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terça-feira, 15 de setembro de 2020

sexta-feira, 27 de março de 2020

Artigo de Opinião - Machado de Assis: nasceu pigmeu, morreu gigante

Este ano comemora mais um ano de nascimento do maior e mais completo escritor brasileiro. Tinha tudo para dar errado na vida, mas com talento e disciplina chegou no topo naquilo que fazia com paixão.

Sem patrimônio genético ou material, fez da existência um legado impagável e imensurável. Soube como ninguém identificar as adversidades e, mais do que isto, transpô-las com elegância e realismo.

Sua obra não tem decaída, seus recheios literários não nos trazem indigestão intelectual. Sua regularidade está acima de qualquer lampejo de nossos maiores escritores e seus lampejos distanciarem quilometricamente destes mesmos escritores. Já li muitas obras, salvo por uma única frase ou até mesmo por um parágrafo. Em Machado de Assis sua genialidade faz seus recheios literários nivelar ao topo de nossos maiores escritores.

Analiso apenas o conteúdo, não tenho estatura técnica para analisar o malabarismo em quem faz com língua portuguesa. Era sem duvida nenhuma um escritor diferenciado e singular.

Nasceu desprotegido, mas com avanço de existência, soube se armar e criar uma redoma protetora capaz de defende-lo da marginalidade em que o destino impunha.

Retratou a sociedade carioca de seu tempo como expectador. Era sem duvida naturalista e realista. Fez da literatura um instrumento capaz de identificar macro cosmo do comportamento de seu tempo.



O legado de Machado de Assis na literatura é imensurável, mas sua referência maior é como símbolo de ascensão social.

Mostrou para a sociedade contemporânea do que no mundo atual nada é fato consumado. E que a mutabilidade social é extremamente dinâmica. Ele, que nasceu pigmeu e morreu gigante, nos faz compreender um fenômeno sociológico. O que vemos hoje é uma inversão dos que nasceram gigantes e hoje estão morrendo pigmeus. Estes novos valores são um fenômeno contemporâneo. E Machado de Assis é a síntese do que ascenderam socialmente pelo talento. Hoje o talento é um patrimônio vitalício e o patrimônio material está transformando em miserabilidade devida suas fragmentações entre os próprios familiares. Ao caso de que o patrimônio abstrato é de produção abundante e eterna, contemporizada pela sociedade contemporânea com uma certa idolatria devido a expansão e o domínios da mídias.

Hoje é bem melhor nascer inteligente do que em berço de ouro, pois o conhecimento que o inteligente possuiu do mundo e de si próprio não tem patrimônio material que acoberta.

Machado de Assis é exemplo literário e de vida em que devemos seguir. Ele soube conservar pequeno na grandeza conquistada. Suas obras se transpõem para o mundo moderno com fidelidade da imutabilidade da natureza humana. Em um de seus lampejos dizia que algumas madames da sociedade carioca de sua época “não tinha cultura, mas tinha finura.” Digo eu finura o tinha que nasceu pigmeu e no confronto com a vida conseguiu se esmerar e morreu  gigante.



Juarez Alvarenga – advogado e escritor

domingo, 1 de abril de 2018

Você sabia disso ? - Vanguardas Europeias

As vanguardas europeias foram manifestações artístico-literárias surgidas na Europa, nas duas primeiras décadas do Século XX, e vieram provocar uma ruptura da arte moderna com a tradição cultural do século anterior.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Você sabia disso ? - Vanguardas Europeias








As Vanguardas Europeias representam um conjunto de movimentos artísticos-culturais que ocorreram em diversos locais da Europa a partir do início do século XX.
As vanguardas artísticas europeias que se destacaram foram: Cubismo, Dadaísmo, Surrealismo, Futurismo, Expressionismo.
Juntos, esses movimentos influenciaram a arte moderna mundial desde pintura, escultura, arquitetura, literatura, cinema, teatro música, etc.
As vanguardas artísticas ultrapassaram o limite até então encontrado nas artes, propondo assim, novas formas de atuação estética ao questionar os padrões impostos.
No Brasil, elas influenciaram diretamente o movimento modernista, que teve início com a Semana de Arte Moderna de 1922.
A palavra vanguarda, do francês “avant-garde” significa a “guarda avançada”, o que pressupõe, nesse contexto, um movimento pioneiro das artes.

