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quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Você sabe o que é Contracultura?


 A juventude representa possibilidades de mudanças e inovações na sociedade. Nas décadas de 60 e 70, jovens de várias partes do mundo iniciaram uma fase conhecida por movimento de Contracultura. Aproveitando as mudanças pelas quais a humanidade estava passando, como a descolonização da África e da Ásia e, principalmente, a explosão do maio de 1968, em Paris, a juventude mundial inaugurou uma era de rebeldia e de desapego material.

A principal característica do movimento de Contracultura foi a profunda crítica ao sistema capitalista e aos padrões de consumo desenfreado. Os jovens que integraram esse movimento de contestação aos valores morais e estéticos da sociedade global promoviam revoluções em seus modos de vestir. Suas roupas e penteados tornavam-se símbolos desse universo paralelo que eles elaboraram para romper com os modismos capitalistas das elites.

Os festivais de Rock, o consumo de drogas e a postura underground afirmavam a identidade desses jovens que por meio da arte e da música mostravam suas posições e suas alternativas de vida. Músicos como Jimi Hendrix e Janis Joplin entoavam o hino de luta por um mundo mais poético e menos incerto. Esses movimentos contestatórios chegaram ao Brasil dando origem ao grupo chamado de “Tropicália”, que contava com artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Tom Zé.

Esse movimento musical no Brasil inovou bastante a música popular brasileira, trazendo em suas letras versos irreverentes que rompiam com o tipo de música feito até então. Em suas roupas e estilos também havia a influência do estilo hippie que contestava os padrões elitistas da sociedade. O cinema brasileiro, com o cineasta Glauber Rocha, contribuiu para o nascimento do chamado Cinema Novo, em que os filmes criticavam a pobreza e as desigualdades sociais no Brasil.

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Não se pode deixar de mencionar também o importante papel que o escritor José Agrippino teve na difusão de ideias revolucionárias através de seus trabalhos, pois ele retratava temas centrais sobre alguns personagens, como Che Guevara, sinônimo de ideais socialistas. Essas inovações inspiraram artistas brasileiros mais adiante, como foi o caso do poeta da música Raul Seixas, que gritou ao mundo versos como “Viva a sociedade alternativa”, empolgando o surgimento de bandas de rock and roll no Brasil a partir da década de 1980. Assim, outros hinos foram entoados em solo brasileiro criticando temas relacionados à política e à desigualdade social, como nos casos das bandas Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs etc.

A contracultura nesse sentido seria uma forma de contestação dos padrões elitistas vigentes no mundo. A prioridade dos jovens que encabeçavam esses ideais era a de criar novas maneiras de viver e novos estilos que se diferenciassem dos modelos eruditos das classes dominantes.  No Brasil, portanto, houve representantes que soltaram sua voz através de sua arte, como uma maneira de criar, antes de tudo, outra cultura fora dos padrões dominantes.


Por Fabrício Santos
Graduado em História


O que você sabe a respeito do Maluco Beleza ?

 


Raul Seixas (1945-1989) foi um cantor, compositor, guitarrista e produtor brasileiro, um dos mais importantes nomes do rock no Brasil. Entre suas músicas destacam-se: “Maluco Beleza”, “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”, “Mosca na Sopa” e “Ouro de Tolo”.

Raul Santos Seixas nasceu em Salvador, Bahia, no dia 28 de junho de 1945. Era filho de Raul Varela Seixas, engenheiro de estradas de ferro, e de Maria Eugênia Santos Seixas.

Com sete anos iniciou no curso primário. Em 1557 ingressou no Colégio São Bento, mas foi reprovado na 2ª série por três anos. Foi então mandado para o curso interno do Colégio Marista, mas só completou a 3ª série.

Raul gostava de ler os livros da biblioteca de seu pai e criva suas próprias histórias desenhando os personagens nos cadernos da escola. Gostava de música, mas seu sonho era ser escritor.

