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domingo, 26 de julho de 2020

Artigo de Opinião - Descaso Amazônico - Carlos José Marques


Uma tragédia de dimensões pandêmicas começa a afetar não apenas a imagem internacional do Brasil como a própria economia, as perspectivas de retomada e mesmo as chances de sobrevivência do parque produtivo nacional — e isso tem a ver com a vida de todos nós que buscamos uma saída em meio à rigorosa crise da Covid-19. O País exibiu, para assombro do mundo, um recorde consecutivo e implacável na área ambiental que diz muito do desprezo
com o qual o atual governo vem tratando o assunto. O desmatamento na região da Amazônia cresce, inapelavelmente, há 14 meses seguidos, exibindo índices devastadores, capazes de cobrir uma área equivalente a soma dos estados de Alagoas e Paraíba de uma só sentada. Jamais se viu algo parecido. E o período dos 14 meses de avanço da prática criminosa corresponde justamente ao hiato de gestão do mandatário Bolsonaro, desde a sua posse até aqui. É insano e improdutivo imaginar as razões que levam o chefe da Nação a permitir tamanha afronta a fauna e flora em tempos de escassez global de florestas e de seus biomas. Estaria Bolsonaro, na vocação natural à polêmica, buscando provocar o planeta?

Obra do acaso não foi. Ao contrário. Debite muito mais na conta do descaso esse pendor antiambientalista. Como resposta às estatísticas, Messias recorreu à saída covarde de sempre: mandou demitir a coordenadora-geral do INPE, Lubia Vinhas, na tática do “não gostou da mensagem, demita o mensageiro”. Já havia feito o mesmo, logo no início de gestão, com outro comandante do organismo, Ricardo Galvão, pelo mesmo motivo: não aceitou os números divulgados e, claro, ao invés de ensejar esforços para reduzir o problema, tirou da frente o técnico que fornecia as más novas. Típico de administrações totalitárias. Bolsonaro está pouco se importando com as invasões de terras, conflitos e ataques de mineradores em áreas de delimitação indígena, queimadas ou desmatamentos ilegais. Não atentou um minuto sequer para o prejuízo dessa escalada. Mas os empresários, sim e estão caindo em cima do vice-presidente Hamilton Mourão, a quem coube conduzir a pendenga sem muitos instrumentos para tal. Ceos de 38 das maiores corporações brasileiras e estrangeiras, de quatro entidades setoriais do agronegócio, do mercado financeiro e da indústria subscreveram um documento no qual pedem providências urgentes contra a catástrofe. É a primeira vez no governo Bolsonaro que líderes empresariais reclamam coletivamente da questão.

Doeu no bolso e a mobilização se fez inadiável. A mensagem do grupo diz com todas as letras que a percepção do consumidor estrangeiro sobre os produtos brasileiros é hoje a pior possível, devido, justamente, a essas práticas que vão de encontro à pregação generalizada pela preservação. E, de fato, não apenas compradores de todos os continentes como os próprios fundos estrangeiros, que gerenciam perto de US$ 4,1 trilhões, resolveram dar um basta às atrocidades ambientais verificadas atualmente na Amazônia. Os investidores exigem resultado prático e
comprometimento explícito com o combate à devastação do pulmão planetário. Deixaram clara a ameaça de que vão retaliar com a suspensão de recursos para o Brasil caso não enxerguem mudanças nesse sentido. Na Europa, por exemplo, campanhas pedindo o boicote a alimentos produzidos em áreas desmatadas por aqui viraram uma constante.

Uma delas fala em não adquirir “carnes frescas de matadouros do Brasil”. Para fazer frente a essa resistência e desmoralização transnacional, o Ministério da Agricultura bolou uma série de vídeos para abrandar a imagem do agronegócio e afastá-lo da chaga do desmatamento. Em inglês, um deles, localizando no mapa a origem do suco de laranja, do açúcar, da carne, da soja e do café brasileiros, diz: “Produzidos em harmonia com as florestas” e conclui com o mantra do “alimentando o mundo, respeitando o planeta”. Como peça de marketing pode fazer algum efeito, mas sem os resultados práticos e concretos nos índices aguardados de redução da calamidade ambiental, nada feito. O Planalto, por exemplo, parece girar numa outra rotação. O vice Mourão eximiu o governo de responsabilidade no desmate. Foi além: pediu financiamento dos críticos para conter o avanço. Quer US$ 4 bilhões em recursos para ações ambientais no País, via instrumentos financeiros de captação a serem criados. Mourão ainda fala em índio “mais integrado”, o que contraria por completo a ideia de preservação também das povoações indígenas. Em nova articulação, ex-ministros da Fazenda brasileiros e ex-presidentes do Banco Central também partiram à reclamação.


