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domingo, 6 de setembro de 2020

Entrevista - José Vicente - "Há uma verdadeira limpeza étnica contra os negros"

 O professor e empresário José Vicente, 61 anos, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares, atua de maneira destacada na valorização da educação inclusiva e equânime da população historicamente abandonada. Esse é o tema de sua vida: a condição dos negros brasileiros e tudo que permeia essa questão. “Em todos os espaços de poder, as pessoas negras são minoria, seja dentro do ambiente empresarial, seja nos três Poderes da República, seja em qualquer instituição pública ou privada”, disse José Vicente, em entrevista à ISTOÉ. A estrutura de comando universitário segue essa regra. José Vicente está entre os poucos reitores negros do Brasil e o único de uma instituição privada. Ex-bóia-fria, ex-policial e educador por excelência, ele discorre linearmente sobre o Brasil e os EUA explicando quais são as razões que levaram a ações de barbárie, quase diárias, que o mundo inteiro viu pela imprensa. Para o professor, a selvageria que vitimou George Floyd, em Minneapolis, e a violência que atingiu o menino João Pedro, no Rio de Janeiro, pertencem à mesma matriz ideológica. Ao falar sobre políticas, especificamente a respeito do governo Bolsonaro, ele é contundente. “O governo já tornou público que não tem nenhuma disposição para resolver a questão da discriminação e do racismo. Pelo contrário, tem reservas”, afirma. “Com Bolsonaro não é permitido o livre pensamento. Esse é o governo da negação”.

domingo, 26 de julho de 2020

Resenha / Entrevista - O Cronista do Brasil ( ou coisa parecida )


Reunir as melhores crônicas de Luis Fernando Verissimo publicadas no último ano já seria uma tarefa difícil. Fazer uma seleção entre os textos publicados ao longo dos seus 50 anos de carreira parecia, então, quase impossível. Mas aconteceu: “Verissimo Antológico – Meio século de crônicas (ou coisa parecida)”, coletânea com mais de 300 textos, chega ao mercado em formato e-book

Pensei em escrever esse texto sobre Luis Fernando Verissimo em formato de crônica. Descartei a ideia imediatamente. Por diversas razões, mas principalmente porque a imagem de Verissimo jogando a revista na lareira de sua casa me atormentaria até o final dos meus dias. Ou pior: talvez a própria lareira rejeitasse o escrito. Afinal, não é uma chaminé qualquer que aconchega a residência de Petrópolis, arborizado bairro de Porto Alegre, onde o autor mora desde a infância e há 57 anos divide a casa com a mulher, Lúcia. Aquela é a lareira ao lado da qual seu pai, Érico Verissimo, escreveu seus clássicos. Para se ter uma ideia, no relógio da escrivaninha e pela janela, ele acompanhava, respectivamente, o tempo e o vento. É de se supor que o fogo, ali, esteja acostumado a ser alimentado com palavras mais saborosas.

O livro “Verissimo Antológico — Meio século de crônicas (ou coisa parecida)” reúne mais de 300 textos publicados em jornais e revistas de todo o País. A carreira como cronista começou precisamente em 19 de abril de 1969, quando o autor estreou em uma coluna no “Zero Hora”, o mais gaúcho dos jornais de Porto Alegre. A referência nominal à cidade faz sentido porque só assim podemos compreender por que Verissimo escreve como ninguém. Como ninguém, não: como um único alguém. Ele mesmo. Os gaúchos são brasileiros elevados à enésima potência. São mais difíceis de agradar, no bom sentido. Um governador nunca se reelegeu no Rio Grande do Sul. As condições e contradições do País são, para eles, um verdadeiro banquete onde podem degustar suas opiniões e regurgitar suas críticas. Verissimo é um gaúcho da gema, se é que existe isso. Em seu pequeno refúgio no Sul, longe das árvores da Amazônia, do sertão nordestino ou dos arranha-céus da Avenida Paulista, ele é o mais brasileiro dos cronistas. Ou o mais cronista entre os brasileiros. Não precisa sair por aí para decifrar ou devorar o zeitgeist do País: o Brasil entra por suas janelas e vai parar em suas palavras, tornando-se seu.

Ao longo de 50 anos, as crônicas de Verissimo passeiam pela nossa história como um registro bem humorado de tempos leves e pesados. Durante o regime militar, era obrigado a caprichar nas sutilezas para que os censores não as captassem; no processo de redemocratização, narrou a esperança pela qual estamos esperando até agora. Do início da revolução digital à polarização dos dias de hoje, Verissimo tem sempre algo inteligente a dizer. Essa capacidade de síntese é um de seus 534 maiores talentos. Às vezes seus textos são engraçados, mas é porque o brasileiro é um povo divertido mesmo. Em outras, o humor pelo menos ajuda a varrer nossos problemas para baixo do sorriso. Apesar das crônicas nesse e-book serem separadas por décadas, o leitor pode abrir em qualquer página virtual e dar de cara com o mesmo País. Os problemas podem até ser outros, mas Verissimo encontrou uma forma única de transformar cinco décadas da história de um povo em uma coleção de crônicas – ou coisa parecida.

