terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Gêneros Textuais

Os gêneros textuais são classificações de textos de acordo com o objetivo e o contexto em que são empregados. Dessa maneira, os gêneros textuais são definidos pelas características dos diversos tipos de textos, os quais apresentam características comuns em relação à linguagem e ao conteúdo.
Lembre-se que existem muitos gêneros textuais, os quais promovem uma interação entre os interlocutores (emissor e receptor) de determinado discurso, seja uma resenha crítica jornalística, publicidade, receita de bolo, menu do restaurante, bilhete ou lista de supermercado; porém, faz-se necessário considerar seu contexto, função e finalidade.
O gênero textual pode conter mais de um tipo textual, ou seja, uma receita de bolo, apresenta a lista de ingredientes necessários (texto descritivo) e o modo de preparo (texto injuntivo).

Cada texto possuiu uma linguagem e estrutura; note que existem inúmeros gêneros textuais dentro das categorias tipológicas de texto. Em outras palavras, gênero textual são estruturas textuais peculiares que surgem dos tipos de textos: narrativo, descritivo, dissertativo-argumentativo, expositivo e injuntivo.

Texto Narrativo

Os textos narrativos apresentam ações de personagens no tempo e no espaço. Sua estrutura é dividida em: apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho. Alguns exemplos de gêneros textuais narrativos:
  • Romance
  • Novela
  • Crônica
  • Contos de Fada
  • Fábula
  • Lendas

Texto Descritivo

Os textos descritivos se ocupam de relatar e expor determinada pessoa, objeto, lugar, acontecimento. Dessa forma, são textos repletos de adjetivos os quais descrevem ou apresentam imagens a partir das percepções sensoriais do locutor (emissor). São exemplos de gêneros textuais descritivos:
  • Diário
  • Relatos (viagens, históricos, etc.)
  • Biografia e autobiografia
  • Notícia
  • Currículo
  • Lista de compras
  • Cardápio
  • Anúncios de classificados

Texto Dissertativo-Argumentativo

Os textos dissertativos são aqueles encarregados de expor um tema ou assunto por meio de argumentações; são marcados pela defesa de um ponto de vista, ao mesmo tempo que tenta persuadir o leitor. Sua estrutura textual é dividida em três partes: tese (apresentação), antítese (desenvolvimento), nova tese (conclusão). Exemplos de gêneros textuais dissertativos:
  • Editorial Jornalístico
  • Carta de opinião
  • Resenha
  • Artigo
  • Ensaio
  • Monografia, dissertação de mestrado e tese de doutorado

Texto Expositivo

Os textos expositivos possuem a função de expor determinada ideia, por meio de recursos como: definição, conceituação, informação, descrição e comparação. Assim, alguns exemplos de gêneros textuais expositivos:
  • Seminários
  • Palestras
  • Conferências
  • Entrevistas
  • Trabalhos acadêmicos
  • Enciclopédia
  • Verbetes de dicionários

Texto Injuntivo

O texto injuntivo, também chamado de texto instrucional, é aquele que indica uma ordem, de modo que o locutor (emissor) objetiva orientar e persuadir o interlocutor (receptor); por isso, apresentam, na maioria dos casos, verbos no imperativo. Alguns exemplos de gêneros textuais injuntivos:
  • Propaganda
  • Receita culinária
  • Bula de remédio
  • Manual de instruções
  • Regulamento
  • Textos prescritivos
http://www.todamateria.com.br/generos-textuais/


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O que a Internet está fazendo com nossos cérebros

