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sexta-feira, 17 de julho de 2020

Artigo de Opinião - Um renovar - se de esperanças - Lucilia Diniz

Os amores líquidos de que nos fala Zygmunt Bauman estão de quarentena. O filósofo polonês fez sucesso com a defesa da ideia de que os tempos modernos favorecem relações pessoais menos duradouras. O amor contemporâneo, na sua observação, estaria mais para o acúmulo de experiências do que para a profundidade de um relacionamento, mais para descompromisso casual do que para vínculo afetivo. O barco dos encontros eventuais, no entanto, está fazendo água, para usar uma imagem próxima ao universo do pensador mais citado do momento, morto há dois anos.
O distanciamento social para combater o coronavírus nos põe cara a cara com nós mesmos. É uma oportunidade de experimentarmos novas possibilidades de trocas de sentimentos com pessoas que, mesmo a distância, talvez estejam vivendo um momento parecido, também com desejo de construir algo que vá além da superficialidade.
O impulso de viver um grande amor é contrabalançado, quando se é responsável, pelo receio de contrair a Covid-19. Antes da pandemia, feliz de quem tinha um companheiro com quem pudesse passar o Dia dos Namorados. Hoje, ter um companheiro não garante um jantar romântico (e, para os que puderem desfrutar esse momento, recomendo frugalidade — não vamos perder o foco).
Nem todos estarão de mãos entrelaçadas, mas isso não é decisivo. Ouço muitos relatos de casais que estão passando a quarentena cada um em seu canto porque um dos dois trabalha com serviços essenciais ou está na linha de frente do combate à doença. Ainda assim, eles se fazem presentes, por meio de mensagens carinhosas, conversas em vídeo ou um buquê de flores por delivery. O que estão fazendo, na realidade, é transformar a ausência física em prova de amor.
Continua após a publicidadeDificuldade maior enfrentam aqueles que a nova ordem mundial pegou num momento em que não dividiam as delícias do amor com ninguém em particular. Mas acredito que obstáculos existem para ser superados. É bonito ver casais se conhecendo por mensagens, construindo confiança mútua e estabelecendo pactos antes de se encontrarem pessoalmente. Começar um namoro virtual não é possibilidade que deva ser descartada. Quando menos, a postergação do contato físico traz uma carga de emoção que pode ser recompensadora tanto no encontro próximo como no futuro mais longínquo, quando a lembrança do platonismo imposto pelas circunstâncias ajudar a alimentar o amor de uma vida inteira.
Gosto de pensar que a ausência temporária pode esfriar as paixões pequenas, mas esquenta os grandes amores. Faz com os sentimentos o que o vento faz com o fogo: se apaga um fósforo, alimenta uma fogueira. No Dia dos Namorados, é bom podermos contar com Vinicius de Moraes. Hoje estamos preocupados com nossa saúde. Sem uma vacina, ainda em desenvolvimento, qual será o impacto no futuro das relações afetivas? O poeta tem a resposta: “Amai, porque nada melhor para a saúde do que um amor correspondido”. E, em meio a tantas agruras descritas em O Dia da Criação, ele registra uma confiança no porvir — “Há um renovar-se de esperanças” — que nos reconforta.

Revista - 17 de junho de 2020 

Você sabia disso? - Renomado virologista alemão alerta sobre ‘efeito rebanho’ contra coronavírus



