Em pouco mais de um mês, o Rio passou do paraíso dos Jogos Olímpicos ao jogo sujo da política, com a denúncia de que as milícias estão cobrando até R$ 120 mil para permitir propaganda eleitoral nas áreas dominadas por elas, conforme revelaram os repórteres Marcelo Remigio e Vera Araújo. O resultado é que 16 pessoas envolvidas direta ou indiretamente com a promiscuidade do crime organizado foram assassinadas no Grande Rio desde novembro do ano passado. Isso, sem falar no velho problema do tráfico, que continua agindo e não mais apenas na periferia. Em um e-mail para a coluna, o pai de uma menina de 13 anos conta que, ao levá-la para a aula de balé, no Catete, encontrou a academia fechada, como o comércio de todo o bairro, em represália pela morte de um traficante. Ele pergunta: “Aonde vamos parar: o estado na bancarrota, as UPPs falidas, a criminalidade crescendo; do outro lado um píer e uma Praça Mauá, lindos revitalizados, o Parque de Madureira e agora o Parque de Deodoro?”.