segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Você sabia disso ? - O que é a Lei de Cotas?

1) O que é a lei de cotas?

A Lei nº 12.711/2012, sancionada em agosto deste ano, garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas 59 universidades federais e 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia a alunos oriundos integralmente do ensino médio público, em cursos regulares ou da educação de jovens e adultos. Os demais 50% das vagas permanecem para ampla concorrência.

2) A lei já foi regulamentada?

Sim, pelo Decreto nº 7.824/2012, que define as condições gerais de reservas de vagas, estabelece a sistemática de acompanhamento das reservas de vagas e a regra de transição para as instituições federais de educação superior. Há, também, a Portaria Normativa nº 18/2012, do Ministério da Educação, que estabelece os conceitos básicos para aplicação da lei, prevê as modalidades das reservas de vagas e as fórmulas para cálculo, fixa as condições para concorrer às vagas reservadas e estabelece a sistemática de preenchimento das vagas reservadas.

3) Como é feita a distribuição das cotas?

As vagas reservadas às cotas (50% do total de vagas da instituição) serão subdivididas — metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita e metade para estudantes de escolas públicas com renda familiar superior a um salário mínimo e meio. Em ambos os casos, também será levado em conta percentual mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas no estado, de acordo com o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

4) A lei deverá ser aplicada imediatamente?

Sim, mas gradualmente. Em 2013 terão de ser reservadas, pelo menos, 12,5% do número de vagas ofertadas atualmente. A implantação das cotas ocorrerá de forma progressiva ao longo dos próximos quatro anos, até chegar à metade da oferta total do ensino público superior federal.

5) Como as universidades que já tiveram edital de vestibular publicado devem agir?

As universidades que já publicaram seus editais para o vestibular terão de fazer novas chamadas.

6) A lei vale para quem estudou em colégios militares também?

Sim, vale para todas as escolas públicas de ensino médio. O conceito de escola pública se baseia na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei nº 9394/96, art. 19, inciso I:

Art. 19. As instituições de ensino dos diferentes níveis classificam–se nas seguintes categorias administrativas:

I – públicas, assim entendidas as criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público

7) Quem obteve certificação do ensino médio pelo Enem poderá entrar pela reserva de vagas?

Para ser considerado egresso de escola pública, o estudante deve ter cursado o ensino médio em escola pública ou ter obtido certificação do Enem, Encceja e demais realizadas pelos sistemas estaduais, tendo cursado o ensino fundamental em estabelecimento público. O estudante não pode ter cursado escola particular em nenhum momento.

8) Quem concorrer pelas cotas também poderá entrar pela ampla concorrência?

Nos primeiros quatro anos de implementação da lei, os estudantes cotistas devem disputar vagas tanto pelo critério de cotas quanto pelo de ampla concorrência, já que as vagas serão oferecidas gradativamente. A partir de quatro anos, a permanência desse modelo ficará a critério de cada instituição de ensino.

9) As cotas valerão para vestibulares tradicionais e para o Sisu?

Sim, a lei já valerá para os próximos vestibulares das instituições e também na próxima edição do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação. As instituições federais de ensino que adotarem diferentes processos seletivos precisam observar as reservas de vagas em cada um destes processos.

10) Como será comprovada cor e renda declarados pelos candidatos?

O critério da raça será autodeclaratório, como ocorre no censo demográfico e em toda política de afirmação no Brasil. Já a renda familiar per capita terá de ser comprovada por documentação, com regras estabelecidas pela instituição e recomendação de documentos mínimos pelo MEC.

11) No critério racial, haverá separação entre pretos, pardos e índios?

Não. No entanto, o MEC incentiva que universidades e institutos federais localizados em estados com grande concentração de indígenas adotem critérios adicionais específicos para esses povos, dentro do critério da raça, no âmbito da autonomia das instituições.

12) Como o governo federal vai garantir a permanência dos estudantes cotistas na universidade?

A política de assistência estudantil será reforçada. No orçamento de 2013 já está previsto um aumento para o Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes). Serão investidos pelo menos R$ 600 milhões em assistência estudantil em 2013. O MEC está articulando com os reitores a política de acolhimento dos alunos cotistas, que também gira em torno da política de tutoria e nivelamento.

13) Universidades que já têm programas de cotas terão de mudar?

Podem ser mantidas as iniciativas já existentes, desde que as exigências da lei, ou seja, 12,5% das vagas, sejam implementadas conforme o Congresso Nacional estabeleceu. Então, no mínimo, esses 12,5% têm que corresponder integralmente aos critérios da lei. A partir desse 12,5%, podem ser criados critérios adicionais. A Lei de Cotas determina o mínimo de aplicação das vagas, mas as universidades federais têm autonomia para, por meio de políticas específicas de ações afirmativas, instituir reservas de vagas suplementares.