Conforme reportado pelo Portal R7, uma proposição muito recorrente no Brasil, inclusive pelo Presidente da República,o chamado “efeito rebanho”, que consiste em apostar que 60 a 70% da população pode ser infectada para, a partir daí, gerar imunização da população, pode levar a ‘centenas de milhares de mortes’
Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), um centro especializado em epidemiologia da Alemanha, advertiu nesta quinta-feira (30) contra a aposta na chamada “imunidade em grupo”, ou “efeito rebanho”, e reiterou que, até que uma vacina contra o novo coronavírus seja encontrada, o objetivo é manter a taxa de infecção baixa.
O presidente do RKI, Lothar Wieler, em entrevista coletiva, classificou essa proposta como “ingênua” e referindo-se especificamente à Alemanha, disse que se o vírus não puder ser controlado, o país terá que “lamentar várias centenas de milhares de óbitos”.
“E quem faz isso porque pensa que cria ‘efeito rebanho’ é ingênuo e certamente não tem em mente a saúde das pessoas que dependem dele”, asseverou o virologista.
Segundo ele, a chamada “imunização em grupo” não funciona e que deve ser levado em conta que a covid-19 pode ser acompanhada de quadros clínicos gravíssimos, provavelmente deixando sequelados os pacientes e que, até o momento, ainda não se sabe quão boa é a imunidade de quem já passou pelo contágio.
O especialista frisou que: “O que é claro é que se uma vacina for eficaz e segura, menos pessoas morrerão se forem vacinadas do que se estiverem naturalmente infectadas com o coronavírus” e asseverou: “A ideia de erradicar este vírus sem uma vacina não vai funcionar”.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Artigo de Opinião - A elite que lava as mãos e o vírus do individualismo - Ana Laura Prates



Em 1944, o filósofo Jean Paul Sartre escreveu uma peça de teatro traduzida para o português por “Entre quatro paredes”. Trata-se de três personagens – um homem e duas mulheres, uma delas homossexual –, que estão mortos e se encontram confinados entre quatro paredes sem espelhos, por toda a eternidade. Enquanto a trama se desenrola, ficamos sabendo da vida e dos pecados de cada um, refletido no olhar do outro, ao mesmo tempo em que disputas, rivalidades, ciúme e agressividade tomam conta do cenário, até a conclusão final: “o inferno são os outros”. Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, o psicanalista Jacques Lacan escreve um texto sobre o tempo, em um diálogo crítico com o filósofo. Esse texto é construído em torno de uma espécie de charada ou desafio: há três prisioneiros (como na peça de Sartre), mas eles são impessoais em gênero ou qualquer outra característica. O único que sabemos é que estão presos, e que o diretor do presídio oferece a possibilidade de que um deles saia. Ele apresenta aos prisioneiros 5 discos: 3 brancos e 2 pretos. Cola um disco nas costas de cada um e diz: o primeiro que descobrir a cor de seu próprio disco deve apresentar-se para sair, dando uma justificativa convincente para sua resposta (isso quer dizer que não vale chutar) e será libertado. É óbvio, portanto, que cada um dos presos pode ver o disco nas costas dos outros dois, e assim reciprocamente. É a partir daí que se inicia uma série de hipóteses que levará, acreditem, com que os três saiam simultaneamente.

Não vou demonstrar a vocês como se chega a essa solução. Quem está lendo esse texto provavelmente estará de quarentena, e terá tempo suficiente para matar a charada. Poderá, inclusive, fazer uma simulação da situação, para facilitar a compreensão de que a pressa de sair e o modo como os demais prisioneiros reagem serão fatores fundamentais para encontrar a saída. A brincadeira, entretanto, só funciona se houver uma reciprocidade absoluta entre os prisioneiros e a conclusão final é a de que não há saída do inferno, a não ser coletiva. Lacan conclui o seu belo texto dizendo que esse pequeno grupinho de três é uma espécie de fórmula mínima da coletividade, que finalmente aponta para a questão fundamental do que chamamos humanidade: como nos reconhecemos mutuamente como sendo humanos, a não ser pelo outro?