Contexto Histórico

Com o advento da revolução industrial no século XIX e da primeira guerra mundial no início do século XX, a sociedade passava por diversas transformações.
Destacam-se os avanços tecnológicos, progressos industriais, descobertas científicas, dentre outros.
Nesse sentido, a arte demostrou a necessidade de propor novas formas estéticas e de fruição artística, pautadas na realidade vigente.
Dessa forma, os movimentos artísticos europeus surgidos no fervor dos ideais da época foram diretamente contra os ideais da guerra.
Os artistas utilizavam da ironia e da capacidade de “chocar” o público, a fim de despertar outras maneiras de apreciar e refletir sobre a vida.
Por outro lado, um deles exaltou os avanços tecnológicos e o progresso, como é o caso do futurismo italiano.


Vanguardas Artísticas Europeias: Resumo

Confira abaixo cada uma das vanguardas artísticas europeias, suas principais características, artistas e obras:

Expressionismo

Surgido na Alemanha em 1905, o expressionismo foi um movimento artístico calcado na expressão das emoções e dos sentimentos.
Possuía um caráter deveras subjetivo, irracional, pessimista e trágico, justamente por enfatizar as mazelas e os problemas do ser humano.
O artista norueguês Edvard Munch é o precursor do expressionismo. Sua obra mais importante é O Grito (1893), considerada uma das mais emblemáticas do movimento expressionista.
Além dele, merecem destaque os artistas: Paul Klee, Kandinsky, Modigliani e Van Gogh.


Cubismo

O cubismo foi um movimento artístico pautado na geometrização das formas e no abstracionismo.
Foi iniciado em 1907 pelo pintor espanhol Pablo Picasso, com a tela "Les Demoiselles d'Avignon" (As damas d'Avignon).
Outros representantes do movimento foram: Georges Braque, Juan Gris e Fernand Léger. No Brasil, temos como destaque as obras de Tarsila do Amaral.


Futurismo

Movimento encabeçado pelo poeta italiano Filippo Marinetti no dia 20 de fevereiro de 1909.
Suas principais características eram a exaltação da tecnologia, das máquinas, da velocidade e do progresso. Um dos expoentes da pintura futurista foi o artista italiano Giacomo Balla.
No Brasil, os ideais da Semana de Arte Moderna, que inauguraram o movimento modernista no país, sofreram grande influência do futurismo. Isso porque a rejeição ao passado bem como o culto do futuro propulsionaram as ideias modernistas.


Dadaísmo

Movimento ilógico encabeçado por Tristan Tzara em 1916, que mais tarde ficou conhecido como o propulsor dos ideais surrealistas.
Além dele, outros líderes do movimento foram: o poeta alemão Hugo Ball e o pintor, escultor e poeta franco-alemão Hans Arp.
As principais características do dadaísmo são: a espontaneidade da arte pautada na liberdade de expressão, no absurdo e irracionalidade.
Sem dúvida, o pintor e escultor francês Marcel Duchamp foi uma das figuras mais emblemáticas do movimento dadaísta com seus objetos prontos (ready-made) que se afastam de sua função original. A Fonte é uma das obras mais representativas desse momento.