ENTREVISTA
Luis Fernando Verissimo, escritor

“Uma boa crônica é lida e entendida em qualquer contexto”

Istoé – Nesses 50 anos de carreira, o senhor já escreveu milhares, talvez milhões de crônicas. Como foi possível escolher entre elas? O que torna uma crônica melhor que as outras?
Luis Fernando Verissimo – O critério da escolha deve ser a atualidade da crônica, mas isso nem sempre vale.
Às vezes a qualidade do texto independe da sua atualidade. Mas, em geral, uma boa crônica é lida e entendida em qualquer contexto. Você lê hoje as crônicas do Rubem Braga ou do Antonio Maria escritas há 50 anos
com o mesmo prazer de antes, por exemplo.

Antes de a música existir, ela é apenas silêncio. Antes de a crônica existir, é apenas um papel em branco. Qual é a diferença entre tocar e escrever? Para o senhor, que também é músico, o que seria o equivalente, na escrita, ao improviso no jazz?
Tentativas de escrever com o mesmo abandono com que se toca jazz não deram certo até agora, na minha debatível opinião. Estou pensando na literatura do Jack Kerouac e outros da sua geração. Um improviso de jazz permite uma liberdade que um texto que tenta simulá-lo, e ao mesmo tempo ser coerente e pensado como deve ser um texto literário, não consegue.

Qual é o assunto que sempre rende crônica? Há algum assunto sobre o qual é impossível dedicar
uma crônica?
Numa crônica cabe tudo. Qualquer assunto é assunto. O que se pode ou não se pode escrever é outra história. Depende do regime vigente. O regime vigente exerce grande influência sobre cronistas.

O Brasil de hoje rende uma crônica engraçada, triste ou absurda?
Triste, a caminho de absurda.

Se o senhor pudesse escolher apenas uma crônica, qual seria ela?
Essa eu vou passar. As crônicas são, mais ou menos, filhas da gente. Você pode ter uma filha favorita, mas não pode dizer qual é.

Há muita gente que acredita em ‘fake news’ – às vezes nem é por má fé, mas porque elas fingem ser as verdades que essas pessoas querem acreditar. Como se proteger das ‘fake news’? Como separar as ‘fake news’ das ‘news’?
Não há o que fazer contra “fake news” ou textos apócrifos. Só confiar que pessoas com um mínimo de informação ou discernimento saberão identificar o “news” real. No caso de crônicas com assinatura falsa, muitas vezes você se surpreende com a qualidade de um texto cujo autor não quis se identificar, ou preferiu atribuí-la a outro. Talvez por modéstia exagerada. Está tão difícil fazer algo que preste que nenhum elogio deve ser desperdiçado.

ara um escritor conhecido pelo bom humor, como competir com as notícias que se lê nos jornais?
Quem quer fazer humor profissional hoje em dia tem que competir com uma realidade cada vez menos engraçada e, principalmente, com os humoristas amadores, que tomaram o poder.

Com a pandemia, o esporte parou totalmente. Como o senhor tem sobrevivido sem futebol?
Não tem sido fácil. Nosso consolo é que, graças ao coronavírus, nenhum time está ganhando mais do que o Internacional, atualmente.

O senhor vê grandes cronistas brasileiros atualmente? Alguém que chame a sua atenção?
O melhor que apareceu nos últimos anos é o Antonio Prata. Também gosto muito do Gregório Duvivier, do Marcelo Adnet, do Fernando Caruso e da turma do Porta dos Fundos.

Saindo das crônicas e indo para a política: imagino que a escolha seja difícil, mas qual é o pior ministro do governo federal? E por quê?
Escolha difícil. Me dá mais um tempinho?

O senhor vê alguma liderança jovem e inspiradora na política? Como avalia até agora o trabalho
do governador Eduardo Leite?
O Eduardo Leite está indo bem, dentro dos limites do possível. Os limites do possível é que não estão ajudando ninguém.

Já que não entraram no livro, é bom perguntar: o que a Velhinha de Taubaté, o Ed Mort e o Analista de Bagé achariam do Brasil de hoje?
Todos estão fazendo a mesma pergunta: como é que se chega na Nova Zelândia?