Eis, portanto, o paradoxo que nos aprisiona: o inferno são os outros, mas precisamos uns dos outros para sair do inferno. E estamos vivendo um momento histórico em que mais uma vez essa realidade se apresenta para a humanidade de modo dramático. Aqui no Brasil, ela é  quase uma piada pronta, mas de humor negro: não podemos mais dar as mãos em um momento em que ninguém deveria soltar a mão de ninguém. Enquanto a China vivia uma situação dramática há meses e a Europa começava a perceber que a COVID-19 não era apenas uma gripezinha, muitos jovens brasileiros afirmavam, sem nenhum pudor, que se tratava de uma doença de velhos. Conforme fui entrando em contato com os gráficos de transmissão dessa nova forma de coronavírus, cada vez ficava mais perplexa diante da percepção de que grande parte das pessoas, muitas delas cultas e bem informadas insistiam em discutir o assunto como se se tratasse tão somente de uma questão de saúde individual, de opiniões médicas ou de estatísticas transcendentais a respeito de taxas de mortalidade. Argumentos do tipo “há outras doenças que matam mais” ou “a H1N1 é muito mais letal” ou “é muita histeria coletiva”. Minha perplexidade se devia a dois fatores. O primeiro era a premissa de que os cuidados seriam excessivos, pois caso o sujeito A pegasse o vírus, a “gripe” não seria assim tão forte. Em outras palavras, o sujeito A ainda não tinha entendido que o assunto não era sobre ele não pegar o vírus, mas não passar para os demais. O sujeito A, como só pensa em si mesmo e nos seus, não conseguia entender que ele podia não apresentar nenhum sintoma, ou só uma gripezinha caso pegasse o vírus – graças à sua idade, a sua excelente condição de saúde e seu plano de saúde – mas que ainda assim poderia ser o vetor de contaminação em progressão geométrica, devido à facilidade com a qual ele se transmite, atingindo rapidamente pessoas vulneráveis, sem que houvesse tempo de acolher a todas como se faz necessário. Em síntese: colapso no sistema de saúde como um todo! Isso é um fato na China, na Itália, em Paris, nos EAU e no Brasil. Mas, no Brasil, há muitos agravantes que tampouco foram levados em conta para o sujeito A. E é aí que entra o segundo fator estarrecedor. O sujeito A, oriundo da elite brasileira, que viaja à Europa com frequência, ou convive bem de perto com quem o faz, seguiu normalmente sua vida e sua agenda de compromissos após desembarcar, vindo de regiões nas quais a epidemia já se alastrava. Afinal, além de ser jovem e gozar de boa saúde, a taxa de mortalidade seria apenas de 2%. O sujeito A saiu aos quatro ventos expirando esse argumento ao mesmo tempo em que transmitia seus vírus através de sua saliva, de seu hálito puro e de suas operações mãos limpas. Ele simplesmente lavou as mãos. Em primeiro lugar, como se 2% de mortos fosse pouco, mas deixo essa observação sem comentários. O erro fundamental aqui é supor uma percentagem absoluta, como se ela fosse intrínseca exclusivamente ao vírus em si, e não às características sociais, sanitárias, econômicas, culturais, políticas, etc. das populações atingidas. Como se trata de uma nova doença, nós só conhecemos as estatísticas da China e de países da Europa, regiões com características completamente diferentes das do Brasil.

Os dias foram passando, o vírus também foram passando, e os argumentos de nossos governantes foram se revelando assustadoramente incongruentes. Dizia-se que ainda eram prematuras medidas drásticas de isolamento social, pois a epidemia aqui ainda estava no começo. Como se houvesse, por assim dizer, uma vontade própria na epidemia, como se ela tivesse uma velocidade inerente, e como se o estágio da epidemia fosse indiferente ao comportamento de seus transmissores em potencial. É mais ou menos como se fomentássemos um berçário de Aedes aegypti em plena epidemia de dengue, ao invés de tentar erradicar seus criadouros. No caso, os mosquitos éramos nós, e por isso deveríamos ficar em casa. Logo a seguir, vieram as respostas do sujeito B: “E os que não têm casa…”. Ora, justamente, sujeito B, como você tem casa, deveria ficar em casa, fomentar o mesmo comportamento em seus colegas, funcionários e amigos para não contaminar os que não têm casa. Porque em um país como o Brasil, se você não vai morrer, sujeito B, ou se em sua classe social a mortalidade, à primeira vista, será “só” de 2%, esteja certo de que ela será bem maior entre as classes menos favorecidas e as populações vulneráveis como os indígenas por exemplo.