Surrealismo

O surrealismo, liderado pelo artista André Breton, despontou em Paris em 1924.
Pautado no subconsciente, esse movimento era caracterizado por uma arte impulsiva, fantástica e onírica.
Alguns artistas que merecem destaque são Giorgio de Chirico, Max Ernst, Joan Miró, René Magritte e Salvador Dali.
A literatura e as artes plásticas brasileiras sofreram grande influência dessa vanguarda. Merecem destaque: o escritor Oswald de Andrade e os artistas plásticos Tarsila do Amaral, Ismael Nery e Cícero Dias..

https://www.todamateria.com.br/

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Machado de Assis e o Espiritismo


Machado de Assis e o Espiritismo

             No ano que marca o centenário de morte, ou, melhor dizendo, de imortalidade de Machado de Assis, é natural que voltemos a nos debruçar sobre sua obra buscando ainda compreender o processo de formação de um escritor de seu nível.  A dimensão da obra machadiana é tal que se torna até o momento inesgotável, sendo possível ao pesquisador encontrar na mesma um vasto campo temático para suas análises.

            Como homem de seu tempo, Machado se nos apresenta como um inteligente observador da sociedade, capaz de transformar os acontecimentos mais corriqueiros em farto material para sua produção literária em todas as expressões a que se dedicou.

Entrevista com Machado de Assis

Ainda abalado pela morte da esposa, o brilhante escritor Machado de Assis impressiona pelo ceticismo, mas nega ter abandonado de vez seu lado romântico

Daniel Piza 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A Semana de 22

A partir do início do século 20, uma série de transformações profundas chachoalhou as estruturas da antiga ordem moral, social e econômica do mundo. O epicentro da mudança foi a Europa. Nasceu uma nova visão de mundo, que a arte reverberou intensamente.
A fábrica prometia prosperidade. O automóvel acelerava a vida. As máquinas, de modo geral, assegurariam mais conforto e felicidade. O futuro havia chegado. Era tempo de se livrar de tudo aquilo que tivesse o gosto azedo de passado. As vanguardas artísticas europeias, como o Futurismo, o Cubismo, o Dadaísmo e o Surrealismo, chegaram em busca do novo, do genuíno, de novas abordagens e linguagens, inaugurando uma fase criativamente efervescente, baseada no princípio da experimentação. Abaixo tudo que fosse para tolher a genuína criatividade, acima de tudo que libertasse e celebrasse os novos tempos.

No Brasil, nas primeiras décadas do século 20, as coisas também já mudavam de figura: as cidades ganhavam importância. A burguesia nascente brasileira se fortalecia. As vanguardas modernistas, portanto, encontram um contexto também propício, por aqui. Os escritores Mário de Andrade e Oswald de Andrade se converteram nos principais incentivadores da busca de uma arte brasileira renovada, que assimilou as mudanças propostas no exterior, mas tivesse forma e conteúdo próprios, concectados com nossas raízes.

A Semana de Arte Moderna de 22, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro , foi o grande marco dessa nova visão e sensibilidade. Mas, afinal, o que queriam esses tais modernistas? Boa parte do público que foi conhecê-los, na Semana de 1922, não gostou de nada do que viu.
Os modernistas defendiam alguns pressupostos para a arte e para a vida. Na literatura, adotaram uma linguagem muito mais coloquial; praticaram o verso livre; elegeram novos temas poéticos, bem prosaicos, do dia a dia; valorizaram e trouxeram a cultura popular para dentro da arte tradicional, refundindo tudo; inauguraram, assim, um novo lirismo.
O nacionalismo também foi importante para os modernistas. Recuperaram, por exemplo, a linha indianista inciada com o Romantismo, mas dela subtraem toda idealização. Querem uma volta radical a certas raízes, de que a antropofagia de Oswald de Andrade foi o melhor exemplo. Absorver o que vem de fora, sim, mas , em seguida, misturá-la com nossas raízes e digeri-la bem, resultando uma arte nacional, a exemplo do que fizeram os índios com o bispo Sardinha - fato transformado em alegoria por Oswald, no Manifesto Antropófago, em 1928.
Mário de Andrade também abordou o conceito de nacionalismo em sua obra mais famosa, Macunaíma, o Herói sem nenhum caráter.