14) Haverá algum tipo de acompanhamento da implementação da lei?

Sim. O acompanhamento ficará a cargo de um comitê composto por representantes do Ministério da Educação, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) e da Fundação Nacional do Índio (Funai), com a participação de representantes de outros órgãos e entidades e da sociedade civil.




Fonte: Portal MEC

 http://sapienciaeruditamcz.blogspot.com/2019/03/voce-conhece-essa-lei-lei-n-127112012-o.html

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Quem foi João Gilberto? Conheça a história do pai da bossa nova

A cultura está de luto: o músico João Gilberto morreu aos 88 anos, na tarde deste sábado (6). Ele estava em casa, segundo seu filho João Marcelo, no Rio de Janeiro. O artista enfrentava graves problemas de saúde há alguns anos.


Para você que é grande fã do João ou apenas sente comoção com imensa perda da música popular brasileira, nós aqui do Cifra Club achamos que seria uma singela homenagem  relembrar o legado tão ímpar deixado por esse artista. Por isso, o texto de hoje é sobre a história do pai da bossa nova e de suas músicas e discos tão importantes. Vamos nessa?

A história de João Gilberto

João Gilberto Prado Pereira de Oliveira nasceu em Juazeiro, cidade do interior da Bahia, no dia 10 de junho de 1931. Filho do comerciante Juveniano Domingos de Oliveira e da dona de casa Martinha do Prado Pereira de Oliveira, a popular Patu, João Gilberto viveu em sua cidade natal até 1942, aos 11 anos, quando foi morar e estudar em Aracaju (SE). Na capital sergipana, João passou a fazer parte da banda da escola.

Em 1946, de volta a Juazeiro, João Gilberto ganhou um violão do pai e começou a ouvir os mais variados tipos de música. Com a ajuda da Rádio Nacional, o jovem passou a ter contato com a suavidade do som de Dorival Caymmi, com o romantismo de Orlando Silva e com a agressividade aveludada do jazz de Chet Baker. Na mesma época entrou para o grupo Enamorados do Ritmo, e viu sua cidade natal ficar pequena.

Aos 16 anos foi morar e estudar em Salvador (BA). Chegando na capital, abandonou os estudos para se dedicar à música [quer atitude mais rock and roll do que essa?] e aos 18 anos já trabalhava com carteira assinada na Rádio Sociedade da Bahia. Na mesma época fez parte do grupo vocal Garotos da Lua e gravou discos em 78 rotações. Ao deixar o grupo, chegou a gravar alguns singles, mas não conseguiu sucesso.

Mudança para o Rio de Janeiro

Depois de algum tempo dedicado ao estudo de harmonia na música, João Gilberto compreendeu que ao cantar mais baixo e manter a batida, poderia adiantar ou atrasar o canto. E foi armado com essa inovação sonora, além de seu violão debaixo do braço, que João chegou na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Na Cidade Maravilhosa, um destemido homem de 26 anos procurou seguir a trilha de quem poderia fazer a diferença em sua carreira. Numa dessas tentativas de network, o violonista baiano caiu nas graças do produtor e também violonista Roberto Menescal, simplesmente um dos personagens mais importantes da música brasileira do século XX.

Pai da bossa nova

No cenário musical carioca, o violão de João Gilberto era a joia mais admirada, observada e aplaudida. Sua levada era uniforme, mas surpreendentemente deslocava os acentos fortes para lugares poucos usuais entre os violonistas. Suas opções de harmonia abriam desbravaram um admirável violão novo! Por suas vezes, as inquietas mãos fazia o instrumento de cordas virar percussão.

Ah, e havia a questão da voz! A técnica vocal de João abria mão da impostação e procurava soar da mesma maneira que soava o trompetista Chet Baker quando cantava. Volume baixo e notas de longa duração, limpas, sem vibrato. Com o violão na ponta dos dos dedos e bem resolvido com seu jeito de cantar, João Gilberto estava pronto para voar alto.

Era julho de 1958, quando a cantora Elizeth Cardoso lançou o disco Canção do Amor Demais, com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. No álbum, o baiano gravou o violão em duas faixas, Chega de Saudade e Outra Vez. No mês seguinte, e já sendo respeitado por Tom JobimDorival Caymmi e Aloysio de OliveiraJoão gravou seu próprio 78 rotações, um compacto com Chega de Saudade e Bim Bom. Ali a bossa nova nasceu e teve um pai: João Gilberto

O legado de João Gilberto

Entre os anos de 1959 e 1961, João Gilberto lançou uma trinca de álbuns que mudou o curso da música brasileira popular. Com os discos Chega de saudade (1959), O amor, o sorriso e a flor (1960) e João Gilberto (1961), o cantor e compositor baiano influenciou tudo que veio depois.