Na adolescência ele ficava horas ouvindo as músicas de Elvis Presley e de Little Richard. Em 1959, junto com o amigo Waldir Serrão, fundou o fã clube “Elvis Rock Club”.

Os Panteras

Já integrado à cena do Rock em Salvador, em 1962, Raul entrou para a formação da banda “Os Panteras”, formado por Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba.

 Em 1963 a banda se apresenta no programa “Escada de Sucesso” na TV Itapuã. Em 1967 o grupo aceita o convite de Jerry Adriane para ir ao Rio de Janeiro. No ano seguinte gravam o primeiro e único disco “Raulzito e Os Panteras”.

No Rio de Janeiro “Os Panteras” passam por grandes dificuldades para divulgar o disco e com o apoio do cantor tocam como banda de apoio. Fase que ele mais tarde descreve na música “Ouro de Tolo”.

Com o Fracasso da banda, o grupo volta para Salvador. Ainda em 1968, Raul conhece o diretor da CBS, que mais tarde o convida para ser produtor da gravadora.

Aos poucos suas músicas foram gravadas por cantores da Jovem Guarda, entre eles, Jerry Adriane, Odair José e Renato e Seus Blue Caps.

Depois de alguns lançamentos mal sucedidos, em 1970, Raul participou do Festival Internacional da Canção com “Let Me Sing, Let Me Sing”, defendida pelo próprio Raul, e “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”, defendida por Lena Rios & Os Lobos.

Suas músicas chegaram à final e a partir daí, seu nome começou a se destacar. Foi então contratado pela gravadora Philips. Conheceu o escritor Paulo Coelho que mais tarde se tornou seu parceiro musical.

Primeiros sucessos

Em 1973 Raul Seixas lançou seu primeiro disco “Kring-ha, Bandolo!” que fez sucesso com as músicas “Ouro de Tolo”, “Mosca na Sopa”, Metamorfose Ambulante e Al Capone.


Em 1974 Raul Seixas, junto com Paulo Coelho, criou a “Sociedade Alternativa”, um conceito de sociedade livre inspirada no ocultista Aleister Crowley, que foi tema do disco “Gita”, lançado no mesmo ano.

No mesmo ano, Raul e Paulo foram presos pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) e exilados nos Estados Unidos.

De volta ao Rio de Janeiro, em 1975, Raul lançou “Novo Aeon”, que fez sucesso com a música “Tenta Outra Vez” composta também em parceria com Paulo Coelho.

Em 1976 lançou “Eu Nasci Há 10 Mil Anos Atrás”, um grande sucesso. Nos anos seguintes, Raul lançou “O Dia Em Que a Terra Parou”, onde se destacou a música “Maluco Beleza” e também a faixa título.

Ainda na década de 70, Raul lançou os discos “Por Quem Os Sinos Dobram” e “Mata Virgem”, ambos em (1979).

Década de 80

Em 1980, Raul gravou o disco “Abre-te Sésamo”, porém logo depois ficou sem gravadora e mergulhou no álcool e nas drogas, sem perspectiva de novas gravações.

Em 1982, faz um show na praia do Gonzaga, em Santos e no mesmo ano apresenta-se drogado para apresentar um show em Caieiras, São Paulo.

No ano seguinte, é convidado para gravar um disco pelo Estúdio Eldorado. No mesmo ano, lança “Raul Seixas”, onde se destacou o sucesso “O Carimbador Maluco”, e lhe deu o disco de ouro e um show na televisão.

Em 1984 lançou “Metrô Linha 743”. Depois de três anos sem gravar, lançou “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!” (1987). No ano seguinte lançou “A Pedra do Gênesis”.

Em 1989 realiza diversas apresentações pelo país, em companhia do roqueiro Marcelo Nova, que resultou em seu último disco, “A Panela do Diabo”.

No dia 21 de agosto de 1989, dois dias após o álbum chegar ao mercado, Raul é encontrado morto em sua cama, no apartamento em São Paulo.