Alertaram para os custos monumentais do descuido de “eventos climáticos”. Pediram critérios de redução de emissões e do estoque de gases de efeito estufa na atmosfera e uma revisão na gestão política da questão. Por enquanto, especialmente o presidente Bolsonaro tem ignorado a necessidade de alguma resposta. Mourão fala em estender ações na Amazônia até 2022. Tem muito de jogo de cena e pouco de medidas efetivas a caminho. E nessa toada, como bem lembrou o ex-presidente do Banco Central e do BNDES, Pérsio Arida, o Brasil já virou “pária do investimento internacional”. O preço a pagar pelo descaso será alto.

Revista IstoÉ

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Você sabia disso? - Renomado virologista alemão alerta sobre ‘efeito rebanho’ contra coronavírus



Conforme reportado pelo Portal R7, uma proposição muito recorrente no Brasil, inclusive pelo Presidente da República,o chamado “efeito rebanho”, que consiste em apostar que 60 a 70% da população pode ser infectada para, a partir daí, gerar imunização da população, pode levar a ‘centenas de milhares de mortes’
Segundo o Instituto Robert Koch (RKI), um centro especializado em epidemiologia da Alemanha, advertiu nesta quinta-feira (30) contra a aposta na chamada “imunidade em grupo”, ou “efeito rebanho”, e reiterou que, até que uma vacina contra o novo coronavírus seja encontrada, o objetivo é manter a taxa de infecção baixa.
O presidente do RKI, Lothar Wieler, em entrevista coletiva, classificou essa proposta como “ingênua” e referindo-se especificamente à Alemanha, disse que se o vírus não puder ser controlado, o país terá que “lamentar várias centenas de milhares de óbitos”.
“E quem faz isso porque pensa que cria ‘efeito rebanho’ é ingênuo e certamente não tem em mente a saúde das pessoas que dependem dele”, asseverou o virologista.
Segundo ele, a chamada “imunização em grupo” não funciona e que deve ser levado em conta que a covid-19 pode ser acompanhada de quadros clínicos gravíssimos, provavelmente deixando sequelados os pacientes e que, até o momento, ainda não se sabe quão boa é a imunidade de quem já passou pelo contágio.
O especialista frisou que: “O que é claro é que se uma vacina for eficaz e segura, menos pessoas morrerão se forem vacinadas do que se estiverem naturalmente infectadas com o coronavírus” e asseverou: “A ideia de erradicar este vírus sem uma vacina não vai funcionar”.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Artigo de Opinião - A elite que lava as mãos e o vírus do individualismo - Ana Laura Prates



Em 1944, o filósofo Jean Paul Sartre escreveu uma peça de teatro traduzida para o português por “Entre quatro paredes”. Trata-se de três personagens – um homem e duas mulheres, uma delas homossexual –, que estão mortos e se encontram confinados entre quatro paredes sem espelhos, por toda a eternidade. Enquanto a trama se desenrola, ficamos sabendo da vida e dos pecados de cada um, refletido no olhar do outro, ao mesmo tempo em que disputas, rivalidades, ciúme e agressividade tomam conta do cenário, até a conclusão final: “o inferno são os outros”. Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, o psicanalista Jacques Lacan escreve um texto sobre o tempo, em um diálogo crítico com o filósofo. Esse texto é construído em torno de uma espécie de charada ou desafio: há três prisioneiros (como na peça de Sartre), mas eles são impessoais em gênero ou qualquer outra característica. O único que sabemos é que estão presos, e que o diretor do presídio oferece a possibilidade de que um deles saia. Ele apresenta aos prisioneiros 5 discos: 3 brancos e 2 pretos. Cola um disco nas costas de cada um e diz: o primeiro que descobrir a cor de seu próprio disco deve apresentar-se para sair, dando uma justificativa convincente para sua resposta (isso quer dizer que não vale chutar) e será libertado. É óbvio, portanto, que cada um dos presos pode ver o disco nas costas dos outros dois, e assim reciprocamente. É a partir daí que se inicia uma série de hipóteses que levará, acreditem, com que os três saiam simultaneamente.