Se acabasse terminasse nessa trilogia, a missão artística de João já estaria cumprida e com louvor. Acontece, porém, que ele criou um jeito genuinamente brasileiro de se tocar violão brasileiro e, com isso, ajudou a fundar um gênero de música que influenciou tudo que veio depois. De Roberto Carlos a Chico Buarque, passando por Djavan e colando com os Los Hermanos, todo mundo tem um flerte com a obra de João.

Canções como Desafinado sempre estará entre as mais importantes do cancioneiro da música brasileira.

No dia 21 de novembro de 1962, João Gilberto foi uma das estrelas de um concerto no Carnegie Hall, em Nova Iorque. Produzido pela Audio Fidelity Records e patrocinado pelo Itamaraty, o evento foi tinha o objetivo de promover a bossa nova nos Estados Unidos. Entre os presentes estavam Tony BennettPeggy LeeMiles Davis e Herbie Mann. Havia grande presença da imprensa americana, de críticos especializados do mundo inteiro e de uma rádio que transmitiu o acontecimento para Moscou. Começou ali a internacionalização da música brasileira.

Enquanto esteve na ativa, o artista seguiu lançando discos lendários. Sua discografia contempla 52 obras, assim distribuídas:

  • 12 discos de estúdio
  • 9 álbuns ao vivo,
  • 7 compactos
  • 3 EPS
  • 21 coletâneas

Um dos registros de estúdio mais memorável é o álbum Amoroso, que foi gravado nos Estados Unidos. Lançado em 1977, o trabalho celebra a conexão harmoniosa da música do do artista brasileiro com o maestro alemão Claus Ogerman.

João Gilberto e o rock

O fato de ser reverenciado publicamente por Roberto Carlos não é a única ligação de João Gilberto com o rock. Como todo artista respeitoso, o violonista nunca limitou seu trabalho.

Pouco se comenta, por exemplo, de seu papel na carreira dos Novos Baianos, uma das bandas mais importantes do rock nacional. No ano de 1972, João atuou como mentor intelectual do disco Acabou Chorare, uma das obras canônicas da música feita na década de 1970. Com as sugestões e palpites do violonista baiano, os roqueiros encontraram a fórmula correta para cruzar Jimi Hendrix com Jackson do Pandeiro.

Em 1982 ele colaborou com Rita Lee, a eterna e única rainha do rock brasileiro. Na ocasião, João tocou violão na faixa Brazil com S, uma das músicas mais interessantes do disco Rita Lee e Roberto de Carvalho. No ano seguinte, o artista baiano foi uma das atrações do lendário Festival de Águas Claras, uma espécie de Woodstock made in Brazil.

Já em 1986, João gravou Me Chama, de Lobão, para a trilha sonora da novela HipertensãoLobão afirma ter recebido ligações do baiano para a aprovação da execução, além de ter de explicar o estado emocional que se encontrava quando escreveu a letra.

Os últimos anos da vida de João Gilberto

Nos últimos dez anos, o João Gilberto ícone da bossa nova foi aos poucos dando espaço para o seu lado mais complexo. Vivia recluso e cercado por questões complexas.

Em 2008, em ocasião dos cinquenta anos da bossa nova, João se se apresentou em São Paulo, no Rio, em Salvador e nos Estados Unidos. Seus shows tiveram a venda de ingressos esgotada em poucas horas. Do alto de seus 77 anos, o artista arrancou elogios do público e da crítica. Já em 2011, infelizmente, os problemas de saúde o impediram de celebrar suas oito décadas de vida com uma turnê.

No final de 2017, o homem que internacionalizou a música brasileira foi interditado pela justiça, a pedido de sua filha Bebel Gilberto, que justificou que seu pai não tinha condições de cuidar de sua saúde ou finanças por sua fragilidade física e mental.

De um lado, a decadência física e as questões de família devoravam cada partícula de seu ser. Na outra ponta do cabo de guerra, os problemas de dinheiro e os contratos mal feitos também cobravam a conta.No dia 6 de julho de 2019, João Gilberto partiu rumo a uma outra dimensão astral.

A música brasileira se despede de João Gilberto com um “muito obrigado”. Fica a esperança de que sua contribuição artística chegue aos ouvidos e olhos das novas gerações. Não podemos deixar a memória de mais um ídolo ser corroída pelo tempo…

https://www.cifraclubnews.com.br/noticias/148386-joao-gilberto-bossa-nova.html


segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Você conhece a história do Pelourinho ?

HISTÓRIA DO PELOURINHO

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A história do Pelourinho se confunde, em muito, com a história da própria cidade de Salvador, que Tomé de Souza, primeiro Governador Geral do Brasil, fundou em 1549, vindo com ordens expressas do rei de Portugal para construir uma "cidade fortaleza".

