. A ideia de leitura, portanto, está intimamente associada à de liberdade e à modernidade.

Você sabia disso ? - A misteriosa infância de Zumbi