“Não há o que fazer contra ‘fake news’ ou texto apócrifo. Só confiar que pessoas com um mínimo de informação ou discernimento saberão identificar o ‘news’ real”

Revista IstoÉ 


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Personalidades - Desmond Tutu


Ao longo da sua vida, o antigo arcebispo Desmond Tutu defendeu os pobres e oprimidos e combateu pacificamente o regime de segregação racial apartheid.
"Seremos livres! Todos nós! Pretos e brancos, juntos," gritava, em abril de 1993, para a multidão de mais de 100 mil pessoas, no funeral de Chris Hani, o líder do braço armado do Congresso Nacional Africano (ANC, na sigla em inglês) e forte opositor ao regime do apartheid que tinha sido assassinado.
A África do Sul assemelhava-se, na época, a um barril de pólvora. Depois de décadas de opressão da população negra, o Presidente Frederik Willem de Klerk anunciou reformas em 1990 e alguns presos políticos, como Nelson Mandela, foram libertados.
Em momentos difíceis da história do país, Desmond Tutu demonstrou coragem para seguir o ideal de uma nação arco-íris e de paz.
O arcebispo nasceu em Klerksdorp, a cerca de 200km de Joanesburgo. Foi professor, mas abandonou a profissão quando o Governo decidiu implementar um sistema de ensino para os negros pior do que o da população branca.
Desmond Tutu fez uma carreira teológica. Foi o primeiro bispo anglicano negro de Joanesburgo e depois arcebispo da Cidade do Cabo. Politicamente, simpatizava com o Congresso Nacional Africano. Em 1984, recebeu o Prémio Nobel da Paz pela sua ação não-violenta contra o apartheid. Mas mais importante, para Tutu, foram as primeiras eleições livres e democráticas da África do Sul, em abril de 1994.
"É fantástico. É um dia incrível para todo o nosso povo. E digo o nosso povo, pretos e brancos. Porque a partir de agora não vamos dizer o regime ilegal, será o nosso Governo," declarou na época.
Entre 1996 e 1998, Desmond Tutu liderou a Comissão de Reconciliação e Verdade, que abordou os crimes do apartheid. Milhares de vítimas do regime partilharam o seu sofrimento e os culpados pediram perdão. Com a comissão, o arcebispo pretendia alcançar um equilíbrio entre a justiça e a amnistia, o perdão e a reconciliação.
Atento aos desenvolvimentos do país, Desmond Tutu tornou-se também crítico em relação ao ANC.
"Nos primeiros anos da nossa de liberdade, a maior parte da população tendia a votar ANC. Mas agora, já não é exatamente assim. As pessoas tendem a questionar-se o que é bom. É isso que é a democracia," defendeu.
Com o seu modo alegre, sorridente e despreocupado, Desmond Tutu continua a ser muito querido entre os sul-africanos. Mas agora está mais resguardado. A saúde assim o obrigou. Em 1997, foi-lhe diagnosticado cancro da próstata. Três anos depois, aposentou-se. Diz que quer ter mais tempo para beber chá com a mulher.



domingo, 15 de julho de 2018

Personalidades - Carmen Miranda

Em 9 de fevereiro de 1909, há exatos 108 anos, nascia Maria do Carmo Miranda da Cunha. Conhecida mundialmente como Carmen Miranda, ela marcou a trajetória da música e fez muito sucesso entre as décadas de 30 e 50. Para celebrar a data de seu aniversário, o Google resolveu homenagear a Pequena Notável com um doodle, mostrando o quanto a artista foi influente e é personagem marcante da história. Sobre a sua vida e carreira, uma série de curiosidades merecem destaque. Confira!

Personalidades - George Orwell







domingo, 3 de junho de 2018

Personalidades - Olavo Bilac

Olavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, criou a cadeira nº. 15, que tem como patrono Gonçalves Dias.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Entrevista - Leandro Karnal

Historiador fala como o mundo virtual influencia na vida real



O historiador Leandro Karnal está rodando o país com a palestra “Felicidade e Liberdade: a Busca por um Mundo de Significados Reais”. Para o pensador pop, que tem mais de um milhão de seguidores no Facebook, as redes sociais criam modelos para serem seguidos semelhantes aos estabelecidos por religiões. Em entrevista, o escritor classificou como ‘cafona’ a ‘obrigatoriedade’ de felicidade constante, afirmou que a tristeza faz parte da caminhada para ser feliz e refutou a ideia de felicidade plena. Aos 55 anos, Karnal se considera mais feliz e admite que a grande vantagem de envelhecer é adquirir sabedoria.

Como pode ser definido o conceito de felicidade nos dias atuais?
Onde houver seres humanos, o conceito vai variar. Temos vivido a ascensão de dois valores fortes que regulam certo padrão de felicidade: o consumo e a popularidade via redes sociais. Sou adepto da ideia clássica de que a felicidade não é aleatória, mas deriva de opções e ações efetivas e de como lidamos com fracassos e sucessos. A velha ideia de que a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional contém parte da crença da nossa participação ativa nas coisas.

