terça-feira, 18 de abril de 2017

Resenhando - Marcados para morrer

Há filmes que, pela importância do tema, justificam alguns excessos. No caso de “Martírio”, a marca de 160 minutos constitui um provável empecilho para chegar ao circuito comercial e ao espectador em busca de diversão. É uma pena, porque sua duração é plenamente justificada e necessária, sobretudo quando um candidato à Presidência da República já antecipa uma de suas plataformas: não demarcará um centímetro de terras indígenas, ou seja, sem meias-palavras, ele (e muitos outros) defende um plano de extermínio de seres humanos, com sua história, religião e cultura.

Com direção do documentarista e indigenista Vincent Carelli — realizador de “Corumbiara” e criador do projeto Vídeo nas Aldeias, com o qual deu equipamentos, imagens e voz aos “selvagens” deste país —, “Martírio” oferece um quadro político e histórico impactante.

De um lado, sobreviventes da tribo guarani kaiowá, em marcha pela retomada de seus territórios no Mato Grosso do Sul. Um movimento iniciado há 20 anos, filmado por Carelli e interrompido por massacres, mortes e suicídios. O diretor retomou o projeto (em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tita Almeida) e ouviu as várias partes da questão. De um lado, sobreviventes maltrapilhos, muitos sem dentes ou sem visão, alguns “armados” com pedaços de pau e dispostos a morrer (e tantos morreram) pelo direito de existirem como povo e cultura, viverem da natureza, abrindo mão de qualquer cesta básica. Em um país com a dimensão do Brasil, difícil imaginar que tamanha ambição fosse travar a economia nacional protegida com tanto zelo pelas autoridades.

Carelli também é generoso com o outro lado, e ouviu, com extrema paciência, representantes do agronegócio, defendidos por caciques da bancada ruralista no Congresso Nacional, que clamam pela paz através do extermínio desses “invasores de terra contrários ao progresso o país”. Pois é.

Muitas vezes, as falas dos índios não têm tradução. E não é necessário. A indignação, a revolta, a tristeza, e também a dignidade e a resistência estão expressas em cada depoimento de velhos e jovens — e no olhar das crianças.

Para fundamentar seu manifesto explícito sobre uma injustiça histórica, Carelli recupera trechos de filmes e cinejornais e retrocede à Guerra do Paraguai para contar avanços e retrocessos da convivência entre índios e brancos, até chegar a Brasília nos dias atuais. Sua intenção (ou ilusão) é contribuir para modificar um final tristemente previsível: aqueles índios estão marcados para morrer. 

Jornal O Globo

sábado, 15 de abril de 2017

Nova Ortografia da Língua Portuguesa













Para Refletir ....

CUIDADO JESUS, fica esperto!


“Jesus nasceu numa quebrada. Periferia da periferia mesmo. Passou a vida arrumando treta por questões sociais. Defendeu assassino, ladrão, puta, pobre e leproso. Juntou uma galera pra defender a causa. Começou a fazer barulho. Conquistou o desafeto da classe média e da elite (ponto pro cara). Considerado subversivo, foi preso pelo império. A classe média pedia pena de morte, mas o crime não a justificava. Pôncio Pilatos jogou o BO pra Herodes. Herodes se ligou na mesma coisa e devolveu o BO. Pilatos deixou pra galera decidir. Bem pensado, porque desde aquele tempo o povo já tava cheio de dateninha linchador.
O cara foi executado ouvindo piadinha de justiceiro. E não foi morto ‘entre’ bandidos. Foi executado pelo Estado como bandido — subversivo, que de fato era. Enfim, o messias cristão foi um sujeito pobre, nascido na periferia, engajado em questões sociais, executado como bandido pelo Estado sob os aplausos dos justiceiros. Então, Jesus, se você estiver lendo isso e pensando em voltar, fica esperto! Essa ‘gente de bem’ de hoje em dia vai te matar de novo enquanto come bacalhau e ovo de páscoa.”


(Autor desconhecido)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Artigo de Opinião - " Se todo mundo sabia de tudo, por que só agora as coisas apareceram ?"

‘Se todo mundo sabia de tudo, por que só agora as coisas apareceram?’, perguntou Emílio Odebrecht. Nós sabemos a resposta. Por Paulo Nogueira

Por Paulo Nogueira -  13 de abril de 2017

domingo, 9 de abril de 2017

Tá Na Hora do Poeta - Tem gente com fome - Solano Trindade

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome 
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu

Crônica do Dia - Inocentes do Leblon - Fernando Gabeira

Considero insensato permitir que Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, cumpra prisão domiciliar