Não vou demonstrar a vocês como se chega a essa solução. Quem está lendo esse texto provavelmente estará de quarentena, e terá tempo suficiente para matar a charada. Poderá, inclusive, fazer uma simulação da situação, para facilitar a compreensão de que a pressa de sair e o modo como os demais prisioneiros reagem serão fatores fundamentais para encontrar a saída. A brincadeira, entretanto, só funciona se houver uma reciprocidade absoluta entre os prisioneiros e a conclusão final é a de que não há saída do inferno, a não ser coletiva. Lacan conclui o seu belo texto dizendo que esse pequeno grupinho de três é uma espécie de fórmula mínima da coletividade, que finalmente aponta para a questão fundamental do que chamamos humanidade: como nos reconhecemos mutuamente como sendo humanos, a não ser pelo outro?

Eis, portanto, o paradoxo que nos aprisiona: o inferno são os outros, mas precisamos uns dos outros para sair do inferno. E estamos vivendo um momento histórico em que mais uma vez essa realidade se apresenta para a humanidade de modo dramático. Aqui no Brasil, ela é  quase uma piada pronta, mas de humor negro: não podemos mais dar as mãos em um momento em que ninguém deveria soltar a mão de ninguém. Enquanto a China vivia uma situação dramática há meses e a Europa começava a perceber que a COVID-19 não era apenas uma gripezinha, muitos jovens brasileiros afirmavam, sem nenhum pudor, que se tratava de uma doença de velhos. Conforme fui entrando em contato com os gráficos de transmissão dessa nova forma de coronavírus, cada vez ficava mais perplexa diante da percepção de que grande parte das pessoas, muitas delas cultas e bem informadas insistiam em discutir o assunto como se se tratasse tão somente de uma questão de saúde individual, de opiniões médicas ou de estatísticas transcendentais a respeito de taxas de mortalidade. Argumentos do tipo “há outras doenças que matam mais” ou “a H1N1 é muito mais letal” ou “é muita histeria coletiva”. Minha perplexidade se devia a dois fatores. O primeiro era a premissa de que os cuidados seriam excessivos, pois caso o sujeito A pegasse o vírus, a “gripe” não seria assim tão forte. Em outras palavras, o sujeito A ainda não tinha entendido que o assunto não era sobre ele não pegar o vírus, mas não passar para os demais. O sujeito A, como só pensa em si mesmo e nos seus, não conseguia entender que ele podia não apresentar nenhum sintoma, ou só uma gripezinha caso pegasse o vírus – graças à sua idade, a sua excelente condição de saúde e seu plano de saúde – mas que ainda assim poderia ser o vetor de contaminação em progressão geométrica, devido à facilidade com a qual ele se transmite, atingindo rapidamente pessoas vulneráveis, sem que houvesse tempo de acolher a todas como se faz necessário. Em síntese: colapso no sistema de saúde como um todo! Isso é um fato na China, na Itália, em Paris, nos EAU e no Brasil. Mas, no Brasil, há muitos agravantes que tampouco foram levados em conta para o sujeito A. E é aí que entra o segundo fator estarrecedor. O sujeito A, oriundo da elite brasileira, que viaja à Europa com frequência, ou convive bem de perto com quem o faz, seguiu normalmente sua vida e sua agenda de compromissos após desembarcar, vindo de regiões nas quais a epidemia já se alastrava. Afinal, além de ser jovem e gozar de boa saúde, a taxa de mortalidade seria apenas de 2%. O sujeito A saiu aos quatro ventos expirando esse argumento ao mesmo tempo em que transmitia seus vírus através de sua saliva, de seu hálito puro e de suas operações mãos limpas. Ele simplesmente lavou as mãos. Em primeiro lugar, como se 2% de mortos fosse pouco, mas deixo essa observação sem comentários. O erro fundamental aqui é supor uma percentagem absoluta, como se ela fosse intrínseca exclusivamente ao vírus em si, e não às características sociais, sanitárias, econômicas, culturais, políticas, etc. das populações atingidas. Como se trata de uma nova doença, nós só conhecemos as estatísticas da China e de países da Europa, regiões com características completamente diferentes das do Brasil.