E o conceito de liberdade?
Hamlet (personagem do dramaturgo inglês William Shakespeare) define como independente do espaço: posso ser livre em uma casca de noz. Há coisas que limitam minha liberdade, como os vícios, por exemplo, e por isso devem ser combatidos. Drogas, álcool, excesso de qualquer coisa que se imponha à minha vontade é algo complexo. Apesar de parecer contraditório, por vezes, o controle de si garante mais liberdade. Somos sempre livres, mas gostamos de atribuir limitações.

Como as redes sociais influenciam ideais de felicidade e liberdade?
Criam modelos, como grandes religiões e pensamentos criam. Estabelecem um tempo líquido (conceito do sociólogo polonês Zygmunt Bauman) no qual “ser” é ser notado. É difícil saber se é bom ou ruim, porque a minha geração, mais velha, ainda distingue perfeitamente entre um amigo real, de carne e osso, e um amigo virtual. Isso não ocorre mais (nos dias atuais) e a própria percepção do real está ligada a redes. Temos um outro paradigma, um novo modelo. As redes formaram outra percepção de mundo e, como toda novidade, encontra detratores, especialmente entre adeptos da velha ordem.

Qual é a importância da tristeza para nossa vida?
A tristeza é um estado natural e não indesejável. Não se confunda tristeza com depressão, esta última é uma doença que escapa ao controle do indivíduo e que necessita de atenção profissional. A tristeza é parte essencial ao projeto de felicidade. Por exemplo, não importa o que você faça, você perderá alguém importante na sua vida. O luto mostra a importância das pessoas e é um amor com vetor trocado. Sou feliz porque já estive infeliz. A tristeza marca um ponto a partir do qual você estabelece a perspectiva da felicidade. Desejar que todos os momentos sejam de êxtase total é infantilidade. Perder meu pai e minha mãe rasgou meu coração e mostrou o quanto eu os amava. Hoje sou melhor como pessoa pelo amor deles.

Como a liberdade e a felicidade influenciam em nossa vida como sociedade?
Estabelecemos projetos públicos de felicidade. Todos querem a selfie do momento perfeito e com alguém famoso. Todos publicam e esperam likes. Ao contrário do que possa parecer, estamos em uma época de fraqueza narcísica. O verdadeiro narcisista não precisa da aprovação de ninguém.

É possível conquistar a felicidade plena?
A palavra plena não condiz com a condição humana. As religiões a projetam, no além paradisíaco. Em primeiro lugar, temos a finitude e, em segundo lugar, o caráter efêmero de tudo, do prazer à saúde. Único animal com consciência da morte, o ser humano vive em uma estrada determinada com fim conhecido. O que fazer antes do fim é o desafio de todo gesto de pensar.

Vivemos em uma sociedade em que somos, praticamente, obrigados a ser felizes o tempo todo, mas, em contrapartida, os níveis de depressão só aumentam. O que está acontecendo?
Isso é a grande cafonice contemporânea. Todos sorrindo o tempo todo, vestindo uma máscara dentária. Estamos com preconceito com a dor, inevitável ao viver. Achamos que a infelicidade é um acidente quando ela é inevitável em determinados momentos. Ter de parecer feliz sempre e postar sempre como estamos bem é algo muito, mas muito cafona.

De que forma a crise financeira e moral que enfrentamos no Brasil influencia na percepção de felicidade e liberdade das pessoas?
Temos uma época de pessimismo dominante, como a primeira década do século 21 foi de otimismo. Esse movimento é pendular na história. Mas essa é uma condição sociológica geral. Pode ser que você esteja muito bem hoje em meio ao pessimismo sobre as eleições de 2018. Pode ser que, no momento em que o Brasil parecia prosperar, em 2005, por exemplo, você estivesse mal. O pessimista, em geral, recolhe do real o que reforça sua posição pessimista.

Como você analisa a mudança de valores no Brasil ao longo da nossa história?
Toda época histórica constitui valores. Não apenas no Brasil, mas em todos os lugares, cada época ditou suas regras e sempre houve adaptados e transgressores. Cada rebelde e cada ajustado pagam um preço por aceitar ou não as molduras. Não existem pessoas integralmente livres e felizes, mas algumas olham pelas grades, outras lamentam e outras decoram a cela.

A população brasileira está envelhecendo. Muitos enxergam isto como algo ruim. Como envelhecer feliz?
Sou muito mais feliz aos 55 do que eu era com 18. Isso é subjetivo. A velhice tem mazelas, como a juventude tem. Quem anseia pela infância é o adulto, nunca a criança. A cor da morte combina com a cor da vida: jovens otimistas e estratégicos podem gerar, com mais facilidade, velhos otimistas e estratégicos. Há belezas e problemas no crepúsculo. Você tem mais dinheiro, menos colágeno, passa à frente nas filas, tem mais dores etc. Cada época é acompanhada de novas consciências. Pelo menos, o amadurecimento vem acompanhado de mais chance de ficar sábio. Ninguém é sábio com 15 anos.