Com o passar dos dias, e o alerta constante dos epidemiologistas, bem como o agravamento da situação na Europa, algumas fichas foram caindo bem lentamente, muito mais lentamente do que teria sido razoável, já que tivemos a chance, ou diria mesmo, a sorte de nos prepararmos antes, mas nada fizemos. E o que aconteceu a partir de então foi a revelação do outro lado da moeda. Da posição irresponsável e inconsequente da elite à qual pertence o sujeito A, passamos quase que automaticamente à fúria consumista do sujeito B de classe média, brigando por seu direito ao álcool gel e ao papel higiênico. Lembrei-me do dia em que fiquei durante 4 horas com meus filhos pequenos dentro do carro, no trânsito de São Paulo, em 2006, devido a uma ameaça de ataque do PCC. As pessoas subiam pela calçada com o carro, desrespeitavam o sinal, literalmente passavam umas por cima das outras. No caso atual, não seria irrelevante nos perguntarmos: porque papel higiênico? Fica o pedido para outros colegas psicanalistas desenvolverem a relação da mesquinhez com a fase anal, como bem assinalou Freud. Aliás, o fato de que o coronavírus chegou ao Brasil de avião não é um mero detalhe, mas uma metáfora funesta da lógica do extermínio que orienta nossas elites, como se houvesse dois tipos de seres humanos – voltamos a Lacan – aqueles que servem, e aqueles que usufruem. É igualmente bastante emblemática a morte da empregada doméstica que estava servindo os patrões infectados.

Leia também:  Jogo de futebol deflagrou a epidemia na Itália: por aqui, Bolsonaro defende
O fato é que na sociedade de consumo e individualista na qual estamos presos, vivemos como se tudo acontecesse por num passe de mágica. O sujeito B come hamburger no Mc como se aquele gosto delicioso – gosto não se discute – não viesse de uma cadeia de produção que envolve desmatamento, tortura animal, exploração de trabalhadores, indústria de ultraprocessados, venenos, etc. O sujeito A se aproxima da porta automática de sua garagem e abre te sésamo, ganha a rua em temperatura agradavelmente condicionada. Não sabemos onde moram os porteiros dos nossos prédios e como eles vivem. Também não sabemos e não queremos saber como o lixo desaparece de nossas lixeiras. E em que conduções e condições nossas domésticas chegam às nossas casas. Mas agora veio o vírus, e os “Aedes” A e B o fez chegar ao Sujeito C – que ao contrario do que disse o ministro – não havia passado as férias em Miami ou na Europa. Ainda não sabemos como ele vai reagir, mas certamente não dirá que é só uma gripezinha e tampouco poderá estocar álcool em gel ou papel higiênico. Mas sabemos as consequências em termos de saúde pública, abastecimento, economia, emprego, educação, laço social. Sinto informar, Sujeito A e B, mas vocês não vão conseguir escapar para Miami ou Lisboa, porque dessa vez, o vírus está em toda parte e os voos foram cancelados!


A COVID-19 escancarou a falência absoluta de um modo de vida que só se sustenta nessa nova forma de escravidão de servidores do deus mercado, sem direitos, sem saúde pública, sem Estado, sem bem estar social, em uma aceleração tal que só pode produzir deixando como resto a segregação, o lixo industrial e a morte de muitos. Há tempos esperávamos por uma catástrofe natural. Ela chegou. Há um corte, um antes e um depois dessa Peste. Não seremos os mesmos quando a vacina e a droga milagrosa finalmente forem testadas pela ciência, e comercializadas pelos laboratórios.  E está em nossas mãos a construção de um novo futuro mais digno para os nossos filhos, onde A, B e C possam reconhecer-se como humanos, e percebam que só há saída pelo coletivo. Até lá, não está mais na hora de “lavar as mãos”. A não ser que seja para uma mão lavar a outra!