Os dias foram passando, o vírus também foram passando, e os argumentos de nossos governantes foram se revelando assustadoramente incongruentes. Dizia-se que ainda eram prematuras medidas drásticas de isolamento social, pois a epidemia aqui ainda estava no começo. Como se houvesse, por assim dizer, uma vontade própria na epidemia, como se ela tivesse uma velocidade inerente, e como se o estágio da epidemia fosse indiferente ao comportamento de seus transmissores em potencial. É mais ou menos como se fomentássemos um berçário de Aedes aegypti em plena epidemia de dengue, ao invés de tentar erradicar seus criadouros. No caso, os mosquitos éramos nós, e por isso deveríamos ficar em casa. Logo a seguir, vieram as respostas do sujeito B: “E os que não têm casa…”. Ora, justamente, sujeito B, como você tem casa, deveria ficar em casa, fomentar o mesmo comportamento em seus colegas, funcionários e amigos para não contaminar os que não têm casa. Porque em um país como o Brasil, se você não vai morrer, sujeito B, ou se em sua classe social a mortalidade, à primeira vista, será “só” de 2%, esteja certo de que ela será bem maior entre as classes menos favorecidas e as populações vulneráveis como os indígenas por exemplo.

Com o passar dos dias, e o alerta constante dos epidemiologistas, bem como o agravamento da situação na Europa, algumas fichas foram caindo bem lentamente, muito mais lentamente do que teria sido razoável, já que tivemos a chance, ou diria mesmo, a sorte de nos prepararmos antes, mas nada fizemos. E o que aconteceu a partir de então foi a revelação do outro lado da moeda. Da posição irresponsável e inconsequente da elite à qual pertence o sujeito A, passamos quase que automaticamente à fúria consumista do sujeito B de classe média, brigando por seu direito ao álcool gel e ao papel higiênico. Lembrei-me do dia em que fiquei durante 4 horas com meus filhos pequenos dentro do carro, no trânsito de São Paulo, em 2006, devido a uma ameaça de ataque do PCC. As pessoas subiam pela calçada com o carro, desrespeitavam o sinal, literalmente passavam umas por cima das outras. No caso atual, não seria irrelevante nos perguntarmos: porque papel higiênico? Fica o pedido para outros colegas psicanalistas desenvolverem a relação da mesquinhez com a fase anal, como bem assinalou Freud. Aliás, o fato de que o coronavírus chegou ao Brasil de avião não é um mero detalhe, mas uma metáfora funesta da lógica do extermínio que orienta nossas elites, como se houvesse dois tipos de seres humanos – voltamos a Lacan – aqueles que servem, e aqueles que usufruem. É igualmente bastante emblemática a morte da empregada doméstica que estava servindo os patrões infectados.

Leia também:  Jogo de futebol deflagrou a epidemia na Itália: por aqui, Bolsonaro defende
O fato é que na sociedade de consumo e individualista na qual estamos presos, vivemos como se tudo acontecesse por num passe de mágica. O sujeito B come hamburger no Mc como se aquele gosto delicioso – gosto não se discute – não viesse de uma cadeia de produção que envolve desmatamento, tortura animal, exploração de trabalhadores, indústria de ultraprocessados, venenos, etc. O sujeito A se aproxima da porta automática de sua garagem e abre te sésamo, ganha a rua em temperatura agradavelmente condicionada. Não sabemos onde moram os porteiros dos nossos prédios e como eles vivem. Também não sabemos e não queremos saber como o lixo desaparece de nossas lixeiras. E em que conduções e condições nossas domésticas chegam às nossas casas. Mas agora veio o vírus, e os “Aedes” A e B o fez chegar ao Sujeito C – que ao contrario do que disse o ministro – não havia passado as férias em Miami ou na Europa. Ainda não sabemos como ele vai reagir, mas certamente não dirá que é só uma gripezinha e tampouco poderá estocar álcool em gel ou papel higiênico. Mas sabemos as consequências em termos de saúde pública, abastecimento, economia, emprego, educação, laço social. Sinto informar, Sujeito A e B, mas vocês não vão conseguir escapar para Miami ou Lisboa, porque dessa vez, o vírus está em toda parte e os voos foram cancelados!