Em um de seus vídeos, você fala que a solidão é o ‘lugar onde estou comigo mesmo’. Na sua concepção, isto é bom?
Solidão não depende de estar ou não com pessoas. Há solitários acompanhados e pessoas muito felizes sem ninguém. Solidão vista como defeito é a falta que eu sinto, uma ausência, um vazio insuperável. Solidão como virtude é estar consigo, bem, pensando ou fazendo coisas: absorvendo um livro, um chá, um vinho, um quadro ou uma música. Os diálogos do meu eu com o mundo não dependem dos outros. Se você nunca pode estar com ninguém e nunca pode ficar sem outra pessoa, temos um problema que não é com a solidão, mas com você.


Jornal Extra

quinta-feira, 29 de março de 2018

Você sabia disso ? - O legado da Semana de 22

O legado da Semana de 22


Da Semana de Arte Moderna, em 1922, para cá, Brasil amadureceu em relação à produção e ao consumo da arte. A análise é da ensaísta e professora titular de literatura brasileira do Departamento de Teoria Literária da Unicamp, Maria Eugênia Boaventura. Ela é autora do livro "22 por 22 : A Semana de Arte Moderna" (Editora Edusp). Em entrevista exclusiva à Folha da Região, a ensaísta comenta o legado deste movimento de vanguarda e diz que o povo brasileiro, hoje, recebe bem a produção de seus artistas.

A Semana de Arte Moderna, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, contou com a participação de escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos. Seu objetivo era renovar o ambiente artístico e cultural da cidade. Os artistas queriam a produção de uma arte brasileira, afinada com as tendências vanguardistas da Europa, sem, contudo, perder o caráter nacional.

Maria Eugênia orienta inúmeras pesquisas de iniciação científica, mestrado e doutorado, além de supervisão de projeto de pós-doutorado.

Suas pesquisas, bem como as de seus orientados, são assiduamente contempladas com financiamento de agências de fomento nacional, como CNPq, Capes, e Fapesp. Sua especialidade é a literatura brasileira como um todo, embora seja referência fundamental nos estudos sobre o modernismo e a literatura contemporânea. É pesquisadora relevante também sobre fontes primárias e arquivos privados.

O Livro

O livro"22 por 22" é uma coletânea de textos publicados originalmente em jornais de São Paulo e Rio de Janeiro ao longo daquele ano-chave e recupera o calor da polêmica que envolveu escritores, artistas, críticos e jornalistas num verdadeiro tiroteio verbal entre passadistas e futuristas - com destaque para nomes como os de Oswald e Mário de Andrade, Sérgio Buarque de Holanda, Sérgio Milliet, Plínio Salgado e Lima Barreto -realçado por caricaturas de Belmonte e Voltolino.

Para a escritora, a Semana de 22 não teria tanta importância sozinha. O que a tornou importante, afirma a pesquisadora, foram as mudanças que o evento provocou na vida cultural e intelectual de São Paulo.

"A semana teve sentido a partir do momento em que estimulou uma vida cultural interessante". A Semana, para a escritora, foi um marco na vida intelectual de São Paulo. O Ano de 1922 foi responsável pela construção da modernidade no Brasil ao instaurar efetivamente a vida cultural na cidade.

Leia trechos da entrevista:

O que motivou a senhora a selecionar esses textos e reviver o tema da Semana da Arte Moderna?

O que me levou a reunir este conjunto de textos foi a constatação da impossibilidade de encontrar este material reproduzido em qualquer livro sobre o Modernismo, impedindo assim que o interessado pudesse conhecer detalhes do processo de atualização da linguagem artística em geral. Em particular, o leitor tomará conhecimento das principais polêmicas fundadoras daquele movimento.

Quais textos e ideias a senhora destaca do livro como ponto de partida para novas discussões quase um século depois?

Os textos dos dois primeiros capítulos revelam de um lado o período de preparação da Semana, a escolha do nome, as pessoas envolvidas, a repercussão, a forma como se divulgou o evento, os temas preferidos, o nível de informação, o tom do debate. Acabam-se com as dúvidas sobre o processo de modernização da literatura brasileira.

Como foi o processo de pesquisa? A quem se destina o livro?

A Pesquisa procurou rastrear nas revistas e jornais do Rio e de São Paulo, exclusivamente em 1922, ano da Semana de Arte Moderna, textos sobre o citado evento, quer de autores favoráveis, quer de pessoas contrárias ao movimento em prol da atualização da cultura brasileira, ou do seu processo. O livro se destina a qualquer pessoa que deseje conhecer os bastidores do Modernismo, ou pelo menos de sua primeira festa. É uma pequena amostra do jornalismo da época. Portanto, também uma bibliografia para cursos de Letras, Jornalismo, Comunicação, História, etc.

A senhora acredita que o Brasil reconhece a valorosa contribuição dos artistas que participaram deste movimento?