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Artigo de Opinião - Vacinar é a melhor opção

Rio - Uma das premissas para um convívio harmônico em sociedade é o respeito às individualidades e às escolhas e preferências pessoais. Uma sociedade livre é uma sociedade em que o aceite das escolhas individuais e das diferenças ocorre de forma natural, espontânea. Liberdade de expressão, de opinião, religiosa, sexual... e também da decisão de se vacinar ou não. Mas até que ponto essa é apenas uma escolha individual?

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Editorial - O Globo - Pista para cura da Aids reforça a importância das pesquisas genéticas


Transplante de medula para contaminados por HIV abre novas possibilidades aos pesquisadores

A história da Ciência tem diversos relatos de avanços conseguidos ao acaso. Em certa medida é o que acontece com dois contaminados por HIV, tratados de outras doenças com o transplante de células-tronco de medula e que se viram livres do vírus. A primeira das duas pessoas é o americano Timothy Brown, conhecido nos textos médicos como o “Paciente de Berlim”, que foi submetido ao transplante há 12 anos.

Brown, contaminado por HIV, e depois de se tratar com sucesso durante uma década com retrovirais, contraiu uma leucemia e recebeu o transplante de um doador. Só não se sabia que este tinha uma mutação genética, já detectada em pesquisas, que o tornava imune ao HIV. E assim o “Paciente de Berlim” tornou-se resistente ao vírus.

domingo, 24 de março de 2019

Artigo de Opinião - Governo Bolsonaro quer trazer de volta os manicômios no Brasil. Por Maria Teresa Cruz

Publicado originalmente no Ponte Jornalismo

POR MARIA TERESA CRUZ

O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica nesta quarta-feira (6/2) propondo novas diretrizes de políticas nacionais de saúde mental e de drogas. As mudanças provocaram alvoroço em especialistas na área e, especialmente, em que trabalha na ponta, com o usuário desse tipo de serviço. O texto de 32 páginas ataca diretamente demandas da luta antimanicomial, que existe no Brasil há mais de 30 anos, e que começou para combater as violações de direitos humanos nos hospitais psiquiátricos denunciadas após os anos 1970. Além disso, adota um discurso que reforça a guerra às drogas e, consequentemente, a criminalização do usuário de drogas, bastante amparada pelo racismo estrutural.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Artigo de Opinião - Negro, Cubano e Médico - Dorritt Harazim

18/11/2018

FONTE - O GLOBO 

Negro, cubano e médico
Assustados, se viram obrigados a passar por um corredor humano de colegas de profissão brasileiros que os chamavam de 'escravos'
Cinco anos atrás, esta coluna focou em um episódio lateral ao Programa Mais Médicos. Reproduzimos hoje o texto publicado em 1º de setembro de 2013 para cutucar a questão racial embutida na chegada/partida dos cubanos. Tudo a ver com o feriado do Dia da Consciência Negra:

"(...)Vale esmiuçar uma foto estampada na primeira página da "Folha de S.Paulo" desta terça-feira. A imagem mostra, em primeiríssimo plano, um homem de estatura forte e fisionomia tensa. Sua linguagem corporal é defensiva. Ele mantém o olhar fixo em algum ponto morto, talvez para evitar contato visual com a hostilidade à sua volta, e sua alegre camisa amarelona, xadrez, destoa do ambiente carregado. Ele é negro, cubano e médico.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Artigo de Opinião - Saúde mental também é emergência

Rio - Atuar em emergências médicas não significa apenas tratar do impacto físico de doenças, das dores ou feridas visíveis. Nossas experiências nos mostram, cotidianamente, que aquilo que é invisível às vezes pode doer mais e por mais tempo do que qualquer mal do corpo.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Crônicas do Dia - Orientação nutricional desde cedo

Uma lição imprescindível não foi ainda aprendida pela maioria das escolas. Não se pode negligenciar a importância da educação alimentar na infância e na adolescência, e a maioria falha na hora de dar a orientação correta aos estudantes. O aprendizado deveria começar pela própria montagem dos cardápios oferecidos às crianças e aos adolescentes, mas nem todas as unidades procuram o assessoramento de nutricionista. A consequência é que os alunos não se alimentam corretamente e ainda levam para a sua vida adulta esses maus hábitos.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Editorial do Jornal O Debate - Saúde

Pode até ser clichê, mas a sequência de denúncias e reclamações que se propagam pelas redes sociais, nos últimos dias, evidenciam o estado crítico em que se encontra a gestão da rede municipal de Saúde, um sinal de que os efeitos da recessão econômica nacional são potencializados na rotina do cidadão carente.