Feita em caráter de urgência e preocupação, essa medida do Rei de Portugal, D. João III, atendia à necessidade de defesa da nossa terra, constantemente invadida por corsários que vinham retirar, com a ajuda indígena, as riquezas naturais da então colônia portuguesa, principalmente o pau-brasil e a cana de açúcar.

Salvador foi escolhida como sede de governo devido à excelente localização geográfica e estratégica posição econômica, como principal porto de carga e descarga de mercadorias de todo o Nordeste. 

Logo que chegou aqui, Tomé de Souza tratou de cumprir as ordens do rei, fundando a cidade cujo nome homenageia Jesus Cristo Salvador, no melhor ponto para a construção da "cidade fortaleza", o hoje chamado Pelourinho, local ideal de suas pretensões.

As razões que levaram a escolha do Pelourinho são bastante claras. É a parte mais alta da cidade, em frente ao porto, perto do comércio e naturalmente fortificada pela grande depressão existente que forma uma muralha, de quase noventa metros de altura, por quinze quilômetros de extensão, o que facilitaria a defesa de qualquer ameaça vinda do mar.

Em poucos anos, Tomé de Souza construiu uma série de casarões e sobrados, na parte superior dessa muralha, todas inspiradas, evidentemente, na arquitetura barroca portuguesa e erguidos com mão de obra escrava negra e indígena. Para dar maior proteção à cidade, o Governador Geral limitou o acesso a apenas quatro portões, estes totalmente destruídos durante as tentativas sem sucesso, de dominação da cidade no séc. XVII.

Na verdade, o termo "pelourinho" é o nome dado ao local onde os escravos eram castigados pelos senhores de engenho. O "pelourinho" era construído nos engenhos, afastado da cidade. A fim de demonstrar à população sua força e poder, os senhores de engenho resolveram construir um "pelourinho" no centro da cidade, instalando-o no largo central, hoje área localizada em frente a casa de Jorge Amado. A partir daí os escravos eram castigados em praça pública para que todos pudessem assistir tal demonstração de poder. Devido a esse fato o "pelourinho" virou ponto de referência da cidade, dando nome ao antigo centro da cidade, e hoje Centro Histórico de Salvador.

Com o passar dos tempos, o nome Pelourinho se popularizou, tanto na Bahia quanto no Exterior, passando a referir-se a toda a área do conjunto arquitetônico barroco-português compreendida entre o Terreiro de Jesus e a Igreja do Passo.

Durante o séc. XVI e até o início do séc. XX, o Pelourinho foi o bairro da aristocracia soteropolitana, composta de senhores de engenho, políticos, grandes comerciantes e o clero, por isso a forte influência européia na sua arquitetura e o grande número de igrejas num espaço geográfico tão pequeno e, certamente, o mais antigo da cidade.

Foi justamente nessa época que o poder político da cidade concentrava-se nesse local que ainda tem monumentos como a Câmara Municipal, sede da Prefeitura, a Assembléia Legislativa e a sede do Governo do Estado. Porém, hoje em dia, apenas a Câmara e a Prefeitura continuam com suas sedes no Centro Histórico.

Infelizmente, a partir da década de 60, o Pelourinho começou a sofrer um terrível processo de degradação política, social e econômica,pois a cidade sofria um intenso processo de modernização econômica que transformou sensivelmente a sua estrutura ganhando novos centros comerciais e industriais, e novos bairros geográficos.

O Pelourinho foi se tornando um local totalmente abandonando, onde a marginalidade e a prostituição imperavam, junto a monumentos em ruína e desabamentos, ocupados por pessoas exiladas do novo centro da cidade. Esse descaso adiou o reconhecimento do Pelourinho, como patrimônio da humanidade, porém reconhecido pela UNESCO, em 5 de novembro de 1985.

 

domingo, 2 de agosto de 2020

Você sabia disso? - Missa do Galo ? Meia noite ?

Umas das teses para a escolha desse horário é por conta de um hino que remonta o século IV, o qual dizia que Cristo teria nascido a zero hora.

Apesar dessa crença, existem outros mitos relacionados ao evento. Um deles é o que diz o monsenhor José Roberto Rodrigues Devellard, coordenador da Comissão de Arte Sacra da Arquidiocese do Rio. Segundo ele, o horário da missa faz alusão ao fato de Jesus ser o sol para a humanidade. Portanto, tanto o natal como a páscoa seriam celebrados na primeira hora do dia, pois é onde acaba a noite e o universo se prepara para o nascer do sol.

A referência ao animal também tem origem histórica. Segundo o monsenhor, o galo era considerado uma ave sagrada na antiguidade em Roma, pois ele era o primeiro a reverenciar o sol nascente. Portanto, ele estaria louvando a Deus com o seu canto.

Inclusive, nos lembra o devoto, que o galo ainda é mantido por algumas ordens religiosas a fim de exercerem esse papel de lembrar a todos a nascimento de mais um dia permitido por Deus.