Outro dia, o Braincast falou sobre a década de 1990, como as coisas eram no final do século 20. Parece loucura pensar que já estamos quase na metade da segunda década do século 21 e que já existe uma geração inteira por aí que não consegue imaginar um mundo sem internet e todas as tecnologias e mudanças sociais que ocorreram desde então. Só que ao mesmo tempo em que a web proporcionou avanços incríveis, ela também fez com que o ser humano regredisse em incontáveis aspectos, um deles ligado diretamente à criatividade, aprendizado e a maneira como raciocinamos.
Afinal, o que a internet está fazendo com o nosso cérebro?
Se você nunca se perguntou isso, talvez agora seja um bom momento para pensar a respeito. Pensar. Será que a gente se lembra como fazer isso de verdade, de maneira consciente e não no piloto automático? Às vezes tenho a impressão de que nós, seres humanos, estamos nos esquecendo como desempenhar funções básicas, não porque evoluímos e aprendemos algo novo no lugar, mas porque simplesmente desaprendemos deixando que uma máquina faça tudo por nós. E por mais que a gente pense que o acesso à informação está cada vez mais democrático, ao mesmo tempo a maneira de encontrar esta informação não é nada democrático, já que apenas alguns poucos “escolhidos” são capazes de desenvolver algoritmos para tal.
Ou seja: você joga uma busca no Google, que devolve os resultados para você, mastigados segundo o que aquela combinação de algoritmos definiu. Geralmente, a gente acaba se dando por satisfeito e pronto, fica por isso mesmo. Daí, me ocorreu o seguinte:
SERÁ QUE O GOOGLE ESTÁ MATANDO A NOSSA CURIOSIDADE, CRIANDO UMA FALSA SENSAÇÃO DE SACIEDADE?
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Já tem algum tempo que eu tenho pensado a respeito e tenho certeza de que nós – eu, você e outras pessoas – não estamos sozinhos na busca por respostas a estes questionamentos, especialmente se você faz parte daquela parcela da população que se lembra de como era o mundo analógico, quando as pesquisas para a escola eram feitas em bibliotecas (Barsa e Guia do Estudante, quem nunca?) e você precisava esperar meses para ouvir uma música nova ou assistir a um filme.
Não, eu não estou sendo saudosista, nem reacionária, adoro poder ouvir a música nova do David Bowie no exato momento em que ela é lançada. De não precisar deixar o videocassete gravando um programa na MTV, só para poder assistir ao videoclipe deste ou daquele artista. Eu só acho que talvez seja exatamente por conta desta facilidade que as coisas estão se tornando cada vez mais superficiais e efêmeras, por assim dizer.
DAÍ EU TE PERGUNTO: QUE HISTÓRIA TEM AQUELE FILME OU AQUELA MÚSICA QUE VOCÊ BAIXOU DA INTERNET?
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Tudo se tornou consumível, reciclável. Você consome uma coisa e, quando se cansa dela – o que ocorre com rapidez cada vez maior – vamos para a próxima. Não existe mais aquela coisa de se criar uma expectativa e, quando ela finalmente chega, você vai e curte durante um bom tempo, até se cansar. E, quando se cansa, não joga fora ou recicla. Você guarda. Eu tenho um monte de livros e discos aos quais sou apegada porque tive de esperar por eles. Cada um tem sua própria história, que faz parte da minha história, representa um momento da minha vida ou uma lembrança.
Mas, voltando à rapidez, será que com um volume tão grande de informação, a uma velocidade tão absurda, a gente consegue reter alguma coisa? O Epipheo Studios (que tem o Google entre seus clientes), fez uma entrevista com o escritor Nicholas Carr sobre esse assunto e criou uma animação muito legal e altamente esclarecedora, What the Internet is Doing to Our Brains.
Se você não ligou o nome à pessoa, Nicholas Carr é o autor de A Grande Mudança e, mais recentemente, Geração Superficial.
Carr explica que nós nos tornamos uma espécie de dependentes digitais, que precisam ficar checando emails, smartphones e afins o tempo inteiro – curiosamente, uma espécie de evolução de instintos pré-históricos. Isso pode ser prejudicial por várias razões, mas uma delas está ligada diretamente à nossa capacidade de aprendizado, denominada consolidação da memória. É o processo que leva a informação da memória recente para a memória de longo prazo e permite que a gente crie conexões entre elas.
Na prática, sabe quando você começa a fazer alguma coisa, mas daí o telefone toca ou você recebe uma mensagem, e no segundo seguinte esquece completamente o que ia fazer? É mais ou menos isso: você lê alguma coisa, mas na hora de o cérebro transferir os dados, uma interrupção qualquer acaba causando um pau na HD.
E Deus falou: só a atenção salva…
Ok, não foi Deus quem disse isso. Foi Nicholas Carr, só que com outras palavras. Mas acho que você entendeu a ideia. Quer “salvar” uma informação na sua memória de longo prazo? Preste atenção no que está fazendo e evite distrações. Acredite, isso é um fator determinante entre criar alguma coisa ou apenas reproduzir algo que você viu.
Parece complicada essa coisa de se desligar mas, de fato, eu acredito que seja possível haver um equilíbrio entre digital e analógico, aproveitando-se o melhor dos dois universos. É muito prático ter uma biblioteca inteira em um tablet, mas não existe nada como o cheiro de livro novo (ou velho, em alguns casos). Sem contar que o tablet sempre tem muito mais do que livros, mas um monte de outras distrações que podem se tornar muito mais atraentes do que a leitura em si. Já o livro… é você e ele.
A era digital é ótima, mas imaginação e curiosidade para continuarmos em frente é essencial. E isso só cultivamos com um cérebro bem nutrido de realidade, informações, referências, histórias, experiências e até algumas distrações, desde que sua memória não seja prejudicada.
Se esse assunto já acabou? De forma alguma. Essa conversa só está começando.
http://www.b9.com.br/37184/opiniao/o-que-a-internet-esta-fazendo-com-o-nosso-cerebro/