Caro e complexo, o sistema de assistência médica do município requer, por ano, mais de R$ 500 milhões para sustentar uma cadeia que conta com
hospitais de média e alta complexidade, unidades
de emergência, postos de saúde e polos da Estratégia da Saúde da Família (ESF).

domingo, 11 de junho de 2017

Artigo de Opinião - Câncer e politização - Gustavo Fernandes

Há dois anos, o Brasil tem vivido um período de graves problemas políticos, econômicos e, consequentemente, sociais. Em decorrência disso, todos os serviços do governo foram prejudicados e sofreram cortes generalizados. Dentre as inúmeras restrições nos recursos destinados para saúde, educação etc., foram reduzidas as verbas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (SP), onde há décadas eram produzidas pílulas de um composto referido por alguns como milagroso: a fosfoetanolamina sintética.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Você sabia disso ?

O Ministério da Saúde anunciou na semana passada que, a partir de 2017, incluirá meninos de 12 a 13 anos na campanha de vacinação contra o HPV, o vírus do papiloma humano, sexualmente transmissível, que causa uma s[erie de doenças. O plano é ampliar a faixa etária gradativamente até que, em 2020, a vacinação seja oferecida a meninos dos 9 aos 13 anos, como já ocorre com meninas desde 2014.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Vale a pena assistir !


Crônicas do Dia - Vitória sobre o gigante

Testemunhar o inesperado revés de poderosos parece ser uma de nossas mais unânimes satisfações. Há três mil anos, desde que um jovem pastor derrubou um guerreiro em um campo de batalha, o confronto entre Davi e Golias simboliza a possibilidade de derrota do mais forte. A história bíblica inspira a esperança de ser possível vencer gigantes.

Crônicas do Dia - Desinformação e câncer -

Muito se fala nas sequelas físicas que são deixadas nas mulheres que têm ou tiveram câncer de mama. Mas os aspectos psicoemocionais também deixam marcas. Até mesmo em mulheres que nem manifestaram a doença.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

As fragilidades do Bruxo do Cosme Velho

O “Bruxo do Cosme Velho” tinha um tabu: não admitia de forma alguma falar de suas frequentes crises de epilepsia. Sim, um dos maiores escritores em língua portuguesa, autor do célebre “Dom Casmurro”, fundador da Academia Brasileira de Letras, sim, ele mesmo, Joaquim Maria Machado de Assis, era epilético.

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Crônicas do Dia - Como a maconha afeta o cérebro adolescente


Estudo sueco sugere que uso abusivo durante a adolescência aumenta riscos de morrer antes dos 60 anos

JAIRO BOUER

Crônicas do Dia - Por que a queda no número de fumantes não traz só boas notícias


Os percentuais diminuíram, mas milhões ainda estão expostos ao fumo. E o vício começa cedo

JAIRO BOUER
20/06/2016 

Levantamentos recentes sobre tabagismo trazem boas notícias. Há uma clara tendência de queda do número de fumantes. No Brasil, a última pesquisa Vigitel, feita por telefone com 54 mil pessoas com mais de 18 anos, sugere que, em dez anos, o número de brasileiros fumantes caiu 34%. Mas não podemos esquecer que a realidade ainda é preocupante. Como 10% da população adulta fuma, mais de 20 milhões de brasileiros são expostos diariamente aos efeitos nocivos do cigarro.

terça-feira, 6 de setembro de 2016