Claro, não tem como não reconhecer. Basta observar como se produzia arte no Brasil do início do século 20 e comparar com o cenário que se descortinaria depois de 1922.

Hoje o Brasil carece de novas polêmicas e produções de vanguarda nas artes?

Isto acontece de modo cíclico, pelo menos no mundo ocidental. Movimentos artísticos surgem e revitalizam a vida cultural, desaparecem quando sua produção se torna convencional.

De 1922 para cá, o povo brasileiro progrediu ou regrediu na discussão e produção artística?

Acho que nem uma coisa, nem outra. Os artistas procuram rotineiramente manter a produção local atualizada, sobretudo em termos de técnica e linguagem. No mínimo, acho que o país amadureceu.

Como a senhora analisa a relação do brasileiro com sua história e sua arte?

Quando tem oportunidade o povo recebe muito bem: as exposições, os cinemas, os teatros estão lotados. Publica-se muito mais hoje no País. Tudo isso acontece, por enquanto, em zonas urbanas privilegiadas, ou seja mais ricas.

As escolas cumprem o seu papel de ensinar os estudantes sobre produção cultural?

Na medida do possível sim. Para que a situação melhore, o professor precisa ser mais valorizado, isto é, o seu salário tem que ser aumentado, muitíssimo. E as instalações escolares devem ser aprimoradas.

Obras ajudam a entender anseios do movimento artístico modernista

A Semana da Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922, é um dos períodos das história da arte brasileira mais retratados em livros. Vários especialistas investigam este movimento, destacando desde a sua importância para a criação de uma identidade artística nacional até sua influência nas políticas culturais do País.

Além de "22 por 22 : A Semana de Arte Moderna" (Editora Edusp), da professora Maria Eugênia Boaventura, os leitores interessados em conhecer mais sobre o tema podem buscar informações em publicações como "A Semana de Arte Moderna" (Editora Ática), de Neide Rezende; "Semana de 22 - Entre Vaias e Aplausos" (Boitempo Editorial), de Márcia Camargos; "A Semana de 22 - Coleção História em Aberto" (Editora Scipione), de Francisco Alambert.

MAIS

Também são consideradas obras importantes sobre este período os livros "Artes Plásticas na Semana de 22" (Editora 34), de Aracy A. Amaral; "Entre o Escândalo e o Sucesso - A Semana de 22 e o Armory Show" (Editora Unicamp), de Eliana Bastos; "A Ausência Lilás da Semana de Arte Moderna" (Editora Letras Contemporânea), de Tereza Virgínia de Almeida, e ainda "A Semana de Arte Moderna - Série Princípios" (Editora Ática), de Neide Rezende. J.o.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Personalidades - Mário de Andrade

Nasceu em São Paulo, Capital no dia 9 de outubro de 1893. Concluiu o ginásio e entrou para a Escola de Comércio Alves Penteado, ironicamente abandonando o curso após um desentendimento com o professor de Português. Em 1911 ingressou no Conservatório de Música de São Paulo, formando-se em piano.

domingo, 4 de março de 2018

Você sabia disso ? - Morre aos 95 anos a atriz Tônia Carrero


Ela estava internada para um procedimento cirúrgico na Clínica São Vicente, na Gávea, e teve uma parada cardíaca. O corpo de Tônia Carrero vai ser velado neste domingo no Theatro Municipal, no Centro do Rio, das 14h às 22h

04/03/2018

Crônicas do Dia - Bibi Ferreira, uma inspiração


O palco sempre foi seu confidente. Dos amores partidos. Das histórias que gostou de contar. Dos desassossegos tantos que lapidam a alma de um artista. Ela é nossa artista maior


Por Gabriel Chalita Professor e escritor

Era um sábado à noite. O diretor da peça, Tadeu Aguiar, estava na entrada, recebendo as pessoas. Mulheres e homens vinham chegando de lugares diferentes do Rio de Janeiro para assistir ao musical em homenagem a Bibi Ferreira.

Algumas senhoras comentavam sobre os dias difíceis da cidade. A violência parecia ser o ponto central das conversas. Cenas assustadoras compunham um palco de abandonos e malfeitos. A cidade mais linda do mundo estava prostrada. Seus filhos com medo de sair de casa. Quantas vidas interrompidas prematuramente, quantas lágrimas molhando as famílias enlutadas!

No palco do teatro, a cena era outra. A estrela Amanda Acosta é Bibi Ferreira. Impecável. Com ela, um elenco que sabe o que faz traz a história de uma inspiradora. Nascida Abigail, elevou-se a Bibi desde sempre. Filha de Procópio Ferreira, sofreu os preconceitos de uma elite que não compreendia o significado do teatro. Proibida de estudar em uma escola, tornou-se professora dos talentos. Deu vida a personagens, com profissionalismo e paixão. O palco sempre foi seu confidente. Dos amores partidos. Das histórias que gostou de contar. Dos desassossegos tantos que lapidam a alma de um artista. Ela é nossa artista maior. Sua voz fez renascer Piaf, Amália, Sinatra. Sua atuação ensinou que "qualquer desatenção pode ser a gota d'água".