Raul Seixas faleceu em São Paulo, no dia 21 de agosto de 1989, com apenas 44 anos, vítima de pancreatite aguda.

Casamentos e filhas

Raul teve três filhas, Simone Andrea Wisner Seixas,Scarlet Vaquer Seixas e Viviane Costa Seixas, fruto de seus casamentos com Edith Wisner Seixas (1967 a 1974), Glória Vaquer (1978 a 1979) e Angela Affonso Costa (1979 a 1985), respectivamente.

Frases de Raul Seixas

"Só há amor quando não existe nenhuma autoridade".

"Do materialismo ao espiritualismo é uma simples questão de esperar esgotarem-se os limites do primeiro".

"Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos".

"A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal".

"Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio".

https://www.ebiografia.com/raul_seixas/

domingo, 2 de agosto de 2020

Você sabia disso? - Missa do Galo ? Meia noite ?

Umas das teses para a escolha desse horário é por conta de um hino que remonta o século IV, o qual dizia que Cristo teria nascido a zero hora.

Apesar dessa crença, existem outros mitos relacionados ao evento. Um deles é o que diz o monsenhor José Roberto Rodrigues Devellard, coordenador da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese do Rio. Segundo ele, o horário da missa faz alusão ao fato de Jesus ser o sol para a humanidade. Portanto, tanto o natal como a páscoa seriam celebrados na primeira hora do dia, pois é onde acaba a noite e o universo se prepara para o nascer do sol.

A referência ao animal também tem origem histórica. Segundo o monsenhor, o galo era considerado uma ave sagrada na antiguidade em Roma, pois ele era o primeiro a reverenciar o sol nascente. Portanto, ele estaria louvando a Deus com o seu canto.

Inclusive, nos lembra o devoto, que o galo ainda é mantido por algumas ordens religiosas a fim de exercerem esse papel de lembrar a todos a nascimento de mais um dia permitido por Deus.

Atualmente, por conta da violência em muitas cidades, a missa do galo passou a ser celebrada mais cedo.


A origem do natal é pagã. O dia 25 de dezembro era utilizado para celebrar o Deus do Sol. Com o advento do cristianismo, a comunidade discípula de Jesus adotou a data simbólica para representar o nascimento de Cristo, que na visão dela é o verdadeiro o sol da humanidade. A data tornou-se oficial quando o imperador romano Constantino confirmou-a por meio de um decreto.


Sobre o autor

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Jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba com especialização em Comunicação Empresarial. Passagens pelas redações da BandNews e BandSports, TV Jornal e assessoria de imprensa de órgãos públicos.



terça-feira, 31 de março de 2020

Você sabia disso? - A palavra "Salário"

Antes de a humanidade inventar a moeda, a remuneração do trabalho humano era feita com mercadorias, como carneiro, porco, sal e peles. A palavra salário, aliás, surgiu a partir da porção de sal que era dada como pagamento aos soldados na Roma antiga. Ao descobrir que o sal, além de ajudar na cicatrização, servia para conservar e dar sabor à comida, os romanos passaram a considerá-lo um alimento divino, uma dádiva de Salus, a deusa da saúde.

A idéia de que o trabalho deveria ser remunerado era inexistente. Na Idade Média, os servos, em busca de proteção, cultivavam a terra dos nobres, recebendo em troca apenas a possibilidade de tirar dela seu sustento. Mais tarde, com a criação das corporações de ofício, trabalhadores livres vendiam no mercado os produtos que produziam. O salário como remuneração que o trabalhador recebe pelo tempo e esforço gastos na produção de bens e serviços surgiu só na segunda metade do século 14, época marcada pelo declínio do poder feudal e pelo desenvolvimento de fortes nações-estado.