A COVID-19 escancarou a falência absoluta de um modo de vida que só se sustenta nessa nova forma de escravidão de servidores do deus mercado, sem direitos, sem saúde pública, sem Estado, sem bem estar social, em uma aceleração tal que só pode produzir deixando como resto a segregação, o lixo industrial e a morte de muitos. Há tempos esperávamos por uma catástrofe natural. Ela chegou. Há um corte, um antes e um depois dessa Peste. Não seremos os mesmos quando a vacina e a droga milagrosa finalmente forem testadas pela ciência, e comercializadas pelos laboratórios.  E está em nossas mãos a construção de um novo futuro mais digno para os nossos filhos, onde A, B e C possam reconhecer-se como humanos, e percebam que só há saída pelo coletivo. Até lá, não está mais na hora de “lavar as mãos”. A não ser que seja para uma mão lavar a outra!

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Artigo de Opinião - Vacinar é a melhor opção

Rio - Uma das premissas para um convívio harmônico em sociedade é o respeito às individualidades e às escolhas e preferências pessoais. Uma sociedade livre é uma sociedade em que o aceite das escolhas individuais e das diferenças ocorre de forma natural, espontânea. Liberdade de expressão, de opinião, religiosa, sexual... e também da decisão de se vacinar ou não. Mas até que ponto essa é apenas uma escolha individual?

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Editorial - O Globo - Pista para cura da Aids reforça a importância das pesquisas genéticas


Transplante de medula para contaminados por HIV abre novas possibilidades aos pesquisadores

A história da Ciência tem diversos relatos de avanços conseguidos ao acaso. Em certa medida é o que acontece com dois contaminados por HIV, tratados de outras doenças com o transplante de células-tronco de medula e que se viram livres do vírus. A primeira das duas pessoas é o americano Timothy Brown, conhecido nos textos médicos como o “Paciente de Berlim”, que foi submetido ao transplante há 12 anos.

Brown, contaminado por HIV, e depois de se tratar com sucesso durante uma década com retrovirais, contraiu uma leucemia e recebeu o transplante de um doador. Só não se sabia que este tinha uma mutação genética, já detectada em pesquisas, que o tornava imune ao HIV. E assim o “Paciente de Berlim” tornou-se resistente ao vírus.

Artigo de Opinião - O amor vence os desafios do déficit de atenção

Rio - As famílias que convivem com os portadores do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) percorrem um labirinto com muitas entradas e becos escuros até encontrar a luz no fim do túnel. O início é marcado quase sempre por uma fase cheia de interrogações e os caminhos são tortuosos até a evolução para a saída.

domingo, 24 de março de 2019

Artigo de Opinião - Governo Bolsonaro quer trazer de volta os manicômios no Brasil. Por Maria Teresa Cruz

Publicado originalmente no Ponte Jornalismo

POR MARIA TERESA CRUZ

O Ministério da Saúde divulgou uma nota técnica nesta quarta-feira (6/2) propondo novas diretrizes de políticas nacionais de saúde mental e de drogas. As mudanças provocaram alvoroço em especialistas na área e, especialmente, em que trabalha na ponta, com o usuário desse tipo de serviço. O texto de 32 páginas ataca diretamente demandas da luta antimanicomial, que existe no Brasil há mais de 30 anos, e que começou para combater as violações de direitos humanos nos hospitais psiquiátricos denunciadas após os anos 1970. Além disso, adota um discurso que reforça a guerra às drogas e, consequentemente, a criminalização do usuário de drogas, bastante amparada pelo racismo estrutural.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Artigo de Opinião - Negro, Cubano e Médico - Dorritt Harazim

18/11/2018

FONTE - O GLOBO 

Negro, cubano e médico
Assustados, se viram obrigados a passar por um corredor humano de colegas de profissão brasileiros que os chamavam de 'escravos'
Cinco anos atrás, esta coluna focou em um episódio lateral ao Programa Mais Médicos. Reproduzimos hoje o texto publicado em 1º de setembro de 2013 para cutucar a questão racial embutida na chegada/partida dos cubanos. Tudo a ver com o feriado do Dia da Consciência Negra:

"(...)Vale esmiuçar uma foto estampada na primeira página da "Folha de S.Paulo" desta terça-feira. A imagem mostra, em primeiríssimo plano, um homem de estatura forte e fisionomia tensa. Sua linguagem corporal é defensiva. Ele mantém o olhar fixo em algum ponto morto, talvez para evitar contato visual com a hostilidade à sua volta, e sua alegre camisa amarelona, xadrez, destoa do ambiente carregado. Ele é negro, cubano e médico.

domingo, 23 de dezembro de 2018

Artigo de Opinião - Saúde mental também é emergência

Rio - Atuar em emergências médicas não significa apenas tratar do impacto físico de doenças, das dores ou feridas visíveis. Nossas experiências nos mostram, cotidianamente, que aquilo que é invisível às vezes pode doer mais e por mais tempo do que qualquer mal do corpo.