Fez mais. Cantou os excluídos em 'My Fair Lady', o glamour em 'Hello Dolly', a saudade em tangos espanhóis. Apresentou programas de televisão. Entrevistou com conteúdo e elegância. Viveu e vive a vida como um presente de Deus. Os fracassos, exigiu que partissem rapidamente. Nunca teve tempo para lamúrias. Os sucessos, recebeu-os com humildade. Generosa, dirigiu e incentivou tantos outros a prosseguir. A buscar o melhor em cada um deles.

A peça terminou. Que pena. Na plateia, os aplausos eram de gratidão por estarem ali. As senhoras que falavam sobre violência, antes do espetáculo, comentaram sobre a saudade de um outro Rio de Janeiro. Mais romântico, mais vagaroso, mais humano. As expressões franzidas deram espaço a sorrisos. Disse uma à outra: "Nossa, como eu estou leve, como esse musical me fez bem".

Eis a resistência!

A arte é redentora da humanidade. É a porta-voz da elevação. Estamos ajoelhados diante dos medos e da ausência da esperança. A arte nos põe de pé. Ela nos faz olhar para o amanhã. Para 'O homem de La Mancha', também vivido por Bibi, levando-nos a prosseguir quixotescamente, enfrentando moinhos de vento e muros de horror.

Sim, os erros dos que exercem o poder constroem muros que separam pessoas. Umas das outras e elas de seus sonhos. Bibi Ferreira é também uma construtora, mas de inspirações. Aos 95 anos, empresta sua voz e seu talento para trazer a tal leveza que aquelas senhoras comentaram ao final do espetáculo.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Entrevista - Mary Del Priore

Com mais de 30 livros publicados, a historiadora Mary Del Priore está lançando o primeiro volume de uma ambiciosa tetralogia: “Histórias da gente brasileira – Vol.1: Colônia” (Leya, 432 pgs. R$ 54,90). Menos preocupada com os grandes fatos, feitos e nomes, vitórias e fracassos que marcaram a nossa nação que com aspectos esquecidos da vida cotidiana, ela investiga os códigos da vida de personagens anônimos e esquecidos. Busca, assim, registrar as verdadeiras histórias de pessoas comuns, mostrando como elas se vestiam, onde moravam, o que comiam, o que faziam para se divertir, como se relacionavam.  Nesta entrevista, Mary fala sobre a sua pesquisa, que lança luzes sobre a formação da nossa identidade como brasileiros.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Personalidades - Clementina de Jesus

Rodolfo Vicentini

Do UOL, em São Paulo



“Clementina é a voz dos milhões de negros desfeitos no fazimento do Brasil. Poderosa voz anunciadora do brasileiro que, amanhã, se assumirá como povo mulato, mais africano que lusitano”, resumiu o antropólogo Darcy Ribeiro sobre o papel da sambista que tem sua história contada na biografia inédita “Quelé, A Voz da Cor – Biografia de Clementina de Jesus”, escrita pelos jornalistas Felipe Castro, Janaína Marquesine, Luana Costa e Raquel Munhoz.

Personalidades - Harriet Tubman

































































































































































































sábado, 16 de setembro de 2017

“Vários desses traficantes foram formados em lares evangélicos”, diz pesquisadora

As recentes imagens da violência intolerante contra religiosos de matriz africana escancararam um problema recorrente desde pelo menos a década passada: a ameaça de grupos armados aos cultos afro em favelas e bairros populares do Rio. Além do horror e indignação frente a tudo que os vídeos mostraram, eles também fizeram ressurgir questões a respeito de como o ódio religioso pode ter chegado a tal ponto.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Entrevista - Rita Lee - "Uma palhaça que faz graça até da desgraça"

POR CRISTINA FIBE 13/08/2017 


 RIO — Ela anunciou a aposentadoria dos palcos, se isolou em sua casa em São Paulo, reduziu o contato (presencial, ao menos) com imprensa e público. Mas a cantora e compositora Rita Lee, que chega aos 70 no último dia do ano, não parou de trabalhar. Primeiro, viu sua “Autobiografia” virar fenômeno de vendas ao ser lançada, em novembro passado. Meses depois, leva às lojas mais uma obra, “Dropz” (Globo Livros), desta vez uma reunião de 61 contos que misturam ficção e realidade e acompanham pequenos desenhos da própria autora.