Com o capitalismo, tornou-se a forma predominante de pagamento da mão-de-obra. O trabalhador passa a ter poder de compra e muda-se o modo como é visto pelas outras camadas sociais, que não podem mais subestimá-lo ou ignorar seu valor

Ao contrário dos escravos, os servos não eram propriedade de ninguém. O senhor latifundiário só podia vendê-los junto com as terras onde eles já trabalhavam.

Revista Superinteressante 

sábado, 21 de março de 2020

160 livros essenciais da Literatura Mundial - Quais você já leu?


Por Revista Prosa Verso e Arte

"O mundo está cheio de livros fantásticos que ninguém lê.”
– Umberto Eco

Não foi fácil escolher, mas aqui está uma lista com 160 grandes títulos da literatura mundial, incluindo obras nacionais e latino-americanas.
A lista apresentada pela Revista Prosa, Verso e Arte tem por objetivo tanto estimular a leitura dos clássicos, como incentivar que os leitores e leitoras produzam suas próprias listas. Então, diga-nos, quais destes títulos você já leu, quais pretende ler e quais outros você indicaria a leitura?!
“Clássica é a obra que tem dimensão universal: consegue atravessar
gerações, fronteiras e nacionalidades, sem perder as suas características.”
– Renato Rocha (músico e compositor), em “O Que faz de uma obra um clássico?”. Revista Poiésis, n. 11, p.191-213, nov. 2008.

