quarta-feira, 11 de maio de 2016

Crônicas do Dia - Mediação nas escolas - Álvaro Chrispino

O Rio de Janeiro vive a experiência de ter suas escolas estaduais ocupadas por grupos de estudantes das próprias unidades, como ocorreu em São Paulo e Goiás. Em São Paulo, as ocupações foram motivadas pela reestruturação da rede oficial, sem o diálogo com a comunidade escolar. Já em Goiás, foi uma reação à gestão das escolas por Organizações Sociais e à entrega de escolas para gestão pela Polícia Militar. No Rio, as pautas de reivindicação são mais pontuais. Isto é, refletem mais as necessidades de cada unidade, apesar de alguns pontos em comum. Já são dezenas unidades ocupadas, em mais de 20 municípios, e o número só cresce!


Os alunos com pautas próprias de cada escola estão no exercício legítimo de reivindicação de melhores condições de aprendizado. Listam questões que os incomodam como falta de professores e de segurança, problemas de infraestrutura, o fim da avaliação externa, mudança de diretor etc. Há notícias de que pessoas estranhas às escolas estão nas ocupações, esperado oportunismo, o que não inviabiliza a legitimidade das reivindicações.

Já a Secretaria de Educação inicia suas ações oferecendo informações gerais: diz quantos milhares de professores foram chamados, que mandará equipes técnicas para resolver os problemas de infraestrutura. Diz que passa por restrições orçamentárias graves. A oferta geral de recursos e serviço não resolve os inúmeros problemas pontuais nas unidades.

No momento em que o Brasil passa por problemas que explicitam posições cristalizadas e baixa capacidade de entendimento entre os que têm posições diferentes, a mediação de conflito escolar precisa ser considerada como alternativa para evitar a polarização e a perda de oportunidade de aprendizado social. Ela pode fazer com que as partes sejam ouvidas, o que traz melhor entendimento das intenções e das impossibilidades de cada um dos lados. Pode oferecer saídas consensuais para cada uma das realidades escolares. Pode manter abertos os canais de comunicação entre as partes. E, acima de tudo, pode evitar a judicialização da questão, visto que o Estado necessita buscar a reintegração de posse de seus prédios ocupados, fazendo que o Judiciário resolva o processo, mas jamais o problema de cada unidade.

O Rio de Janeiro possui inúmeras instituições e/ou profissionais sérios, competentes e experientes no exercício da mediação de conflitos que podem atuar antes que se iniciem manifestações violentas.



É hora de aprendermos a solucionar nossas questões tirando aprendizado. Melhor isso, a escola ocupada por jovens que buscam no exercício democrático defender suas questões, do que a escola ocupada por policiais que lhe assumem a gestão ou a escola tomada pela força da coerção policial, nas efetivas reintegrações.

Democracia se aprende fazendo democracia... Isso vale para os alunos, para os pais, para os professores e para os gestores.

Alvaro Chrispino é professor e especialista em mediação de conflito escolar



Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/mediacao-nas-escolas-19201026#ixzz48N3GUwab 

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