Atualmente, por conta da violência em muitas cidades, a missa do galo passou a ser celebrada mais cedo.


A origem do natal é pagã. O dia 25 de dezembro era utilizado para celebrar o Deus do Sol. Com o advento do cristianismo, a comunidade discípula de Jesus adotou a data simbólica para representar o nascimento de Cristo, que na visão dela é o verdadeiro o sol da humanidade. A data tornou-se oficial quando o imperador romano Constantino confirmou-a por meio de um decreto.


Sobre o autor

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Jornalista formada pela Universidade Federal da Paraíba com especialização em Comunicação Empresarial. Passagens pelas redações da BandNews e BandSports, TV Jornal e assessoria de imprensa de órgãos públicos.



Você sabia disso? - A temática do Adultério feminino no Realismo


O Realismo Europeu enfatizou um tema bastante instigante na literatura: o adultério feminino. Desde A Ilíada, de Homero, a traição feminina é referida como causa de grande conflitos.

No poema épico Ilíada, 800 anos a.C, é narrada a história da guerra de troia, provocada pelos amores da esposa de Menelau, Rei de Esparta, pelo jovem troiano Páris, O rapto de Helena por Páris teria sido a causa da guerra de troia, segundo os registros de Homero.


Shakespeare também tematizou as conseqüências de traição feminina, ou pretensa traição, como é o caso da famosa pela Otelo, composta no século XVII e encenada muitas vezes desde então. Nessa peça, Shakespeare mostra o avanço dos ciúmes de Otelo, desconfiado de qe sua esposa Desdêmona o está traindo com um de seus soldados. Otelo enlouquece de ciúmes, e instigado por Iago, acaba por assassinar a esposa inocente em um acesso de fúria.


No romantismo alemão, temos também um famoso caso de amor, temperado com a possibilidade do adultério. Trata-se do romance Werther, de Goethe, publicado em 1774, e que conta, por meio das cartas que Werther escreve a um amigo, as desventuras de seus amores por uma mulher casada. Embora a traição não se consume, a tensão narrativa está toda concentrada no fato de haver um triângulo amoroso entre Weather, Charlotte e seu esposo Albert.


Na frança do século XIX, já no Realismo, Gustave Flaubert publicou o famoso romance Madame Bovary, em que uma mulher casada trai o marido em busca de uma satisfação existencial que o casamento e a família não lhe ofereciam.


Eça de Queirós, no realismo português, também tematizou o adultério feminino em vários de seus romances, como O Primo Basílio e Alves & Cia, entre outros.


No Brasil, o grande mestre do tema é Machado de Assis. O casamento e seus melindres aparecem nos vários romances e contos de Machado, de modo a revelar o olhar aguçado do autor para essa instituição tão problemática quanto detentora das esperanças de homens e mulheres.


Vejamos alguns momentos em que o adultério feminino é sugerido em alguns dos contos e romances de Machados de Assis.


Em memórias Póstumas de Brás Cubas
A mulher quando ama o outro homem, parece-lhe que mente a um dever, e portanto tem de dissimular como arte maior, tem que refinar a aleivosia(MACHADO DE ASSIS, 1978,p.56)


No conto “Primas de Sapucala”, de História sem Data
Adriana é casada; o marido conta 52 anos, ela 30 imperfeitos. Não amou nunca, não amou nunca mesmo o marido, com quem casou por obedecer à família.
Eu ensinei-lhe ao mesmo o mesmo tempo o amor e a traição; é o que ela me diz nessa casinha que aluguei fora da cidade, de propósito para nós (MACHADO DE ASSIS, 2001,p39)


No conto “A causa secreta”, em várias histórias
A comunhão dos interesses apertou os laços da intimidade. Garcia tornou-se familiar na casa; ali jantava quase todos os dias, ali observava a pessoa e a vida de Maria Luísa, cuja solidão moral era evidente. E a solidão como que lhe duplicava o encanto. Garcia começou a sentir que alguma coisa o agitava, quando ela aparecia, quando falava, quando trabalhava, calada, ao canto da janela, ou tocava piano umas músicas tristes. Manso e manso, entrou-lhe o amor no coração. Quando deu por ele, quis expeli-lo, para que entre ele e Fortunato não houvesse outro laço que o da amizade; mas não pôde. Pôde apenas trancá-lo; Maria Luísa compreendeu ambas as coisas, a afeição e o silêncio, mas não se deu por achada (MACHADO DE ASSIS, 1999, p.45)


Esses são alguns exemplos dessa temática tão recorrente na obra do autor.
No entanto, foi com o romance Dom Casmurro (1899) que Machado de Assis sedimentou o tema do adultério feminino em um tratamento original que vem desafiando a crítica desde então.