Sobre o tom descrente e sarcástico com que aborda, no livro, temas como terrorismo, feminismo e política, Rita diz que é preciso ter uma “boa dose de humor, ou a velhice pode ficar amarga demais”. Em entrevista por e-mail, ela conta ainda que gostaria de se aventurar num romance policial (“sou boa em desvendar crimes, meu autor predileto é Rex Stout”), anuncia um filme para breve, escondendo qualquer detalhe, e não descarta voltar a lançar um disco de inéditas (“nunca parei de compor”), se a “preguiça de aposentada deixar”.

Quando foram escritos os contos de “Dropz”? Você sempre teve o hábito de escrever ou o seu afastamento dos palcos é que gerou o tempo para a nova atividade?

Depois que escrevi a bio bateu um vazio tipo pós-parto, e naturalmente minha cabeça começou a imaginar um novo filho. Foi só pegar meu iPad que os contos foram saindo sem que eu soubesse o final deles, uma surpresa até para mim. Sempre tive o hábito de escrevinhar, mas depois que me afastei dos palcos pude extravasar mais o côté escritora.

O sucesso comercial da autobiografia te estimulou a lançar o novo livro?

Muito antes da biografia, eu escrevia historinhas pelo Twitter. Algumas acabaram saindo num livrinho com ilustrações de Laerte (“Storynhas”, de 2013). Séculos atrás (nos anos 1980 e 1990), lancei três livrinhos infantis sobre as aventuras de dr. Alex, um ratinho que defende os direitos dos animais. E, sim, a biografia me deu mais segurança para escrever o “Dropz”.

O livro traz desenhos seus. Qual o espaço que a Rita artista plástica ocupa na sua vida?

Veja você que além de ter a cara de pau de me pretender escritora também me meti a fazer as ilustrações do “Dropz”. Estou sempre envolvida com tintas e pincéis, me faz passar o tempo com mais leveza.

Qual é a história por trás do quadro que ilustra a capa do livro?

A capa é um autorretrato que fiz para Roberto (de Carvalho, seu marido) há 20 anos e é como sempre me vi: uma palhaça que faz graça até da desgraça.

Você já disse que os contos são historietas reais num mundo paralelo. Depois de uma autobiografia de sucesso, quanto de sua própria experiência ainda há nessas linhas?

Algumas delas são meditações cotidianas, outras são loucuras que passaram pela cabeça, outras ainda sou eu querendo imitar La Fontaine.

Nos contos, você aborda temas como terrorismo e violência e fala em um país que é o “reino da putaria”. Esses contos refletem a sua maneira de ver o mundo e o Brasil hoje?

Aos 70 anos, observo o mundo ao redor e os paralelos com mais desapego, hay que tener uma boa dose de humor e sarcasmo, ou a velhice pode ficar amarga demais.

Um conto como “Ateu” reflete a sua própria descrença do mundo? A raça humana não deu certo, como escreve no texto?

Psicografei a cabeça de um ateu no mundo de hoje: ele ia me contando como enxergava algumas questões sobre o assunto e eu apenas anotei. Sou uma ateia que coleciona santinhos de todas as religiões e que percebe o divino através dos animais; nós, humanos, somos apenas coadjuvantes.

Como vê a crise política que o Brasil enfrenta? Há solução em vista?

A polarização tá muito chatinha, não confio em nenhum dos lados. O voto obrigatório é o grande vilão do Brasil.

Quem seria o presidenciável que teria o seu voto no ano que vem?

Nenhum dos pré-candidatos até agora me fará sair de casa para votar.

Em entrevista ao GLOBO, Ney Matogrosso comentou, sobre as homenagens que recebeu no Prêmio da Música Brasileira, que a convidou para estar no palco da festa, mas você recusou. Ele chegou a dizer que o Rio estava mesmo muito perigoso para você vir. Foi o medo da cidade que a motivou a dizer não? Qual é a sua relação com o Rio hoje?

Cara, eu só saio da minha toca em caso de incêndio, coisas de uma velhinha que ficou cansada de agitos. Homenageio Ney nas minhas meditações, nas minhas orações, Ney é meu Bowie tropical. Faz um bom tempo que não vou ao Rio, no século passado tive a honra de ganhar cidadania carioca, sou uma paulista que não deixa falarem mal do Rio. #voltacapitalparaorio


O seu afastamento dos palcos prevê uma exceção para comemorar seus 70 anos, em dezembro? Há algum plano para a data?

O plano é lançar em março um coffee table book me auto-homenageando com fotos e curiosidades da minha vida. Vou passar meu aniversário quietinha com minha família, meus bichos e minhas plantas.

Uma exposição de itens seus seria possível? Como preserva seu acervo?

Tenho um sótão abarrotado de lembranças, dia desses faço uma expo-baú do arco da velha.

O que mais há para brotar dos seus escritos? Você anda compondo também?

Nunca parei de compor; dia desses, se minha preguiça de aposentada deixar, posso até lançar um disquinho de inéditas... Pensando bem, um single é bem menos trabalhoso e mais objetivo. E ainda vem aí um filme... Ah, são tantas emoções...



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