1. O Nome da Rosa – Umberto Eco (1980)
2. O Pêndulo de Foucault – Umberto Eco (1988)
3. O Estrangeiro – Albert Camus (1942)
4. A Peste – Albert Camus (1947)
5. Admirável Mundo Novo – Aldous Huxley (1932)
6. 1984 – George Orwell (1949)
7. A Revolução dos Bichos – George Orwell (1945)
8. Os Irmãos Karamázov – Fiódor Dostoiévski (1880)
9. Crime e Castigo – Fiódor Dostoiévski (1866)
10. O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry (1943)
11. Por Quem os Sinos Dobram – Ernest Hemingway (1940)
12. Ulysses – James Joyce (1922)
13. Finnegans Wake – James Joyce (1939)
14. Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis (1881)
15. Dom Casmurro – Machado de Assis (1899)
16. Guerra e Paz – Lev Tolstói (1867)
17. O Engenhoso Fidalgo Dom Quixote de la Mancha – Miguel de Cervantes (1615)
18. O Amor nos Tempos do Cólera – Gabriel García Márquez (1985)
19. Cem Anos de Solidão – Gabriel García Márquez (1967)
20. Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa (1956)
21. Primeiras Estórias  – João Guimarães Rosa (1962)
22. A Hora da Estrela – Clarice Lispector (1977)
23. Um Sopro de Vida – Clarice Lispector (1978)
24. Madame Bovary – Gustav Flaubert (1856)
25. O Vermelho e o Negro – Stendhal (1830)
26. Em Busca do Tempo Perdido – Marcel Proust (1908)
27. Hamlet – William Shakespeare (1609)
28. Ilíada – Homero (século VIII a.C.)
29. Odisseia – Homero (século VIII a.C.)
30. Os Buddenbrook – Thomas Mann (1901)
31. A Montanha Mágica – Thomas Mann (1924)
32. Doutor Fausto – Thomas Mann (1947)
33. Capitães da Areia – Jorge Amado (1937)
34. As Flores do Mal – Charles Baudelaire (1857)
35. Som e a Fúria – William Faulkner (1929)
36. O Processo – Franz Kafka (1925)
37. A Metamorfose – Franz Kafka (1915)
38. A Terra Desolada – T. S. Eliot (1922)
39. O Príncipe – Maquiável (1532)
40. O Tempo e o Vento – Erico Verissimo (1985)
41. Vidas Secas – Graciliano Ramos (1938)
42. Os Miseráveis – Victor Hugo (1862)
43. Notre-Dame de Paris – Victor Hugo (1831)
44. O Pai Goriot (um dos principais livros de ‘A Comédia Humana’) – Honoré de Balzac (ca. 1829-1850)
45. Ilusões Perdidas (um dos principais livros de ‘A Comédia Humana’) – Honoré de Balzac (1843)
46. A Tarde de um Fauno – Stéphane Mallarmé (1876)
47. E o Vento Levou – Margaret Mitchell (1936)
48. Alice no País das Maravilhas – Lewis Carroll (1865)
49. Anna Karenina – Lev Tolstói (1877)
50. Emma – Jane Austen (1815)
51. Orgulho e Preconceito – Jane Austen (1813)
52. A Filha do Capitão – Alexander Pushkin (1836)
53. O Jogo da Amarelinha – Júlio Cortázar (1953)
54. Bonequinha de Luxo – Truman Capote (1958)
55. A Dama do Cachorrinho e outros contos – Anton Tchekhov (1889)
56. O Caçador de Pipas – Khaled Hosseini (2003)
57. Fausto – Johann Wolfgang von Goethe (1829)
58. Os sofrimentos do jovem Werther – Johann Wolfgang von Goethe (1774)
59. Rumo ao Farol – Virginia Woolf (1927)
60. Mrs. Dalloway – Virginia Woolf (1925)
61. Histórias Extraordinárias – Edgar Allan Poe (1924)
62. O Poço e o Pêndulo – Edgar Allan Poe (1842)
63. Ficções – Jorge Luis Borges (1944)
64. O Aleph – Jorge Luis Borges (1949)
65. Pedro Páramo – Juan Rulfo (1955)
66. Ensaio Sobre a Lucidez – José Saramago (2004)
67. Ensaio sobre a Cegueira – José Saramago (1995)
68. Um Delicado Equilíbrio – Rohinton Mistry (1955)
69. Os Vestígios do Dia – Kazuo Ishiguro (1989)
70. O Segundo Sexo – Simone de Beauvoir (1949)
71. Diante da Dor dos Outros – Susan Sontag (2003)
72. Lolita – Vladimir Nabokov (1955)
73. Os Paços de Ulloa – Emilia Pardo Bazán (1886)
74. Ponciá Vicêncio – Conceição Evaristo (2003)
75. Quarto de Despejo – Carolina Maria de Jesus (1960)
76. Robinson Crusoe – Daniel Defoe (1719)
77. O Lobo da Estepe – Herman Hesse (1927)
78. Demian – Hermann Hesse (1919)
79. A Ilustre Casa de Ramires – Eça de Queirós (1900)
80. Os Maias – Eça de Queirós (1888)
81. O Ateneu – Raul Pompeia (1888)
82. Triste Fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto (1915)
83. A Pedra do Reino – Ariano Suassuna (1971)
84. Macunaíma – Mário de Andrade (1928)
85. Grandes Esperanças – Charles Dickens (1861)
86. David Copperfield – Charles Dickens (1850)
87. Os Cadernos de Pickwick – Charles Dickens (1837)