http://2dportugues.blogspot.com/2011/09/tematica-do-adulterio-feminino-no.html


Você sabia disso? - Do Realismo ao adultério: as influências de Madame Bovary sobre O primo Basílio



Seja pelo eixo temático, seja pela escola literária ou simplesmente pelo modo de escrever e expor os fatos, todos os escritores têm seus alicerces literários. O escritor francês Gustave Flaubert  influenciou  imensamente o português Eça de Queiroz, suas obras-primas apresentam semelhanças bem evidentes. Aqui serão colocadas as semelhanças lado a lado.  De um lado temos Madame Bovary, romance realista francês, de Gustave Flaubert, sua história é narrada  na França, no início do século XIX, no ano de 1857 e do outro lado temos O primo Basíliode 1878, história narrada em Lisboa. Ambas as narrativas devastam e criticam as convenções burguesas de seu tempo, que acontecem tanto na França quanto em Lisboa.

Embora Gustave Flaubert tenha declarado detestar o Realismo e dele não fazer parte, seu romance Madame Bovary  foi escrito de acordo com os moldes do movimento realista. E, devido ao sucesso do seu romance, Flaubert  passou a ser considerado, juntamente com Honoré de Balzac, um dos representantes do movimento na França. Ao ser conhecido mundialmente, seu romance passou a influenciar outros escritores, um deles foi o português Eça de Queiroz.

O estilo textual serviu como mola propulsora para Eça, considerado o pai do Realismo em Portugal.  Essa escola literária tem como base principal uma visão crítica e objetiva da sociedade.  Os realistas acreditavam que não bastava mostrar a face idealizada da vida, como os românticos fizeram, mas acreditavam que deviam mostrar a face social nunca antes revelada: o amor adúltero, a falsidade, o tédio existencial, o egoísmo humano e a impotência do homem comum diante dos poderosos.

No lugar do egocentrismo romântico, encontra-se a visão objetiva da sociedade e sem distorções. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Dessa forma, com caráter de denúncia, os realistas procuram apontar o comportamento humano a fim de corrigir os vícios da humanidade. É por isso, inclusive, que os textos realistas possuem tantas  e longas descrições minuciosas.

As influências flaubertianas em O primo Basílio começam pela vida ociosa da senhora Emma Bovary, personagem de Madame Bovary. Sua futilidade e seu tempo ocioso formam um retrato exato da senhora Luísa, personagem de O Primo Basílio. Ambas passavam o tempo lendo romances românticos e sonhando com uma vida semelhante à ficção.

Em relação ao caráter de denúncia do romance realista, mais um ponto em comum entre as obras em questão é o relacionamento adúltero – embora seja, hoje, tão comum falar de adultério, o assunto causou grande burburinho na época. Flaubert chegou ir a julgamento por causa da polêmica seu livro, porém, foi absolvido e, após alguns cortes, sua obra foi publicada, tornando-se um clássico da literatura mundial.

A questão do adultério é presente tanto na narrativa de Flaubert, a adúltera é Emma, quanto na narrativa de Eça de Queiroz, a adúltera é Luísa.  As duas senhoras liam muitos romances (alguns estudiosos trazem como folhetins), e  ao ler sobre aventuras amorosas, festas, vestidos e confortos, ou seja, sobre a vida burguesa da época, Emma e Luísa tomavam aquilo como um ideal de vida e passavam horas em devaneios.

De forma irônica – a ironia e a sátira são características do Realismo também –, ambas as obras tratam do adultério e  demonstram  as consequências e os problemas em relação a isso. Vale destacar que ambos os autores nutrem-se da família como alvo principal da “doença”, que é o adultério.

De um lado temos Emma Bovary, casou-se com Charles Bovary, um médico medíocre de província, que de príncipe, como sonhava Emma, nada tinha e nem mesmo podia dar a ela o luxo que sempre sonhou. Charles é um homem calmo, pacato e extremamente apaixonado por sua mulher.

Do outro temos Luísa, casou-se com  Jorge, engenheiro sutil, apreciador da ordem e pouco sentimental. Logo depois que o marido viaja a trabalho para o Alentejo, chega o primo de Luísa, o Basílio, um rapaz cínico, aventureiro e sedutor. Eles tinham sido namorados tempos antes.

As influências sociais exercem o tom dramático da narrativa flaubertiana, pois a infidelidade conjugal em Madame Bovary está de mãos  dadas com o comportamento social da burguesia francesa. Emma sonha em ter um homem que pudesse mantê-la em uma vida de luxo, em festas e teatros com vestidos chiques e que lhe desse amor, como lia nos romances românticos.

