terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Crônicas do Dia - Dos muros - Veríssimo

O mais importante do muro do Trump não é o muro, é o clamor contra o muro. Que talvez não impeça a sua criação, mas pode levar a uma revolta

05/02/2017 


Os Muros de Jericó, nos conta a Bíblia, caíram depois de um sítio de sete dias. Os israelitas, após a fuga do Egito e os 40 anos no deserto, invadiram a cidade do Vale do Rio Jordão, desprotegida com a queda da sua fortificação.

Os Muros de Jericó ficaram na história bíblica como um exemplo do poder da fé, pois foram as preces e as encantações dos sitiantes, além das cornetas, que os destruíram. Ou seja, os Muros de Jericó foram derrubados, literalmente, no grito.

Não há paralelo possível entre os Muros de Jericó e outros muros famosos, como o Muro de Berlim. No caso deste, o governo comunista da Alemanha Oriental justificava a existência da excrescência como uma maneira de segurar cidadãos para os quais o Estado assegurava educação e saúde, mas que não resistiam ao apelo do outro lado, ainda mais que Berlim Oriental era um lugar lúgubre e Berlim Ocidental uma vitrine para o que o capitalismo tem de mais chamativo.

Onde é que entra a comparação com os Muros de Jericó?

O Muro de Berlim também caiu no grito. Não resistiu ao clamor internacional pela sua destruição. E, certamente, a algumas preces também.

A Grande Muralha da China foi construída para proteger o Império Chinês de incursões de tribos inimigas. Sua construção começou há dois mil anos, e não se sabe se um dia cumpriu seu objetivo militar ou apenas sua função como limite do insular Império do Meio, um símbolo do seu distanciamento do resto do mundo.

A Grande Muralha da China não foi destruída. Pior, virou atração turística.

Israel, esquecendo-se de Jericó, construiu um muro para separá-lo de territórios palestinos e também está sendo muito criticado por isso, embora não se espere que ceda ao clamor crescente tão cedo.

E temos o muro proposto por Trump para impedir a entrada de mexicanos e centro-americanos nos Estados Unidos.

O mais importante do muro do Trump não é o muro, é o clamor contra o muro. Que talvez não impeça a sua criação, mas pode levar a uma revolta — junto com as outras barbaridades propostas por Trump — que o faça repensar tudo, inclusive seu penteado.

As cornetas já começaram.

Um comentário:

  1. Durante a história apareceram diversos muros, muralhas etc varios impedimentos criados pelos homens, para evitar laços com outras cidades, estados etc.
    Mas e na nossa vida, existem muros ?claro que sim, na nossa vida ainda são piores que os muros comum, pois esses são muros de sentimentos, barreiras e impedimentos que construímos .
    As emoções devem ser controladas, e fazendo um má uso das emoções eles nos fazem ctiar barreiras, que nos leva a cortar qualquer laço com uma pessoa , muitas das vezes que amamos , mas ela nos decepciona e pronto é criado um muro, e você quer perdoar aquela pessoa , mas não consegue por causa do maldito muro !

    Eliza Rocha _F9103
    Maria Isabel Damasceno Simão

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