sábado, 13 de fevereiro de 2016

A Semana de 22

A partir do início do século 20, uma série de transformações profundas chachoalhou as estruturas da antiga ordem moral, social e econômica do mundo. O epicentro da mudança foi a Europa. Nasceu uma nova visão de mundo, que a arte reverberou intensamente.
A fábrica prometia prosperidade. O automóvel acelerava a vida. As máquinas, de modo geral, assegurariam mais conforto e felicidade. O futuro havia chegado. Era tempo de se livrar de tudo aquilo que tivesse o gosto azedo de passado. As vanguardas artísticas europeias, como o Futurismo, o Cubismo, o Dadaísmo e o Surrealismo, chegaram em busca do novo, do genuíno, de novas abordagens e linguagens, inaugurando uma fase criativamente efervescente, baseada no princípio da experimentação. Abaixo tudo que fosse para tolher a genuína criatividade, acima de tudo que libertasse e celebrasse os novos tempos.

No Brasil, nas primeiras décadas do século 20, as coisas também já mudavam de figura: as cidades ganhavam importância. A burguesia nascente brasileira se fortalecia. As vanguardas modernistas, portanto, encontram um contexto também propício, por aqui. Os escritores Mário de Andrade e Oswald de Andrade se converteram nos principais incentivadores da busca de uma arte brasileira renovada, que assimilou as mudanças propostas no exterior, mas tivesse forma e conteúdo próprios, concectados com nossas raízes.

A Semana de Arte Moderna de 22, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro , foi o grande marco dessa nova visão e sensibilidade. Mas, afinal, o que queriam esses tais modernistas? Boa parte do público que foi conhecê-los, na Semana de 1922, não gostou de nada do que viu.
Os modernistas defendiam alguns pressupostos para a arte e para a vida. Na literatura, adotaram uma linguagem muito mais coloquial; praticaram o verso livre; elegeram novos temas poéticos, bem prosaicos, do dia a dia; valorizaram e trouxeram a cultura popular para dentro da arte tradicional, refundindo tudo; inauguraram, assim, um novo lirismo.
O nacionalismo também foi importante para os modernistas. Recuperaram, por exemplo, a linha indianista inciada com o Romantismo, mas dela subtraem toda idealização. Querem uma volta radical a certas raízes, de que a antropofagia de Oswald de Andrade foi o melhor exemplo. Absorver o que vem de fora, sim, mas , em seguida, misturá-la com nossas raízes e digeri-la bem, resultando uma arte nacional, a exemplo do que fizeram os índios com o bispo Sardinha - fato transformado em alegoria por Oswald, no Manifesto Antropófago, em 1928.
Mário de Andrade também abordou o conceito de nacionalismo em sua obra mais famosa, Macunaíma, o Herói sem nenhum caráter. 


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Um passeio pela História da Literatura

Séculos VIII a.C. a II a.C.

As primeiras obras da História que se tem informação são os dois poemas atribuídos a Homero: Ilíada e Odisséia. Os dois poemas narram as aventuras do herói Ulisses e a Guerra de Tróia.  Na Grécia Antiga os principais poetas foram: Píndaro, Safo e Anacreonte. Esopo fica conhecido por suas fábulas e Heródoto, o primeiro historiador, por ter escrito a história da Grécia em seu tempo e dos países que visitou, entre eles o Egito Antigo.

Realismo Inglês

O movimento conhecido como Realismo se instaurou no continente europeu entre 1850 e 1880, particularmente em países como a França, Inglaterra e Alemanha, disseminando-se depois pelo restante do planeta, especialmente na América do Norte. Seus adeptos rejeitavam a forma idealizada de se ver o mundo, principalmente o belo. Eles também negavam a visão não naturalista típica do Neoclassicismo e do Romantismo.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Alexandre Dumas

Algumas estéticas literárias são complicadas de se digerir atualmente. O Romantismo, sem dúvida, é uma delas. O leitor do romance desse período é obrigado a lidar com um conceito de amor casto e espiritual muito diferente daquele sexualizado com que a mídia recheia o nosso dia a dia; é obrigado a entender o apego absurdo a conceitos como honra em uma sociedade na qual essa ideia é vagamente lembrada; é obrigado a digerir um nacionalismo com que o brasileiro pouco se identifica. Em suma: trata-se de uma estética com diversos elementos que encontram pouco eco no leitor do século XXI. Se você passou pela escola nas últimas décadas e teve que encarar IracemaUbirajara, O Guarani, entre outros, sabe bem a que me refiro.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Artigo de Opinião - A mania nacional da transgressão leve - Michael Kepp