Emma julga-se ignorada pelo marido, que tinha como prioridades apenas suas atividades laborativas e que não se dispõe a despertar nela o ardente fogo da paixão. Considerando-se antes completamente infeliz, Emma Bovary acrescentava a este descaso do marido à vida ociosa, apenas fazia leituras românticas, o que massageava a sua alma de sonhadora e os desejos de aventuras que gostaria de viver. Emma, quando deixada por seus amantes (tivera dois: Léon e Rodolphe) e frustrada, compra de tudo, tecidos, vestidos, casacos e objetos para casa, tudo pra se confortar, porém não tinha dinheiro pra pagar, e com isso foi assinando promissórias e mais promissórias até encontrar-se falida.  Assim também era Luísa, dona de uma vida fútil, que passava o seu tempo priorizando as leituras românticas,  o que eram, para ela, verdadeiros alentos à alma.

A infidelidade em O primo Basílio, de acordo com a ótica do narrador,  ocorre em função das leituras dos romances românticos; Luísa sofre influência do meio circundante, em que o adultério é frequente; e por ser casada com Jorge não por amor, mas por conveniência. Em relação ao casamento de Jorge e Luísa, as circunstâncias deste estão explicitadas no primeiro capítulo do livro, Jorge sente-se só depois que a mãe morre e decide-se casar e Luísa sem o amar, sente um apelo sexual pelo engenheiro. O narrador registra o pedido de casamento concluindo que “Estava noiva, enfim! Que alegria, que descanso pra mamã!”.

Com o retorno de Basílio, a obra trata do mito do primeiro amor, porém, depois do envolvimento com o primo, Luísa percebe que nada restou do sentimento vivido entre ambos no passado, e o relacionamento adúltero resume-se somente na satisfação dos sentidos. Luísa em momento algum se preocupa com o aspecto moral do adultério, o único sentimento que ela experimenta em relação ao relacionamento é a decepção, Basílio apenas quer se divertir com ela enquanto fosse conveniente. O sofrimento de Luisinha se dá não por razões morais, pois ela não sente remorsos, mas todo seu sofrimento nasce ao sentir que pode perder sua vida mansa e docemente sensual, ao ser descoberta por Juliana, sua criada, que a chantageia. Juliana pede dinheiro em troca do segredo, pois assim garantiria seu pé-de-meia para o fim da vida.

Emma Bovary, em um ambiente romântico, criado intencionalmente por Flaubert, vive uma vida confortável e ociosa, passa horas viajando em seus pensamentos, sonhando com lugares distantes, sobretudo Paris, em busca de emoções e aventuras. Luísa, semelhante a Emma, encontra-se emergida na futilidade de uma vida ociosa. Em um ambiente romântico, também construído  intencionalmente por Eça de Queiroz, deixa-se na Voltaire¹ num estado letárgico e sonha com os lugares que Basílio talvez tenha viajado.  Luísa, assim como Emma, também desejava conhecer Paris.

Ambas as narrativas têm por base criticar a sociedade e seus costumes, como o relacionamento adúltero, cujo marco inicial foi a leitura dos romances românticos e o ideal de vida burguesa e  como o consumo desenfreado, no caso de Emma. E, em relação a esse realismo expresso nas obras, é importante observar que Flaubert e Eça criticam o Romantismo, a idealização do amor e da vida expressas nos romances românticos. Através desses ideais românticos tomados por Emma e Luísa, com base nas leituras, é que surgem os conflitos das obras. Os sonhos de viverem romances e  de se tornarem parte da burguesia,  rompem o laço de harmonia matrimonial desembocando, assim, no adultério.

Em suma, tanto em Madame Bovary quanto em O primo Basílio, as narrativas realistas de Gustave Flaubert e  de Eça de Queiroz expõem o adultério, a sedução e o tédio existencial em relação à vida fútil e enfadonha de Emma e Luísa. Além disso, a influência de Flaubert na narrativa de Eça é inegável, O primo Basílio pode ser visto como uma espécie de diálogo com Madame Bovary, pois é semelhante a uma coletânea de informações, das quais a narrativa de Eça bebe de forma desejosa.


https://homoliteratus.com/do-realismo-ao-adulterio-as-influencias-de-madame-bovary-sobre-o-primo-basilio/



segunda-feira, 27 de julho de 2020

Artigo de Opinião - Negro de pele clara - Sueli Carneiro

Vários veículos de imprensa publicaram com destaque fotos dos candidatos selecionados que vão concorrer às vagas para negros da Universidade de Brasília (UnB). Veículos que vêm se posicionando contra essa política percebem, no largo espectro cromático desses alunos, mais uma oportunidade para desqualificar o critério racial que a orienta.