88. Folhas de Relva – Walt Whitman (1855)
89. O Leopardo – Tomasi di Lampedusa (1958)
90. O Morro dos Ventos Uivantes – Emily Brontë (1847)
91. O Quinze – Rachel de Queiroz (1930)
92. O Canto do Pássaro – Sebastian Faulks (1993)
93. Poemas Completos – Herberto Helder (2013)
94. A Parte que Falta – Shel Silverstein (1976)
95. O Hobbit ou Lá e de Volta Outra Vez – J. R. R. Tolkien (1937)
96. O Sol é Para Todos – Harper Lee (1960)
97. Os Cantos – Ezra Pund (1925)
98. Cartas a um Jovem Poeta – Rainer Maria Rilke (1929)
99. Germinal – Émile Zola (1885)
100. A Redoma de Vidro – Sylvia Plath (1963)
101. A Náusea – Jean-Paul Sartre (1938)
102. Middlemarch – George Eliot (1871)
103. Canções da Inocência-Canções da Experiência – William Blake (1789)
104. Coração das Trevas – Joseph Conrad (1899)
105. Terra sonâmbula – Mia Couto (1992)
106. Livro do Desassossego – Bernardo Soares “Fernando Pessoa” (1913)
107. Feliz Ano Novo – Rubem Fonseca (1975)
108. O diário de Anne Frank – Anne Frank (1947)
109. Laranja Mecânica – Anthony Burgess (1962)
110. Tartufo – Molière (1664)
111. Paraíso Perdido – John Milton (1667)
112. O Capote – Nikolai Gogol (1842)
113. Doutor Jivago – Boris Pasternak (1957)
114.  Os Cus de Judas – António Lobo Antunes (1979)
115. A Máquina de Fazer Espanhóis – Valter Hugo Mãe (2010)
116. Retrato de Uma Senhora – Henry James (1881)
117. Sermões – Padre Antônio Vieira (ca. 1679 – 1697)
118. Trilogia das Barcas [Auto da Barca do Inferno (1527), Auto da Barca do Purgatório (1518) e do auto da barca da Glória (1519)] – Gil Vicente (1518 – 1527)
119. O Grande Gatsby – F. Scott Fitzgerald (1925)
120. As Aventuras de Sherlock Holmes – Arthur Conan Doyle (1892)
121. A Época da Inocência – Edith Wharton (1920)
122. O Retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde (1890)
123. Memórias de Adriano – Marguerite Yourcenar (1951)
124. As Cidades Invisíveis – Italo Calvino (1972)
125. O Conto da Aia – Margaret Atwood (1985)
126. Os Lusíadas – Luís Vaz de Camões (1572)
127. A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak (2005)
128. Assassinato no Expresso do Oriente – Agatha Christie (1934)
129. A Insustentável Leveza do Ser – Milan Kundera (1984)
130. Orlando Furioso – Ludovico Ariosto (1532)
131. Pais e Filhos – Ivan Turguêniev (1862)
132. On the Road – Jack Kerouac (1957)
133. A Morte de Virgílio – Hermann Broch (1945)
134. Metamorfoses – Ovídio (8 d.C.)
135. O Complexo de Portnoy – Philip Roth (1969)
136. Servidão Humana – William Somerset Maugham (1915)
137. Antes do Baile Verde – Lygia Fagundes Telles (1970)
138. Lavoura Arcaica – Raduan Nassar (1975)
139. Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto (1967)
140. O Arco e a Lira – Octavio Paz (1956)
141. Poemas – Konstantinos Kaváfis (ca. 1904)
142. Uma Temporada no Inferno – Arthur Rimbaud (1873)
143. Homens de Milho – Miguel Ángel Asturias (1949)
144. Pontos de Vista de um Palhaço – Heinrich Böll (1963)
145. Trópico de Câncer – Henry Miller (1934)
146. A Cidade e os Cachorros – Mario Vargas Llosa (1962)
147. Auto de Fé – Elias Canetti (1935)
148. O Apanhador no Campo de Centeio – J. D. Salinger (1951)
149. Ensaios – Michel Montaigne (1580)
150. Confissões – Agostinho de Hipona (ca. 397 – 400 d.C.)
151. A Divina Comédia – Dante Alighieri (ca. 1304-1321)
152. Cândido ou O Otimismo – Voltaire (1759)
153. 200 Crônicas Escolhidas – Rubem Braga (1977)
154. Fazenda Maldita – Stella Gibbons (1932)
155. Genji Monogatari – atribuído a Murasaki Shikib (início do século XI)
156. A Ilha Misteriosa – Julio Verne (1874)
157. Viagens de Gulliver – Jonathan Swift (1726)
158. Tom Jones – Henry Fielding (1749)
159. Elogio da Loucura – Desidério Erasmo (ca. 1509-1511)
160. Os Três Mosqueteiros – Alexandre Dumas (1844)
161. Decamerão – Giovanni Boccaccio (ca. 1348-1353)
162. Kim. Rudyard Kipling (1865-1936)
Acrescentamos mais algumas obras sugeridas pelos leitores. Estamos anotando as demais sugestões, possivelmente faremos uma nova postagem com as indicações feitas. Grata!
https://www.revistaprosaversoearte.com/160-livros-essenciais-da-literatura-mundial-quais-voce-ja-leu/?fbclid=IwAR1xOSzUeAFXTpSMYkewLDe8Z0X9y1506gRK5C3c87yLuk9EpUG1aG3BulU

