Publicado em 09/12/2017 por O Globo
Mil novecentos e sessenta e quatro foi um ano de glória para mim. Ganhei o carnaval com "Cabeleira do Zezé (sátira à juventude rebelde da época com suas roupas extravagantes e suas cabeleiras); musiquei na televisão os programas "Times Square" e "Praça Onze"; e, na boate Sótão, na Galeria Alaska, o inesquecível show de travestis "Les Girls". Ali surgiram para o estrelato as talentosas Rogéria, Divina Valéria, Jane di Castro e outras transformistas que brilharam mais tarde em renomados palcos internacionais.
"Les Girls" foi sucesso total, durante muitos anos, com elencos variados, dentro e fora do Brasil. Uma curiosidade. Um poderoso diretor de TV, quando soube que eu estava musicando "Les Girls", fuzilou: "Kelly, você ganha aqui um bom salário e não tem nada que musicar um show de viados lá fora!" Respondi na lata: "Conheci o elenco e ali só encontrei artista de alta qualidade. Acho a sua frase muito infeliz."