Uma das características do racismo é a maneira pela qual ele aprisiona o outro em imagens fixas e estereotipadas, enquanto reserva para os racialmente hegemônicos o privilégio de serem representados em sua diversidade. Assim, para os publicitários, por exemplo, basta enfiar um negro no meio de uma multidão de brancos em um comercial para assegurar suposto respeito e valorização da diversidade étnica e racial e livrar-se de possíveis acusações de exclusão racial das minorias. Um negro ou japonês solitários em uma propaganda povoada de brancos representam o conjunto de suas coletividades. Afinal, negro e japonês são todos iguais, não é?
Brancos não. São individualidades, são múltiplos, complexos e assim devem ser representados. Isso é demarcado também no nível fenotípico em que é valorizada a diversidade da branquitude: morenos de cabelos castanhos ou pretos, loiros, ruivos, são diferentes matizes da branquitude que estão perfeitamente incluídos no interior da racialidade branca, mesmo quando apresentam alto grau de morenice, como ocorre com alguns descendentes de espanhóis, italianos ou portugueses que, nem por isso, deixam de ser considerados ou de se sentirem brancos. A branquitude é, portanto, diversa e multicromática. No entanto, a negritude padece de toda sorte de indagações.
Insisto em contar a forma pela qual foi assegurada, no registro de nascimento de minha filha Luanda, a sua identidade negra. O pai, branco, vai ao cartório, o escrivão preenche o registro e, no campo destinado à cor, escreve: branca. O pai diz ao escrivão que a cor está errada, porque a mãe da criança é negra. O escrivão, resistente, corrige o erro e planta a nova cor: parda. O pai novamente reage e diz que sua filha não é parda. O escrivão irritado pergunta, “Então qual a cor de sua filha”. O pai responde, “Negra”. O escrivão retruca, “Mas ela não puxou nem um pouquinho ao senhor? É assim que se vão clareando as pessoas no Brasil e o Brasil. Esse pai, brasileiro naturalizado e de fenótipo ariano, não tem, como branco que de fato é, as dúvidas metafísicas que assombram a racialidade no Brasil, um país percebido por ele e pela maioria de estrangeiros brancos como de maioria negra. Não fosse a providência e insistência paterna, minha filha pagaria eternamente o mico de, com sua vasta carapinha, ter o registro de branca, como ocorre com filhos de um famoso jogador de futebol negro.
Porém, independentemente da miscigenação de primeiro grau decorrente de casamentos inter-raciais, as famílias negras apresentam grande variedade cromática em seu interior, herança de miscigenações passadas que têm sido historicamente utilizadas para enfraquecer a identidade racial dos negros. Faz-se isso pelo deslocamento da negritude, que oferece aos negros de pele clara as múltiplas classificações de cor que por aqui circulam e que, neste momento, prestam-se à desqualificação da política de cotas.
Segundo essa lógica, devemos instituir divisões raciais no interior da maioria das famílias negras com todas as implicações conflituosas que decorrem dessa partição do pertencimento racial. Assim teríamos, por exemplo, em uma situação esdrúxula, a família Pitanga, em que Camila Pitanga (negra de pele clara como sua mãe), e Rocco Pitanga (um dos atores da novela “Da cor do pecado”), embora irmãos e filhos dos mesmos pais seriam, ela e a mãe brancas, e ele e o pai negros. Não é gratuito, pois, que a consciência racial da família Pitanga sempre fez com que Camila recusasse as constantes tentativas de expropriá-la de sua identidade racial e familiar negra.
De igual maneira, importantes lideranças do Movimento Negro Brasileiro, negros de pele clara, através do franco engajamento na questão racial, vêm demarcando a resistência que historicamente tem sido empreendida por parcela desse segmento de nossa gente aos acenos de traição à negritude, que são sempre oferecidos aos mais claros.
Há quase duas décadas, parcela significativa de jovens negros inseridos no Movimento Hip Hop politicamente cunhou para si a autodefinição de pretos e o slogan PPP (Poder para o Povo Preto) em oposição a essas classificações cromáticas que instituem diferenças no interior da negritude, sendo esses jovens, em sua maioria, negros de pele clara como um dos seus principais ídolos e líderes, Mano Brown, dos Racionais MCs. O que esses jovens sabem pela experiência cotidiana é que o policial nunca se engana, sejam eles mais claros ou escuros.
No entanto, as redefinições da identidade racial, que vêm sendo empreendidas pelo avanço da consciência negra e que já são perceptíveis em levantamentos estatísticos, tendem a ser atribuídas apenas a um suposto ou real oportunismo promovido pelas políticas de cotas, fenômeno recente que não explica a totalidade do processo em curso.
A fuga da negritude tem sido a medida da consciência de sua rejeição social e o desembarque dela sempre foi incentivado e visto com bons olhos pelo conjunto da sociedade. Cada negro claro ou escuro que celebra sua mestiçagem ou suposta morenidade contra a sua identidade negra tem aceitação garantida. O mesmo ocorre com aquele que afirma que o problema é somente de classe e não de raça. Esses são os discursos politicamente corretos de nossa sociedade. São os discursos que o branco brasileiro nos ensinou, gosta de ouvir e que o negro que tem juízo obedece e repete. Mas as coisas estão mudando…