Pequenos delitos são transgressões leves que passam impunes e, no Brasil, estão tão institucionalizados que os
transgressores nem têm ideia de que estão fazendo algo errado. Ou então acham esses "miniabusos" irresistíveis, apesar
de causarem "minidanos" e/ou levarem a delitos maiores. Esses maus exemplos são também contagiosos. E, em uma
sociedade na qual proliferam ser um cidadão-modelo exige que se reme contra uma poderosa maré ou que se beire à
santidade.
Alguns pequenos delitos – fazer barulho em casa a ponto de incomodar os vizinhos ou usar as calçadas como
depósito de lixo e de cocô de cachorro – diminuem a qualidade de vida em pequenas, mas significativas, doses. Eles
ilustram a frase do escritor Millôr Fernandes: "Nossa liberdade começa onde podemos impedir a dos outros".
No ano passado, o grupo de adolescentes que furou a enorme fila para assistir ao show gratuito de Naná
Vasconcelos, na qual eu e outros esperávamos por horas, impediu nossa liberdade. Os jovens receberam os ingressos
gratuitos que, embora devessem ser nossos, se esgotaram antes de chegarmos à bilheteria.
A frase de Millôr também cai como uma luva para o casal que recentemente pediu a um amigo – na minha
frente, na fila das bebidas, no intervalo de uma peça – que comprasse comes e bebes para ambos. O fura-fila indireto me
irritou não só porque demorou mais para me atender mas também porque o segundo ato estava prestes a começar. Qual
é a diferença deles para os motoristas que me ultrapassam pelo acostamento nas estradas e depois furam a fila,
atrasando a minha viagem? E que dizer daqueles motoristas que costuram atrás das ambulâncias? Outros pequenos
delitos causam danos porque representam uma pequena parte da reação em cadeia que corrói o tecido social. Os
brasileiros que contribuem para a rede de consumo de drogas não são apenas os que as compram mas até os que as
consomem de vez em quando em festas. Uma simples tragada liga você, mesmo que de modo ínfimo, ao traficante e à
bala perdida, mas atos aparentemente tão inócuos e difíceis de condenar nos forçam a pensar no que constitui um
pequeno delito. Por exemplo, que dano social pode ser causado pelo roubo de "lembrancinhas" – de toalhas e cinzeiros
de hotel a cobertores de companhias aéreas? Bem, os hotéis e companhias aéreas
Compensam o custo de substituir esses objetos aumentando levemente o preço. Os varejistas fazem o mesmo
para compensar as perdas com pequenos furtos.
Outros pequenos delitos são mais fáceis de classificar, mas igualmente tentadores de cometer. Veja o caso da
pessoa que não diz ao caixa que recebeu por engano uma nota de R$ 50 em vez da correta nota de R$ 10. Ou do garoto
que obedece ao trocador, passa por baixo da roleta e lhe passa uma nota de R$ 1 em vez de pagar à empresa de ônibus
R$ 1,60. Esse suborno não é igual a pagar à polícia uma propina para se safar? Essas caixinhas não seriam também crias
do famoso caixa dois, que já virou uma instituição?
Um dos meus vizinhos disse que alguns desses pequenos delitos, como vários tipos de caixa dois, são fruto da
necessidade. Ele escreve, embora não assine, monografias para que universitários preguiçosos/ocupados terminem seus
cursos. É assim que põe comida na mesa. Apesar de defender sua atividade antiética dizendo que "a fome também é
antiética", ele bem que poderia perder 20 quilos.
Outro vizinho vendeu sua cobertura no Rio com uma vista espetacular da floresta da Tijuca porque descobriu
que, no prazo de um ano, um arranha-céu seria construído, acabando com a vista e desvalorizando o imóvel em R$ 50
mil. Ele disse isso aos compradores? Não. E eu também não considero esse delito tão pequeno diante do valor do
prejuízo.
Apesar de os delitos pequenos parecerem estar institucionalizados demais para notar ou serem tentadores
demais para resistir, dizer "não" a eles beneficia a sociedade como um todo. E um "não" vigoroso o bastante pode
alertar os distraídos e os fracos de espírito para que, em uma sociedade que se guia pela *"lei de Gerson", nossa bússola
moral possa nos apontar o caminho.
*Obs: Lei de Gerson: numa propaganda, o ex-jogador de futebol 'Gerson' dizia "É preciso levar vantagem em tudo".