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Artigo de Opinião - Drama, comédia e farsa - Nelson Motta


A ascensão e queda de Roberto Alvim foi uma farsa megalômana que virou um drama real, depois uma comédia de erros, e terminou como tragédia chinfrim. Com muitos anos de vivência no teatro como autor e diretor, Alvim encenou meticulosamente o seu monólogo triunfal, com o cenário, o figurino, o corte de cabelo, a atitude de um cruzado guerreiro e música de Wagner para dar grandiosidade. Só não imaginou que o protagonista se mostrasse um canastrão, falando como um ungido de Deus e pregando uma espécie de nacionalismo nazicristão.

Esse tal de Roberto Alvim, como o chamava Bolsonaro, pode ser meio louco, mas não é burro. Se não fosse ignorante, conheceria e nunca repetiria a citação de Goebbels no discurso fatídico, seria uma provocação inútil e perigosa. Algum assessor malvado, ou conspirando para derrubá-lo, sugeriu a citação e Alvim adorou, expressava suas ideias sobre a nova arte brasileira, cristã, heroica e de direita.

Mas quem plantou a citação fatal? Não deve ser difícil descobrir, entre os próprios assessores que participaram do discurso. A serviço de quem?

A primeira coisa que Regina Duarte deve fazer é demitir toda a assessoria de olavistas de Roberto Alvim e cercar-se de pessoas decentes da área de cultura, com experiência em gestão e convicções democráticas. O Estado não deve fazer cultura, só estimular, sem dirigismo e com diversidade.

Além de ótima profissional, Regina é uma pessoa honesta e bem-intencionada, com intensa vivência dos problemas do teatro, do cinema e da televisão, que às vezes toma decisões e posições com mais emoção do que razão.

Mas não se pode querer tudo. Ela sabe que boas intenções não bastam e que o governo, qualquer governo, é um viveiro de conspiradores e puxa-sacos capazes de arruinar os melhores planos.

Sua missão é convencer Bolsonaro da importância econômica da indústria cultural, seus empregos, seus impostos e sua capacidade de alegrar, divertir, emocionar e informar as pessoas.

Chato é passar de namoradinha do Brasil a noiva de Bolsonaro.

Artigo de Opinião - Alvim é Bolsonaro -

Carlos Andreazza - O Globo - 22/01/20

‘Não queira estar no meu lugar” — vitimizou-se Jair Bolsonaro. Não quero — respondo. Por isso não me candidatei à Presidência nem fiz campanha — ilegalmente — por quase quatro anos. Há método, porém, na falsa incoerência. O líder que, eleito como consequência do próprio empenho, projeto de uma vida, reclama do fardo como se cumprisse missão divina é aquele que — síntese do populista autoritário — pede, cobra, adesão incondicional. Ele se sacrificou por nós. Não é isso?

Bolsonaro, o que se martiriza pelo Brasil, pede — cobra — adesão incondicional tanto quanto não hesita em se livrar dos que instrumentalizou.

Investido de poder pelo presidente e estimulado por ele (“secretário de Cultura de verdade”), Roberto Alvim cumpriu seu papel. Mais um kamikaze disparado para desfiar o tecido social de um país há muito em profunda depressão política; um país cujo liberalismo, por exemplo, dá-se à luxúria de se crer somente econômico — a própria expressão da doença — e capaz de prosperar servindo ao ressentimento reacionário (a própria definição de suicídio).

