1. Marginalidade e canonização
Em 1919, o escritor carioca Afonso Henriques de Lima Barreto volta a concorrer, aos 38 anos, à Academia Brasileira de Letras. É sua segunda tentativa de ingressar na instituição cultural mais prestigiosa de seu país, fundada duas décadas antes por Machado de Assis, segundo o modelo da Académie Française. Vários de seus textos em prosa, especialmente o romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, já haviam sido elogiados por críticos importantes, não restando, portanto, dúvidas sobre o mérito literário do candidato. Entre tantas decepções sociais na vida de Lima Barreto, a segunda recusa da Academia provavelmente nem chegou a surpreender.