sábado, 24 de março de 2018

Você sabia disso ? - O planeta pede água


A crise é mundial: 20 países exauriram suas reservas e a cada cinco minutos 500 pessoas morrem de sede ou por beberem de fontes contaminadas. No Brasil, onde o quadro é igualmente preocupante, especialistas alertam: é preciso poupar e garantir com rigor a qualidade do precioso líquido

segunda-feira, 12 de março de 2018

Crônicas do Dia - Orientação nutricional desde cedo

Uma lição imprescindível não foi ainda aprendida pela maioria das escolas. Não se pode negligenciar a importância da educação alimentar na infância e na adolescência, e a maioria falha na hora de dar a orientação correta aos estudantes. O aprendizado deveria começar pela própria montagem dos cardápios oferecidos às crianças e aos adolescentes, mas nem todas as unidades procuram o assessoramento de nutricionista. A consequência é que os alunos não se alimentam corretamente e ainda levam para a sua vida adulta esses maus hábitos.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Crônicas do Dia - A valentia de Eduardo - Gabriel Chalita

Tudo em um hospital. Eduardo tem câncer e luta para reequilibrar o seu organismo e os seus pensamentos. A mãe, sempre presente, exerce a nobilíssima profissão de disfarçar a dor. Sorri o sorriso que encontra em algum esconderijo valente dentro dela e fala sobre o futuro como quem acredita nele. Acompanhados.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Artigo de Opinião - Mais racionalidade na discussão sobre aborto - José Gomes Temporão










No dia 27 de novembro, a Academia Nacional de Medicina (ANM) enviou uma carta aberta para a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), em que defende a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. A ANM, cuja fundação em 1829 antecede à do STF em mais de 60 anos, sempre contribuiu para balizar o debate sobre saúde com base em evidências. A prática do aborto é bem mais antiga que a Academia e o STF e, pelo menos, desde a Antiguidade está entre as opções que as mulheres têm para controlar sua reprodução. A interrupção voluntária da gravidez sempre foi praticada e não diminui só porque uma parte da população a desaprova.

domingo, 11 de junho de 2017

Artigo de Opinião - Câncer e politização - Gustavo Fernandes

Há dois anos, o Brasil tem vivido um período de graves problemas políticos, econômicos e, consequentemente, sociais. Em decorrência disso, todos os serviços do governo foram prejudicados e sofreram cortes generalizados. Dentre as inúmeras restrições nos recursos destinados para saúde, educação etc., foram reduzidas as verbas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos (SP), onde há décadas eram produzidas pílulas de um composto referido por alguns como milagroso: a fosfoetanolamina sintética.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Você sabia disso ? - Mosquitos que transmitem a febre amarela silvestre podem entrar em casas próximas a matas



Risco de ser picado pelos transmissores não existe só para quem frequenta áreas verdes



RIO - A casa deles é a copa das árvores que ficam em florestas, inclusive as urbanas, como a da Tijuca. O que não impede que cheguem a quintais, jardins e varandas de residências localizadas perto de matas. Por isso, o risco de ser picado pelos transmissores da febre amarela silvestre — os mosquitos das espécies dos gêneros Haemagogus e Sabethes — não existe só para quem frequenta áreas verdes, explica o infectologista e especialista em entomologia médica Aloísio Falqueto, que, desde janeiro, investiga o surto da doença em Minas Gerais e no Espírito Santo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Você sabia disso ?

O Ministério da Saúde anunciou na semana passada que, a partir de 2017, incluirá meninos de 12 a 13 anos na campanha de vacinação contra o HPV, o vírus do papiloma humano, sexualmente transmissível, que causa uma s[erie de doenças. O plano é ampliar a faixa etária gradativamente até que, em 2020, a vacinação seja oferecida a meninos dos 9 aos 13 anos, como já ocorre com meninas desde 2014.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Crônicas do Dia - Vitória sobre o gigante

Testemunhar o inesperado revés de poderosos parece ser uma de nossas mais unânimes satisfações. Há três mil anos, desde que um jovem pastor derrubou um guerreiro em um campo de batalha, o confronto entre Davi e Golias simboliza a possibilidade de derrota do mais forte. A história bíblica inspira a esperança de ser possível vencer gigantes.