O erro de Alvim: explicitar a essência do bolsonarismo

Como todo fusível, Alvim queimou. Há vários assim, peões de baixo alcance, à mão do projeto bolsonarista de afrouxamento da democracia liberal. Sim, as instituições mobilizaram-se para mostrar que o vídeo do então secretário de Cultura, aquele com referência a texto nazista, violava valores inegociáveis. Não havia dúvida de que a reação viria; tampouco de que Alvim seria lançado ao mar. O problema está na frequência com que as instituições ora são provocadas no Brasil — o que significa que os freios de nosso sistema, por enérgicos que sejam, submetem-se ao desgaste de um uso excepcional, não sendo improvável que, tão esticados, cedam algum terreno a cada vez que acionados. Alvim vai. A ideia fica.

Alvim morto é Alvim posto. Um provocador que veio para trombar, para testar linguagem, averiguar reações e avançar algumas peças retóricas extremadas — que equivalem a iscas para demonstração de fidelidade, de submissão. A ideia fica e circula. Considerada a relativização do discurso do sujeito por influentes pensadores do bolsonarismo, a questão agora consiste somente em medir como o arreganho fascista chegará ao guarda da esquina. Sempre chega.

A mensagem contida no vídeo tem a arte apenas como um meio para expressão da fé autocrática: o Estado como gerador de uma nova civilização brasileira; um Estado em que à elite dirigente — a um indivíduo como Roberto Alvim — é pedido que faça uma cultura. Isto mesmo: que faça uma cultura. Onde já vimos algo dessa natureza?

O padrão autoritário de comunicação bolsonarista é conhecido. Alvim sentiu-se à vontade para pontificar sobre “as aspirações urgentes do nosso povo”. Reproduzia o chefe. O presidente é um que fala para uma pequena porção da sociedade, mas que arma esse discurso, segmentado, com pretensão totalizante. Comunica-se para poucos, trata da agenda de pouquíssimos, mas como se para todos, de todos — o que é uma das formas de exclusão que caracterizam os populistas autoritários.
  
Os frequentes impulsos extremistas de Bolsonaro autorizam vídeos como o do ex-secretário de Cultura. É impossível não ver, na versão de Alvim, um desenvolvimento da estética das lives do presidente.

Roberto Alvim era descartável. Se louco, um — mais um — escolhido e empossado por Bolsonaro. Outros como ele virão. São agentes antiliberais a serviço de uma concepção de Estado que, sem a vigilância da democracia, terá a sua musculatura aplicada contra os cidadãos — contra aqueles que, sem serem o mal, não veem nobreza em “mitos fundantes” como pátria, família e Deus.

A própria ideia de cultura — um campo de guerra e, pois, de imposição —veiculada pelo bolsonarismo mostra que aquela secretaria não importa senão como estrutura, máquina, para a destruição; inclusive de quem a comanda. O próximo Alvim — ainda que Regina — virá para morrer.

O próximo Wajngarten também virá para morrer.

O presidente sabia da atividade — típico ato de improbidade administrativa — do chefe da Secom. Não se incomodou com a irregularidade. A razão é dupla: nunca se importou com o auxiliar; o auxiliar está ali como escada, gatilho, como criador mesmos de arestas, para seus ataques à imprensa.

De resto: ninguém melhor do que ele, Bolsonaro, sabe se desvincular da responsabilidade por aqueles a quem delega. Fábio Wajngarten tinha uma missão a cumprir no governo — e a cumpriu. Enquanto o presidente avaliar que pode mantê-lo como o zumbi que já é, zumbi será, exposto e progressivamente enfraquecido, ainda assim carne para substanciar suas afrontas ao jornalismo. Se e quando a situação se tornar insustentável, já de todo afastado do elemento, de todo murchado o elemento, colocará outro no lugar do descartável.

Não faltam Waingartens à disposição do presidente. O problema é a ideia: que fica.