Por: Faustino Teixeira
Um dos mais fascinantes temas presentes no livro de Guimarães Rosa , “Grande Sertão: Veredas” refere-se à tensão entre o bem e o mal. Em todo o precioso relato de Riobaldo a grande dúvida que o acompanha, da primeira à última página é: “o diabo existe e não existe”. Em precioso trabalho sobre o livro, a filósofa mineira Sônia Viegas busca refletir sobre “A vereda trágica do Grande Sertão: Veredas” (Viegas, 2009). Curiosa essa presença da figura do demônio na tradição ocidental desde os fins da Idade Média. Trata-se de algo que se relaciona com a polêmica religiosa, não há dúvida, mas de forma ainda mais substantiva, como lembrou Pierre Francastel, “à descoberta que o homem faz de si mesmo”. Nessa obra de Guimarães Rosa, vislumbra-se essa atmosfera sombria nas marchas e contramarchas do jagunço Riobaldo em busca de seu lugar no mundo. É um “espírito estranhamente místico, oscilando entre Deus e o Diabo” (Proença, 1958, p. 6).